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Visão do Peão

Uma Seleção por mares já dantes navegados

23.06.14, João Ferreira Dias

Este mundial tem sido a prova de que há muito o futebol não é só arte, é também perícia, engenho, determinação, ciência. O apuramento da Costa Rica ou as boas prestações do México, ou mesmo o Irão, liderado por Carlos Queirós, que conta com apenas um golo sofrio e uma derrota (fruto de uma grande penalidade por assinalar a seu favor)  são prova disso mesmo. A Seleção Portuguesa junta-se ao lote das grandes desilusões. Longe de ser apenas o clima, as prestações de Portugal diante da Alemanha e dos EUA (empate a dois golos) deixaram a nu a fragilidade sempre mais ou menos latente. Ao caso do jogo de ontem, que praticamente ditou a afastamento luso da prova, ficou mostrado que não há na equipa das "quinas" um fio de jogo, uma coerência de processos, um sentido posicional, uma noção de pressão sobre a bola, uma ideia de fechamento de espaços ou de transição de jogo. Uma sucessão de maus passes, uns lances aos repelões, uns cruzamentos por acaso, e é isto o futebol da seleção nacional. Na defesa há uma total descoordenação, uma ausência absoluta de posicionamento, no meio-campo não há criatividade, pressão ou noção de espaços a ocupar/explorar, com um Meireles sem qualidade para o lugar, com um Moutinho muito abaixo dos tempos do Sporting e acima de tudo do FCP, e com um talentoso William Carvalho no banco para deixar bem claro que os convocados e o onze é feito de lugares-cativos. Na frente de ataque um Postiga há muito lesionado - como alertou o departamento médico da Lázio - a queimar uma substituição a fim de agradar aos poderes instituídos. É pois este um dos principais problemas da seleção: os poderes instituídos. Não é por acaso que Paulo Bento está no lugar que está com o salário milionário que aufere - assentir com a cabeça, convocar os que lhe mandam e tentar conduzir um grupo o melhor possível. O problema é que Bento é como António José Seguro: são boas pessoas, são gente simples, mas não reúnem os predicados para a função. Nota-se perfeitamente que não há qualquer trabalho diário, que não há processos nem lances estudados. É um profundo absoluto de nada que faz parecer um grupo de amigos que se juntam para dar uns pontapés na bola. A diferença é que este grupo ganha para fazer isso. 

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