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Visão do Peão

Ibra aos 40

Uma retrospectiva

Francisco Chaveiro Reis
13
Abr22

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Aos 40 anos, o corpo de Zlatan parece estar a dizer-lhe para parar. Esta época, o sueco soma pouco mais do que 900 minutos, nos quais marcou 8 golos. Com personalidade vincada, é mais certo que deixe Milão e possivelmente o futebol de primeira, caso o Milan seja campeão. Veremos. Mas, olhando para trás, Ibrahimovic só se pode orgulhar da sua carreira, mesmo que, ao contrário do que a sua enorme qualidade faria prever, nunca tenha estado muito próximo de uma Bola de Ouro. Não ter passado mais tempo em Espanha ou Inglaterra ajudarão a explicar esse facto.

Ibra começou a dar nas vistas no Malmo, da sua terra natal, ainda adolescente, ajudando a equipa a regressar à primeira divisão sueca. Sem ter nome no futebol, recusou fazer testes no Arsenal de Wenger (quão diferente teria sido a sua carreira?) e só deixou a Suécia para se tornar no 9 do Ajax. Venceu por lá, 2 campeonatos, 1 taça e 1 supertaça e fez diversos golos de outro mundo. Deixou Amsterdão com 110 jogos, 48 golos e 21 assistências. Por lá, conheceu o lateral brasileiro Maxwell que seria seu companheiro no Inter, Barcelona e PSG.

Já tinha feito 4 jogos e marcado 3 golos pelo Ajax, quando, no verão de 2004, depois de ter estado no Euro 2004, em Portugal (4 jogos e 2 golos ao lado de Larsson), mudou-se para Turim. Por lá, esteve em 92 jogos, marcando 26 golos e assistindo 19 vezes. Foi bicampeão, títulos depois retirados na secretaria, por corrupção. Não seguiu companheiros como Del Piero e Buffon na descida de divisão da Juve e mudou-se para o Inter, que herdou os títulos da Juve e ainda resgatou Ibra e Vieira. Três campeonatos e duas taças, coroaram o seu período interista, no qual esteve em 117  jogos, 66 golos e 32 assistências. Nesta altura, mesmo com o Mundial 2006 vencido pela seleção, Itália já não era o centro do futebol e Ibra aceitou mudar-se para o Barcelona.

Tal como muitos anos antes com Maradona, o Barcelona parecia ser a casa perfeita para o sueco, agora rodeado por Messi, Henry, Iniesta ou Xavi. Esteve em 46 jogos, marcou 22 golos e ofereceu 16. Nada mau. Mas não se deu bem com Guardiola e teve guia de marcha, apesar de ainda ter começado a época seguinte.

Regressou a Itália, onde se sentia confortável e teve sucesso no Milan. 85 jogos, 56 golos e 26 assistências. Ainda apanhou históricos como Inzaghi, Seedord, Ambrosini, Gattuso ou Pirlo e venceu uma liga e uma supertaça.

Em 2012, tornou-se na joia da coroa do PSG, novo rico do futebol mundial. E valeu cada centavo. Ajudou a vencer 4 ligas, 3 supertaças, 3 taças da liga e 2 taças. Deu 61 golos e marcou 156 em 180. Saiu como melhor marcador da história do clube, tendo sido, entretanto, superado por Mbappé e Cavani, o que não apaga a sua importância. Aos 35 anos ainda experimentou a liga inglesa, passando uma época em Manchester. Pelo United de Mourinho, venceu uma supertaça, uma taça da liga e uma Liga Europa, marcando 29 vezes e oferendo 10 golos.

A ida para os LA Galaxy cheirou a fim de carreira, mas Ibrahimovic continuou a ser impressionante: 53 golos e 17 assistências em 58 jogos na MLS. Em 2019-2020, regressou ao Milan, onde cumpre a sua terceira e possivelmente última época. Soma 28 golos e 8 assistências e tem servido de guia aos jovens jogadores do plantel que, esta época, está em boa posição de vencer a Série A, 11 anos depois.

Romelu vs Zlatan

Aos 27 anos, quem é melhor?

Francisco Chaveiro Reis
22
Fev21

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Lukaku e Ibrahimovic até foram colegas de equipa no Manchester United, mas entre os dois, o caldo entornou-se num jogo para a Taça de Itália. Ontem, após marcar, o belga fez questão de se meter com o sueco. Mas será Lukaku, de facto, melhor do que Zlatan?

Aos 27 anos, Lukaku, leva 243 golos em 491 jogos, apenas por clubes – Anderlecht, Chelsea, WBA, Everton, United e Inter. Na sua idade, há 12 anos, Zlatan, jogava precisamente no Inter, onde hoje brilha Lukaku. Tinha já passado por Malmo, Ajax e Juventus e somava 158 golos em 366 jogos (números de fim da época e não até fevereiro, como os de Lukaku).

Em termos de títulos, Lukaku tem um currículo magro: 2 ligas belgas, 1 supertaça belga e uma FA Cup. Zlatan essa, já contava com 11 títulos, conquistados ao serviço de Ajax, Juventus e Inter.  Pela seleção, aos 27 anos, Ibrahimovic já tinha estado nos Mundiais de 2002 e 2006 e nos Euros de 2004 e 2008. Já Lukaku, esteve nos Mundiais de 2014 e 2018 e no Euro 2016.

Em que ficamos? O Zlatan de 27 anos era bem mais técnico do que Lukaku e nunca teve problemas de afirmação por onde passou, não tendo sido emprestado. O sueco vence também no número de títulos e de presenças em competições de seleções, mas há um dado no qual Lukaku bate Ibra, aquele que mais interessa no jogo, o número de golos.

Ibra, o penso rápido do Milan

Francisco Chaveiro Reis
03
Jan20

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Tenho poucas dúvidas de que Ibrahimovic brilhará no Milan até fim da época. Já não é o mesmo da sua primeira passagem pelo clube (56 golos em 85 jogos) e é quase impossível vencer um título, mas será o melhor marcador e jogador da equipa e puxará pelos companheiros, na sua maioria, banais, como aliás, já era o caso nos LA Galaxy.

Mas Ibra é apenas um penso rápido. Um gigante adormecido, em busca da glória de outros tempos não aposta num avançado de 38 anos que passou os últimos dois anos numa semireforma norte-americana. Mesmo que esse avançado seja alguém especial como Ibrahimovic. O sueco será apenas uma distração até fim da época e uma forma de desviar as atenções do estado calamitoso do Milan.

Do Milan, espera-se uma revolução, apostando nos cavalos certos. A começar pela estrutura para o futebol que, tendo Maldini e Boban, vive apenas da ligação emocional do clube e adeptos a estas figuras, que sendo das maiores da história do Milan, nada mostram como dirigentes. Numa altura em que o futebol italiano já não tem capacidade para atrair as grandes estrelas, no auge da carreira – menos capital do que em Inglaterra e Espanha; estádios e infraestruturas envelhecidas e aparecimento de ligas secundárias com poder de atração – o Milan deve parar de recrutar as “sobras” da liga espanhola e, sim, voltar a apostar nas suas escolas e procurar talentos em ligas secundárias como as de Portugal, Bélgica ou Países Baixos.