Treinadores gloriosos
Ottavio Bianchi

Destacou-se no Nápoles e Roma
Venceu 4 títulos: 1 Série A, 1 Taça de Itália e uma Taça UEFA (Nápoles) e 1 Taça Itália (Roma)
Craques que treinou: Maradona, Careca, Alemão, Ferrara, Cannavaro, Voller, Rizzitelli, Giannini, Aldair, Bergkamp, Sosa, Pancev, Bergomi, Chiesa, Adriano e Mijatovic
Ao pensar num grande treinador de futebol de sobrenome Bianchi, é natural pensar em Carlos, argentino, profícuo goleador na Argentina e em França e vencedor de 2 Intercontinentais, 4 Libertadores e várias competições internas no seu país.
Mas hoje venho escrever sobre Ottavio Bianchi, italiano, e homem que se sentava no banco do Nápoles quando Maradona conquistava Itália e a Europa. Hoje, com 82 anos, Bianchi, fez a formação e jogou seis anos como sénior no clube da terra onde nasceu, Bréscia. Em 1966 chegou pela primeira vez ao Nápoles, para três épocas no meio-campo do clube do sul. Ainda jogou quatro anos na Atalanta e uma no Milan antes de pendurar as botas no Cagliari, em 1975. Internacional A por duas vezes, esteve no Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964. Terminou a carreira sem qualquer título.
A carreira como treinador seria bastante diferente. Treinou de 1979 a 2002. Passou por SPAL, Siena, Mantova e Triestina. Foi na Atalanta que se começou a destacar, vencendo a Série C1, em 1982. Aos 40 anos, chegou à Série A para um 11.º lugar no Avellino. Na época seguinte, um 13.º posto pelo Como. Ainda assim, chegou para se juntar ao Nápoles, em 1985, onde faria história.
Na primeira época, guiou a equipa ao pódio. Após um oitavo lugar na época de estreia do astro Maradona, vindo do Barcelona, Bianchi conseguiu que o génio do 10 e os golos de Bruno Giordano aproximassem o Napoli do topo do futebol italiano. Ficou a apenas 6 pontos da Juventus.
1986-1987 seria uma época histórica. Pela primeira vez na sua história, o Nápoles foi campeão italiano, vencendo a concorrências das grandes equipas da capital e sobretudo das equipas do Norte, de Milão e Turim. Com mais 3 pontos do que a Juve, o Nápoles, com Maradona no sue melhor, foi a melhor equipa. Os golos de Carnevale e Giordano, a solidez defensiva de Ciro Ferrara ou a presença no meio, de Bagni e de Napoli, também ajudaram bastante. Em junho de 1987, num agregado de 4-0 à Atalanta, conquista da “dobradinha”. Era apenas a terceira Taça da história do clube e o quarto título do palmarés do clube.
No ano seguinte, mesmo com Maradona a ser o melhor marcador da liga e Careca, recém-chegado, a ser o segundo melhor, o Nápoles foi vice-campeão, ficando a 3 pontos do Milan. A Supertaça só nasceria em 1988.
Bianchi despediu-se em 1988-1989, com mais uma conquista inédita e única até hoje: uma taça europeia. O Nápoles venceu a Taça UEFA, eliminando PAOK, Lokomotiv Leipzig, Bordéus, Juventus e Bayern. Na final, a duas mãos, 5-4 ao Estugarda. Além de Maradona e Careca, outro brasileiro, Alemão, era figura. Na Série A, o Nápoles ficou em segundo, mas a 11 pontos do Inter. Na Taça, perdeu a final para a Sampdória.
Bianchi quis seguir a carreira na Roma, mas o presidente do Nápoles não o deixou. Bianchi teve que passar um ano sem treinar até ser livre de assinar pela Roma. Nesse ano em que não treinou, viu o Nápoles, treinado por Alberto Bigon, ser novamente campeão.
Em 1991, assumiu a Roma. Com Rizzitelli, Voller, Giannini ou Aldair, conquistou a Taça de Itália. Na final, vitória em dois jogos ante da Samp, campeã. Seria o quarto e último título de Bianchi, que viu a Roma ficar num modesto nono posto. Na segunda época, perdeu a Supertaça para a Sampdória e ficou em 5.º na Série A.
Surpreendeu ao regressar ao San Paolo. Em novembro de 1992 juntou-se ao Nápoles, substituindo Claudio Ranieri. Já sem Maradona, mas com Careca, Zola, Fonseca, Crippa e Ferrara, não conseguiu mais do que o 11.º lugar e deixou Nápoles. Treinou ainda o Inter e mais tarde, a Fiorentina, sem grande sucesso.