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Visão do Peão

Visão do Peão

Gre-No-Li

Um trio inesquecível

Francisco Chaveiro Reis
17
Jan24

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Em conversa com um amigo, percebi que, apesar dos seus conhecimentos futebolísticos não serem superficiais, não conhecia o famoso trio nórdico da história do Milan: Gre-No-Li. A temível tríade era composta pelos suecos Gunnar Gren, Gunnar Nordahl e Nils Liedholm.

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Chegaram a Milão em 1949 após terem sido estrelas da Suécia campeã olímpica, uns meses antes. Gren começou a jogar pelo Garda BK antes de rumar ao IFK Gotemburgo, onde venceu um campeonato sueco e marcou 79 golos em 168. Pelo Milan, como médio ofensivo ou jogando pelas alas, fez 38 golos em quatro épocas, vencendo um campeonato italiano e uma Taça Latina, a competição da qual nasceria a Taça dos Campeões Europeus. Chegou a ser treinador-jogador. Gren passou ainda pela Fiorentina e Génova antes de regressar à Suécia. Morreu em 1991, aos 71 anos.

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Gunnar Nordahl era o homem golo do trio, visto como um ponta de lança poderoso. Conhecido como Il Cannoniere ou Il Bisonte ("The Bison'") marcou 210 golos pelo Milan e continua a ser o melhor marcador da sua história. Em Itália apenas Piola e Totti marcaram mais do que ele e precisaram de mais do que as 8 épocas que Nordahl passou em San Siro. Venceu dois campeonatos e duas Taças Latinas. Foi o único do trio que não treinou o Milan. Antes, sempre com números assombrosos, jogou por Hörnefors IF, Degerfor e IFK Norrköping. Depois, passou pela Roma e terminou no Karlstad BIK. Morreu em Itália, aos 73 anos.

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Por fim, Nils Liedholm. Il Barone, médio ofensivo, jogou por Sleipner e Norrköping antes de chegar a Milão onde passou 12 épocas, fazendo 81 golos em 359 partidas. Venceu quatro campeonatos e duas Taças Latinas. Do trio, foi aquele que mais tempo, jogos e títulos somou em Milão e teve a carreira mais sólida como treinador. No banco, foi campeão italiano pelo Milan, em 1979, mas teria ainda mais sucesso na Roma, vencendo o campeonato em 1983, além de três Taças de Itália. Foi ainda finalista vencido da Liga dos Campeões. Treinou o Milan em três períodos e a Roma em quatro, além de Varese, Hellas Verona (duas vezes), Fiorentina ou Monza. Ficou a viver em Itália, morrendo em 2007, aos 85 anos, em Cuccaro Monferrato, onde tinha uma vinha. Gren e Liedholm estiveram presente na final do Mundial de 1958, perdendo 2-5 para o Brasil de Pelé. Liedholm marcou o primeiro golo do jogo. 

Morreu Berlusconi

Histórico presidente do Milan

Francisco Chaveiro Reis
12
Jun23

Sílvio Berlusconi morreu aos 86 anos. Era líder do partido Forza Itália (parceiro do atual Governo) e antigo primeiro ministro e fundador da Mediaset (a maior empresa de comunicação social do país. Polémicas à parte (e nunca faltaram), Berlusconi é aqui chamado por tudo o que fez pelo Milan, que já era um gigante antes da sua presidência, mas que com ele se tornou no maior clube do mundo.

Em 31 anos à frente dos rossoneri, venceu 29 trofeus. Desde o final dos anos 80 até 2017, ganhou 1 Mundial de Clubes, 2 Taças Intercontinentais, 5 Liga dos Campeões/Taça dos Campeões Europeus, 8 Scudetti, 1 Taça de Itália e 7 Supertaças de Itália. Em 2018, comprou o Monza, agora na primeira divisão, com um belo plantel.

Berlusconi comprou o Milan no início de 1986, numa altura em que o clube nada vencia há sete anos. Consigo, nos anos 80, 90 e inicio dos 2000, dinheiro não faltou. E apostas ousadas também não. Arrigo Sacchi, Fabio Capello e Carlo Ancelotti foram escolhas suas, de enorme sucesso. Apostou ainda em antigos jogadores para o banco, com sucesso bem menor. Leonardo, Tassoti, Seedorf, Inzaghi ou Brocchi foram algumas das escolhas. Mas, Berlusconi ficará para sempre conhecido pelas contratações de grandes estrelas mundiais como Van Basten, Gullit, Savicevic, Weah, Roberto Baggio, Shevchenko, Rui Costa, Kaká e Ibrahimovic, entre muitos outros homens da casa como Rossi, Maldini, Baresi, Ambrosini ou Albertini.

A primeira grande aposta de Berlusconi foi Sacchi, treinador em ascensão e aposta de algum risco. Resultou. Com a compra de Ruud Gullit, Marco van Basten and Frank Rijkaard e os italianos Paolo Maldini, Franco Baresi, Alessandro Costacurta e Roberto Donadoni o Milan foi campeão em 1988 e venceu a Liga dos Campeões (a primeira em 20 anos), batendo o Steua de Bucareste por 4-0 na final. No ano seguinte, vitória ante do Benfica e segunda Liga dos Campeões consecutiva. Conhecidos como Imortais, os craques de Sacchi eram vistos como uma das melhores equipas de sempre.

Aos Imortais, sucederam os Invencíveis. Sacchi deixou Milão e Capello foi o escolho para o suceder. Venceu três campeonatos seguidos, entre 1992 e 1994, tendo somado 58 jogos sem perder. Com Capello, três finais da Liga dos Campeões. Em 1993, derrota com o Marselha e em 1995, derrota com o Ajax. Pelo meio, 4-0 ao Barcelona Dream Team e uma das vitórias mais emblemáticas de sempre.

No início dos anos 2000, já com Ancelotti, o Milan voltou a ter um período extraordinário. O Milan venceu a Juventus na final da Liga dos Campeões de 2003, venceu o campeonato em 2004 e foi à final da Champions, perdendo-a para o Liverpool. Em 2007, nova Liga dos Campeões, em novo encontro com o Liverpool. Ancelotti ainda venceu o Mundial de Clubes de 2007. Seguiram-se alguns escândalos relacionados com corrupção e algum desinvestimento que fez com que o Milan entrasse numa fase má. Não terminou em grande a ligação de Sílvio ao Milan mas o seu contributo para a história do clube é incalculável.  

Maldini campeões

Três gerações

Francisco Chaveiro Reis
26
Mai22

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É caso único. Três gerações foram campeãs pelo Milan. Cesare, defesa, chegou da Triestina em 1954 e foi campeão, logo à primeira, aos 23 anos. Venceria o campeonato por mais três vezes, além de uma Liga dos Campeões e uma Taça Latina, importante nos anos 60. Como treinador, venceria depois uma Taça das Taças e uma Taça de Itália. Já Paolo Maldini, também defesa, venceu a liga italiana pela primeira vez em 1987-1988, aos 20 anos, ao lado de Van Basten, Gullit, Donadoni e Baresi. Venceria muitos mais títulos: 1 Mundial de Clubes, 2 Taças Intercontinentais, 5 Ligas dos Campeões, 4 Supertaças Europeias, mais 6 ligas italianas, 1 taça e 5 supertaças. Paolo é agora dirigente e, por isso, foi também campeão. Mas o destaque vai para Daniel, filho de Paolo e neto de Cesare que, aos 20 anos foi campeão pela primeira vez. Daniel não é, pelos menos para já, como o pai e avô, peça central do Milan mas este titulo já ninguém lho tira. Viva os Maldini!

Leão, Rei de Itália

Melhor jogador da Série A

Francisco Chaveiro Reis
23
Mai22

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Determinante no título do Milan, Rafael Leão foi considerado o melhor jogador da Série A. O português de 22 anos termina a época com 10 assistências e 11 golos, tendo sido central na conquista do título.

Campeões na Europa

Milan, Itália

Francisco Chaveiro Reis
22
Mai22

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O Milan só precisava de um ponto no campo do Sassuolo mas Rafael Leão tinha uma ideia diferente. O avançado português tratou de inventar três golos, oferecendo dois a Giroud e um a Kessie, ajudando o Milan a ser campeão, 11 anos depois. O Milan chegou ao seu 19.º campeonato italiano, conquistando 26 vitórias, 8 empates e 6 derrotas, sofrendo apenas 31 golos (tantos como o Nápoles) e marcando apenas 69 vezes (menos do que Inter, Nápoles e Lázio). Além de Leão, destacaram-se na campanha, Tomori, Theo, Tonali ou Kessie.

Breve história do Milan

A um ponto do campeonato

Francisco Chaveiro Reis
17
Mai22

 

 

Depois de anos nas ruas da amargura, com épocas onde nem a qualificação para a Europa foi conseguida, o Milan prepara-se para ser campeão, dez anos após o último scudetto. Desta vez, tem como grande estrela o português Rafael Leão, mas antes, também Paulo Futre e Rui Costa foram campeões em Milão. Futre, camisola 28, só participou numa partida, mas foi campeão em 1995-1996, antes de seguir para o West Ham. Mais sólida foi a carreira de Rui Costa, número 10, em San Siro. Passou lá cinco anos ajudando a vencer um campeonato, uma taça, uma supertaça, uma Liga dos Campeões e Supertaça da Europa.

Fundado em dezembro de 1899, o Milan é um dos maiores clubes do mundo e chegou a ser o “club più titolato al mondo”. Do palmarés do clube fazem parte 7 Ligas dos Campeões, 2 Taças das Taças, 18 campeonatos da primeira divisão e até dois da segunda, entre muitos outros.

A história do Milan é feita, como de todos os clubes, de altos e baixos. Dois anos após nascer, o Milan venceu o seu primeiro campeonato, voltando a vencer em 1906 e 1097 até que se deu uma cisão, da qual nasceu o Inter, grande rival até hoje. Depois da turbulência da Primeira Guerra Mundial, nasceu o Estádio San Siro, foi criado um campeonato mais sólido e o Milan oficializou definitivamente seu nome como Associazione Calcio Milan.

Seguiu-se mais um baixo, com uma seca de títulos até 1950. Os anos 50 viram florescer um excecional trio sueco: Gre-No-Li (Gunnar Gren, Gunnar Nordahl e Nils Liedholm). Nils Liedholm seria depois treinador de sucesso no clube.  A recuperação, lenta, culminou com a conquista da primeira Liga dos Campeões, em 1963. Eram os tempos dos grandes Rivera, Mazzola e Schiaffino. Em 1968, o Milan conquistou o Scudetto e seu astro Gianni Rivera conquistou o prêmio de melhor jogador da Europa. Seguiu-se a segunda Liga dos Campeões, em 1969. Figura incontornável dos anos 50 e 60 é Cesare Maldini, defesa de topo que se tornou símbolo do clube, além de ser pai de Paolo Maldini, ainda mais titulado do que o pai e avô de Daniele que pode ser campeão este fim-de-semana. Cesare foi treinador do Milan, com algum sucesso. Ou seja, com a conquista de uma Taça das Taças e uma Taça de Itália.

No fim dos anos 70 e início dos 80, com Rivera reformado, o Milan teve mais baixos, acabando na segunda divisão, primeiro por castigo devido a um escândalo de manipulação de resultados e, depois, por mau desempenho em campo. Isto apesar ter o goleador Antonelli.

Em 1986, Sílvio Berlusconi tomou conta do Milan e isso foi um game-changer. Sem papas na língua e sem medo de escândalos, Berlusconi fez o Milan subir de patamar e ser, anos a fio, a melhor equipa do mundo. Com sentido de marketing e muito dinheiro, fez as apostas certas em treinadores mesmo consensuais, como Sacchi e contratou estrelas atrás de estrelas. Em 31 anos à frente do Milan venceu 29 troféus, incluindo 5 Ligas dos Campeões, 1 Mundial de Clubes, 3 Taças Intercontinentais e 8 ligas italianas.

Berlusconi foi bastante polémico desde início. Livrou-se da lenda Liedholm e foi buscar Arrigo Sacchi ao Parma. E começou a magia. Sacchi acreditava num futebol mais parecido ao da Holanda de Cruijff ao invés do futebol defensivo que então se praticava. Sofreu críticas mesmo antes de começar, mas quando começou revolucionou o futebol italiano. Venceu uma liga italiana em quatro anos, mas depois disso, foi bicampeão europeu, venceu duas Supertaças Europeias e duas Taças Intercontinentais. Eram os dias de Maldini, Baresi, Donadoni e de um novo trio, desta vez, holandês:  Marco van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard.

Em 1991, o Milan ficou ainda melhor. Fabio Capello, que tinha sido jogador do clube, tornou-se no treinador e durante cinco anos conquistou uma Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia e conseguiu maior sucesso interno com a conquista de quatro ligas e três supertaças. Contou com Rossi, Panucci, Costacurta, Maldini, Albertini, Eranio, Evani, Lentini, Massaro, Savicevic, Boban, Simone ou Weah.

Quando Capello se mudou para o Real Madrid, o Milan viu passar pelo banco Oscar Tabarez, Arrigo Sacchi, Alberto Zaccheroni e até o próprio Capello, num regresso. Mas seria Carlo Ancelotti a devolver a glória maior ao Milan. Carlo, antigo médio do Milan, pegou na equipa. Passou oito épocas no San Siro, criando equipas fabulosas, a jogar num 4-1-2-1-2 com um meio em campo em diamante com Pirlo, Gattuso, Seedord e Rui Costa. Orientou ainda outros craques como Dida, Cafu, Maldini, Costacurta, Serginho, Kaká, Inzaghi ou Shevchenko. Venceu duas Ligas dos Campeões; uma liga; uma taça, uma supertaça; duas supertaças da Europa e um mundial de clubes. Tendo ganho tudo em Itália, o passo natural seguinte foi a Premier League. Pelo Chelsea, venceu um campeonato, uma taça e uma supertaça. Não conseguiu o êxito europeu, mas deixou boa imagem em duas épocas.

Em 2010, chegaria Allegri, recrutado ao Cagliari. Em quatro épocas, venceu um campeonato, o último conquistado pelo Milan. Depois, Seedorf, Inzaghi, Mihajlovic, Brocchi, Montella ou Gattuso, apesar das grandes carreiras como jogadores, alguns no Milan, falharam redondamente. Parece ser Pioli, outro de quem muito se desconfiou, que vai devolver a glória ao Milan.

Milan a um ponto

Pode ser campeão após 10 anos

Francisco Chaveiro Reis
15
Mai22

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Vai-se tudo decidir na última jornada. Ou o Milan, com vatagem de dois pontos e apenas necessitado de um empate, é campeão, dez anos depois ou o Inter, é bicampeão. Certo é que haverá festa em Milão, no próximo fim-de-semana. Com Rafael Leão, mais uma vez, a liderar o ataque do Milan, os rossoneri bateram a nada modesta Atalanta por 2-0. Leão, em mais uma cavalgada Weahniana fez o 1-0. Theo Hernandez faria o 2-0 final, numa jogada à Maradona, e o Milan vai a Sassuolo com fortes possibilidades de festejar mesmo tendo em frente uma grande equipa com um poder de fogo excecional, conferido por Raspadori, Scamacca ou Berardi. Pouco depois, o Inter não entrou na festa e venceu 1-3 em Cagliari, dando uma machadada na equipa da casa que entra na última jornada abaixo da linha de água. Darmian e Lautaro (2) maracarm para o Inter, Lykogiannis para o Cagliari. Domingo, pelas 15h00, há um Sassuolo-Milan e um Inter-Sampdória.

Milan resiste

Leão e Tonali em grande

Francisco Chaveiro Reis
09
Mai22

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Num jogo em que o Milan precisava de vencer para regressar ao primeiro lugar, foi o vizinho Hellas Verona, a jogar em casa, a marcar primeiro, pelo capitão (Veloso estava no banco) Faraoni. Nada que assustasse o Milan. Rafael Leão, em grande, foi de arrancada em arrancada até à vitória final. Primeiro, galopou (qual Weah) pela esquerda, até colocar a bola no coração da área. Tonali, mais uma vez, foi o herói improvável. O médio com tendências defensivas já marcara um golo importantíssimo diante da Lázio e, depois de empatar, no recomeço faria o 1-2, novamente após jogada incrível de Leão. O Milan estava por cima e viu ainda Florenzi fazer o 1-3 final. O Milan tem mais dois pontos do que o campeão e rival Inter, a duas jornadas do fim.

Milan aguenta-se

Inter também vence

Francisco Chaveiro Reis
01
Mai22

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A luta continua. O Milan esperou até aos últimos dez minutos para ver Rafael Leão marcar o golo da vitória sobre a Fiorentina. Assim, os rossoneri garantem a vantagem de dois pontos, a duas jornadas do fim. Pouco depois, o Inter venceu em Udine por 1-2. Perisic e Lautaro marcaram para o Inter e Pussetto reduziu. Numa liga tida como defensiva, nota para dois jogos com 7 golos cada um: Nápoles 6 Sassuolo 1 e Spezia 3 Lázio 4.

Inter perde em Bolonha

Milan continua em 1.º

Francisco Chaveiro Reis
28
Abr22

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É desta estrelinha que se fazem os campeões. Líder, com um jogo a mais, o Milan torcia ontem por um tropeção do rival e atual campeão, Inter, em Bolonha. Não começou bem para o Milan nem para o Bolonha, quando Ivan Perisic, vindo da direita para o meio, fez um grande golo. O Bolonha não desistiu e empatou antes da meia hora, graças a Arnautovic, de cabeça, que já passou pelo Inter. Na segunda parte, festa brava para Bolonha e…Milan. Em estreia, esta época, o guarda-redes Radu cometeu um erro enorme e Sansone fez o 2-1 final.

A quatro jogos do fim da liga, o Milan lidera com mais 2 pontos do que o Inter. O Milan recebe a Fiorentina e a Atalanta e visita o Hellas Verona e o Sassuolo, num calendário difícil. Já o Inter, visita a Udinese e o Cagliari e recebe Empoli e Sampdória.

Já o Bolonha, garantiu a manutenção e o plantel foi ao hospital visitar Sinisa Mihajlovic, antigo jogador do Inter, a lutar contra uma leucemia.