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Visão do Peão

Os japoneses

Morita no Sporting

Francisco Chaveiro Reis
27
Abr22

 

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Depois de Tanaka, Morita prepara-se para ser o segundo japonês da história do Sporting. Junya Tanaka, avançado ainda em atividade no seu país, chegou a Alvalade em 2014, ficando pouco mais do que uma época em Portugal. No ano de estreia, orientado por Marco Silva, tinha a feroz concorrência de Slimani, Montero ou Mané, mas ainda conseguiu participar em 28 partidas, marcando 7 golos e assistindo os colegas por 3 vezes. O seu momento alto foi em Braga, ao dar a vitória ao Sporting na transformação de um pontapé livre. Na Taça da Liga fez o golo da vitória ante do Boavista e ainda se estreou na Europa, não jogando na Liga dos Campeões, mas apenas na eliminatória da Liga Europa contra o Wolfsburgo, decidida por Bas Dost. Tanaka ainda faria 7 jogos na época seguinte antes de regressar ao mesmo Kashiwa Reysol de onde tinha vindo. Continuou a carreira no Japão, defendendo o Vissel Kobe (foi companheiro de Iniesta). Aos 34 anos, está na primeira época no modesto Gifu do meio da tabela da terceira divisão.

Já Hidemasa Morita prepara-se para se juntar ao Sporting já com experiência na liga e com presença regular na sua seleção. Começou a dar nas vistas tarde, aos 23 anos, no Kawasaki Frontale após vários anos no futebol universitário, na Universidade Ryutsu Keizai. Está na segunda época nos Açores e desde logo ficou a sensação de que era jogador para outros palcos. Leva 56 jogos, 4 golos e 2 assistências até agora.

Em Portugal, há uma história recente de jogadores japoneses, muito graças ao Portimonense que contratou Nakajima, que ainda passou pelo FCP, com um valor de passe astronómico. Atualmente, joga em Barcelos, Kanya Fujimoto (32 jogos e 2 golos); nos Açores está também Tagawa (9/5); em Portimão estão Kosuke Nakamura (2 jogos), Shuhei Kawasaki (joga pelos sub-23) e o tal Nakajima (23/2) e no Estoril, está Meshino (11/1) que brilhou no Rio Ave, na época passada. Daizen Maeda, que passou pelo Marítimo, será o mais célebre japonês que passou por Portugal, ele que hoje defende o Celtic.

Lembrar o Verdy Kawasaki

Francisco Chaveiro Reis
28
Ago18

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Alan Pinheiro no atual Tokyo Verdy

 

Nos dias que correm, o Tokyo Verdy é uma modesta equipa japonesa que atua na segunda divisão. Tem um treinador espanhol - Miguel Angel Lotina, um guarda-redes com um nome estrambólico – Kamifukumoto – e três avançados brasileiros – Alan Pinheiro, Douglas Vieira e Leandro da Silva. Pouco mais haverá a dizer. O cenário parece desolador mas O Verdy Tokyo tem uma história rica e foi, no fim dos anos 80 e no início dos 90 uma das melhores equipas asiáticas, quando se mudou para Kawasaki.

 

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Nos tempos do Yomiuri Football Club

 

Em 1968, o Japão venceu a Medalha de Ouro no futebol, nos Jogos Olímpicos da Cidade do México. A vitória criou interesse no futebol pelo país e o presidente da Federação Japonesa de Futebol convenceu o presidente da equipa de basebol, Yomiuri Giants a criar uma equipa. Matsutaro Shoriki morreu no ano seguinte mas deixou criado o Yomiuri Football Club que começou a competir em 1969 e chegou à primeira divisão japonesa nove anos depois. Em 1979, chegou o primeiro título – a Taça da Liga.

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Ruy Ramos, médio ofensivo brasileiro naturalizado japonês que jogou 21 anos no Verdy (341 jogos e 83 golos). Aqui ostenta uma camisola mítica do Japão dos anos 90. 

 

Nos anos 80 e o início dos anos 90 foram de sucesso. A filosofia do clube sempre foi a de participar numa liga vibrante e de sucesso como a de basebol, com mais espetáculo e fãs por todo o país. No início dos anos 90 (1993) nasceu a J.League, com o mesmo objetivo e o Yomiuri FC começou a preparar-se para a transição da JSL para a J.League, contratando grandes estrelas.

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Kazu Miura enverga a mítica camisola Mizuno do Verdy de 1993, com patrocínio Coca-Cola. Miura fez formação no Brasil e 1990 trocou o Santos pelo Verdy onde marcou 100 golos em 7 anos. Com 51 anos, ainda está em atividade.

 

Kazu Miura, mítico avançado japonês e Ruy Ramos, brasileiro naturalizado japonês, tornaram-se nas estrelas de uma equipa que venceu quatro campeonatos seguidos, dois deles já na J.League como…Verdy Kawasaki, o espetacular novo nome escolhido para a espetacular nova liga.

 

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A mítica camisola, versão branca. Aqui, Yomiuri é o patrocinador e não o nome do clube.

 

Apesar do sucesso dos três primeiros anos, uma crise económica no país fez com que as estrelas a envelhecer não fossem substituídas por outras de igual valor e o interesse arrefeceu. O Japão repensou o seu futebol e o campeonato mudou várias vezes de formato. As chegadas recentes dos veteranos Podolski, Iniesta e Torres fizeram com que o mundo se lembrasse de novo do futebol japonês.

 

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Outra camisola única da Mizuno. Esta, para 1995.

 

O retrocesso no sucesso do Verdy fez com que em 2001, o clube regressasse a Tóquio como Tokyo Verdy. Venceu uma Taça em 2005 mas começou a cair para os palcos secundários.

Aos 55 anos, Miura continuará a jogar

Francisco Chaveiro Reis
11
Jan18

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Kazu Miura, lenda do futebol japonês, de 50 anos (prestes a completar 51) vai renovar pelo Yokohama FC. Miura, avançado, começou a sua carreira no Brasil. Filho de um pai milionário, teve a oportunidade de seguir o seu sonho no país do futebol, numa altura em que o futebol japonês tinha pouca expressão. De 1986 a 1990 esteve ao serviços de vários clubes brasileiros como Santos e Palmeiras e regressou ao Japão para ajudar inaugurar a J-League, liga profissional do Japão. Até 1998 fez parte dos quadros do Verdy Kawazaki (hoje Toquio Verdy), se bem que pelo meio tenha tido experiências na Europa, por empréstimo. Antes de Nakata chegar a Perúgia, Miura atuou pelo Génova. Em 1999 passou pelo Dinamo Zagreb antes de regressar ao Japão onde passou a atuar pelo Vissel Kobe. Passou ainda pelo Kyoto Sanga Football Club e Sydney FC antes de se fixar na segunda divisão japonesa onde joga até hoje no Yokohama FC. Fez 91 jogos e marcou 56 golos pelo Japão. Fez ainda uma incursão pelo futsal e chegou a ir a um Mundial, em 2012.