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Visão do Peão

Visão do Peão

Batistuta

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
13
Jul22

 

Para quem nasceu nos anos 80 ou 90, o nome de Gabriel Omar Batistuta é incontornável. Se bem que tenha tido sucesso antes e depois, Batigol é conhecido pela sua passagem mítica por Florença. Recordemos o astro argentino.

Batistuta, nascido há 53 anos em Avellaneda, estreou-se em 1989 pelos Newell´s Old Boys. Nesse plantal estavam Sensini, Pochettino, Berizzo, Tata Martino ou Balbo e na estreia, Batistuta fez 11 golos, aos 20 anos. Mudou-se depois para o River Plate, onde se ficou pelos 4 golos, mas foi campeão. Numa mudança pouco habitual, transferiu-se para o Boca Juniors, onde venceu o Torneio Clausura e marcou 19 golos.

Em 1991, aterrou em Florença onde durante 9 anos foi a estrela maior marcando 206 jogos (é o melhor marcador da história do clube) em 328 partidas. Na estreia, 14 golos, ao lado de Dunga, Mazinho ou Pioli, atual treinador campeão, pelo Milan. No ano seguinte, 20 golos, com a companhia de Brian Laudrup, Massimo Orlando ou Effenberg mas a desceu de divisão. Na Série B, fez 21 golos e ajudou a equipa a ser campeã e a subir. 1994-1995 marcou o regresso à Série A e a chega de Rui Costa, que faria dupla lendária com o argentino. Do 11 base, faziam ainda parte, Toldo, Márcio Santos ou Cois. Batigol fez 28 golos e foi coroado o melhor marcador do Calcio, à frente de Balbo e Rizzitelli. Na época seguinte, mais 27 golos e novo título: a Taça de Itália, numa final a duas mãos com a Atalanta. Na primeira mão, 1-0, com golo de Batistuta e na segunda, 0-2, com o argentino a marcar mais uma vez. No banco, estava Ranieri, após Batistuta já ter sido comandado por, Sebastião Lazaroni (passaria depois pelo Marítimo), Luigi Radice, Aldo Agroppi, Luciano Chiarugi. Em 1996-1997, já com o belga nascido no Brasil, Oliveira a ajudar, a Fiorentina venceu a Supertaça. Numa final em que equiparam de viola, Lorenzo Amoroso ou Stefan Schwarz, 1-2 ao Milan de Simone, Weah, Savicevic ou Desailly. Batistuta fez os dois golos da vitória, mas nessa época, ficar-se-ia pelos 18 golos.

No ano seguinte, com Edmundo na equipa, chegou aos 24 golos e em 1998-1999 chegou à final da Taça de Itália, perdendo-a para o Parma. Fez 26 golos. Na sua última época em Florença, fez 28 golos e jogou a Liga dos Campeões, lado a lado com Mijatovic, Chiesa, Balbo, Di Livio, Okon, Amor, Torricelli ou Repka. Aos 32 anos mudou-se para a AS Roma, de Capello. Poderia não ser a escolha mais óbvia, uma vez que Milan, Inter ou Juventus tinham mais tradição, mas não correu nada mal. Batistuta juntou-se a Totti, Delvecchio, Montella, Tommasi, Emerson, Cafu ou Candela e foi campeão italiano após 10 anos em Itália. Marcaria 21 vezes. Ficou mais um ano e meio no Olímpico, marcando mais 12 vezes. No início da segunda época na Roma, venceu a Fiorentina por 3-0 e conquistou a supertaça. Fez ainda meia época em Milão, fazendo 2 golos pelo Inter, que já tinha Crespo, Recoba, Vieiri, Corradi, Ventola ou Martins. Acabaria a carreira no Catar, ao serviço do Al-Arabi SC, fazendo 27 golos e reencontrado Effenberg.

Pela Argentina, 54 golos em 77 jogos, sendo o segundo melhor marcador de sempre, apenas atrás de Messi e à frente de Crespo, Aguero, Higuain, Passarella, Luque ou…Maradona. Nas grandes competições, números fabulosos. Na Copa América de 1991, 6 golos em 6 jogos e vitória na prova, ao lado de Caniggia, Giunta, Astrada, Simeone ou Basualdo. No ano seguinte, 2 golos em 2 jogos na Taça das Confederações e nova vitória final. Em 1993, 3 golos em 6 jogos em nova Copa América e nova vitória, com ajuda de Beto Acosta, Redondo ou Ruggeri. Em 1994, no ano em que Maradona foi expulso do Mundial, 4 golos em 4 jogos e eliminação nos oitavos. Na Copa América de 1995, 4 golos em 4 jogos, mas queda, nos quartos, ante do Brasil de Ronaldo, Sávio, Leonardo ou Túlio Maravilha. No mesmo ano, nova ida à Taça das Confederações e 2 golos em 3 jogos. Iria ao França 98, fazendo o seu segundo mundial e marcando 5 golos em 5 jogos. Despediu-se das grandes competições de seleções em 2002, no Mundial da Coreia do Sul e Japão, fazendo 1 golo em 3 partidas.   

Viduka

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
21
Jun22

 

Australiano de origem croata, Mark Viduka fez uma carreira recheada de golos, passada maioritariamente na Premier League. Viduka, hoje com 46 anos, nasceu em Meulbourne e foi nos Knights locais que se começou a destacar. Com 47 golos em pouco mais do que duas épocas, ganhou o bilhete para a terra dos seus antepassados e juntou-se ao Dínamo Zagreb.

Em 1995, aos 20 anos, foi campeão e venceu a taça à primeira, marcando 13 golos, ao lado de Simic, Mamic, Soldo ou Maric (ainda passou pelo FCP). Nos dois anos seguintes, marcaria mais 39 vezes e voltaria a vencer ligas e taças. Já com Prosinecki, Miura e Sokota, ainda marcou 4 golos antes de se juntar ao Celtic. Na primeira meia época, 8 golos em 11 jogos ao lado de Larsson e zero títulos. Na época seguinte, aos 24 anos, vitória na taça da liga e 27 golos marcados.

Em 2000, aterrou em Leeds para quatro grandes anos. Nada venceria por lá, mas seria uma das figuras dos Leeds, semifinalista da Liga dos Campeões em 2001. Com Martyn, Woodgate, Radebe, Bakke ou Kewell, o Leeds foi segundo do seu grupo, na primeira fase, e na segunda, novamente segundo, atrás do Real Madrid e à frente de Anderlecht e Lázio eliminando depois, o Deportivo de Fran, Djalminha, Makaay ou Naybet. Viduka deixou o clube com 72 golos marcados.

Seguiu-se o Middlesbrough onde passou três épocas e onde deixou um registo de 42 golos. O ponto alto foi a chegada à final da Taça de UEFA em 2006. No estádio do PSV, goleada do Sevilha de Luís Fabiano, Kanouté e Maresca e fim do sonho. Viduka, ao lado de Jimmy, Boateng, Maccarone, Rochemback ou Southgate, deixou a sua marca. Passaria mais dois anos, em Inglaterra, marcando 7 vezes pelo Newcastle sem deixar muitas saudades.

Pela Austrália, fez 11 golos em 43 partidas. Esteve no Mundial de sub-20 em 1995, marcando 4 golos em 4 jogos. Foi eliminado nos quartos por Portugal, com bis de Agostinho. Quim, Beto, Bóia, Mariano ou Dani eram alguns dos portugueses titulares. Em 1996, esteve nos Jogos Olímpicos, marcando por uma vez. Marcaria mais uma vez, já como sénior, na Taça das Confederações de 1997, ficando em branco nos Jogos Olímpicos de 2000, na Taça das Confederações de 2005 e no Mundial 2006. Na última grande competição onde esteve, marcou 3 vezes na Taça Asiática de 2007.

Amauri

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
08
Jun22

Amauri nasceu no Brasil, mas foi Itália que lhe deu uma boa carreira e foi pela seleção europeia que jogou, antes de Jorginho, Emerson, Tóloi, Luiz Filipe ou João Pedro Galvão, mesmo que apenas uma vez. Amauri Carvalho de Oliveira nasceu há 42 anos e depois de um ano no Santa Catarina chegou à Europa, com apenas 20 anos.

Começou na Suíça pelo modesto Bellinzona antes de chegar ao Nápoles, em 2000-2001. Só deixaria o Calcio em 2015. No San Paolo marcou apenas uma vez numa equipa que tinha Edmundo, Amoroso, Jankulovski, Moriero ou Quiroga. Seguiram-se zero golos no Piacenza e 4 no Messina. Chegou a Verona em 2003. Fez apenas 6 golos nos primeiros dois anos, mas, ao terceiro, marcou 14 e ajudou o Chievo a chegar ao quarto posto. Ainda marcaria 2 golos em 2 jogos no início da época seguinte, mas mudou-se depois para Palermo.

Na Sicília, ajudou o Palermo a chegar ao 5.º lugar, com 8 golos, ao lado de Cavani, Simplício, Barzagli ou Zaccardo. Na segunda época de cor-de-rosa, já com a ajuda de Miccoli, marcou por 15 vezes, naquela que foi a sua melhor época. Chamou a atenção da Juventus e mudou-se para o então maior clube italiano. Em Turim não conseguiu aquilo que mais desejava: títulos.

Num plantel que tinha Del Piero, Giovinco, Iquinta, Trezeguet e o jovem Immobile, marcou por 14 vezes em 44 jogos. No ano seguinte, 40 partidas e 7 golos e na seguinte apenas 3 golos em meia época. Era hora de rumar a Parma. Em seis meses, 11 jogos e 7 golos, numa equipa que tinha Crespo em fim de época. Seguiu-se a Fiorentina e apenas 1 golo. Regressou ao Parma para 19 golos em duas épocas.

Passaria ainda por Torino, Fort Lauderdale Strikers e New York Cosmos, sem grande sucesso. Terminou a carreira em 2016, com 37 anos e um total de 442 jogos e 111 golos.

Pela equipa italiana, jogou uma vez, em agosto de 2010, num particular em Londres, no qual a Itália perdeu 0-1 com a Costa do Marfim. Amauri foi titular ao lado de Pepe, Palombo, De Rossi ou Balotelli mas aos 59 minutos deu lugar a Quagliarella.

Finidi George

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
05
Jun22

 

George Finidi, extremo nigeriano, nunca conseguiu alcançar o nível de alguns companheiros do Ajax de meio dos anos 90. Não chegou ao Barcelona como Kluivert, Litmanen, Overmars ou os irmãos De Boer, por exemplo. Mas, teve uma carreira interessante e é, sem dúvida, um herói de culto.

Nascido há 51 anos, Finidi jogou no seu país por Calabar Rovers, Heartland FC e Sharks FC, sem que se saiba muito sobre esses tempos. Sabe-se é que em 1993 chegou a Amsterdão para uma história de sucesso. Aos 23 anos, o nigeriano adaptou-se de tal modo à Holanda que fez 31 jogos e marcou 4 golos. Foi campeão à primeira. Menzo, Kreek, Silooy, Reuser, Van Vossen ou o compatriota Kanu, eram alguns dos seus colegas. Outros, ao longo da sua estadia, foram, como se sabe, Litmanen, Overmars, Kluivert, Blind, Davids, Seedorf, Rijkaard ou Van der Sar. O momento alto da passagem pelo Ajax, foi, claro, a vitória na Liga dos Campeões de 1995, em Atenas, ante do Milan, com golo do suplente Kluivert, então com 18 anos e a camisola 15. Em 1994-1995, apenas a taça escapou ao Ajax. Finidi fez 42 jogos e marcou 9 golos. No último ano, 44 jogos e 9 golos e mais troféus: mais um campeonato, uma supertaça (2-1 ao Feyennord de Henrik Larsson ou Ronald Koeman) uma supertaça europeia (total de 5-1 ao Saragoça de Morientes, Dani Garcia ou Gustavo Lopez) e a Taça Intercontinental (vitória sob o Grémio, de Jardel e Scolari, na final). O Ajax voltou à final da Liga dos Campeões, mas desta vez, perdeu. Ravanelli adiantou a Juventus e Litmanen, empatou. Nas grandes penalidades, a Juve foi mais forte, em Roma.

Com o Ajax em fim de ciclo, Finidi mudou-se para Sevilha (seria rendido em Amsterdão por Dani). No Bétis, passou quatro anos, como peça central na tentativa do clube se intrometer no domínio de Real Madrid e Barcelona, além de Atlético, Valência e Deportivo. No primeiro ano, boa época. O Bétis ficou em terceiro, ainda que a 13 pontos do Barça e a 15, do Real. Finidi fez 38 jogos e marcou 11 vezes. O Bétis, alcançou ainda, a final da taça, perdendo 3-2 para o Barcelona de Robson, com Finidi a marcar um golo, mas a serem os dois de Figo, os mais importantes. Na segunda época, 39 jogos e 10 golos, modesto oitavo lugar na liga e passagem aos quartos da Taça do Rei (eliminado pelo Saragoça) e quartos da Taça das Taças (eliminado pelo Chelsea, que venceria a prova, com Zola, Vialli, Flo ou Wise). À terceira época, pior classificação, já com Denilson na equipa, após o Mundial 1998 e com Finidi a marcar 13 vezes em 42 jogos.

No quarto e último ano, o Bétis, mesmo com Finidi, Denilson, Alfonso, Oli ou Prats desceu de divisão com Sevilha e Atlético. Finidi marcou 8 vezes e jogou 24, nos seus piores números em Sevilha. Ainda assim, balanço positivo. Nada ganhou, mas fez 135 partidas e 42 golos por um grande clube.

Aos 30 anos, chegou a Palma de Maiorca para ajudar o clube local a ficar em terceiro lugar em La Liga e municiar dois jovens atacantes: Luque (9) e Eto´o (13 golos). Do plantel faziam ainda parte Burgos, Roa, Nadal ou Ibagaza. Seguiu-se a aventura na Premier League. Juntou-se ao então modesto Ipswich Town (tinha vencido a Taça UEFA em 1981) e fez 29 jogos e 7 golos ao lado de Reuser (velho conhecido dos tempos do Ajax), Holland e Marcus Bent. Depois de um fabuloso quinto lugar, o Ipswich desceu de divisão, mas ainda fez seis jogos na Taça UEFA, tendo caído aos pés do Inter de Milão, de Vieiri, Ronaldo, Kallon e Conceição. Finidi George faria 16 jogos (1 golo) na segunda divisão inglesa antes de regressar a Maiorca para terminar a carreira, participando em 17 partidas. O Maiorca, treinado por Jaime Pacheco em parte da época, ficou em 11.º e perdeu a supertaça para o Real de Beckham, Figo e Zidane.

Pela Nigéria, Finidi fez 62 jogos e marcou 6 golos. Jogou as CAN de 1992, 1994, 2000 e 2002, tendo ajudado a vencer de 1994 (participou em 3 jogos). Rufai, Oliseh, Okocha, Amunike, Amokachi ou Yekini (melhor marcador da prova e então jogador do Vitória de Setúbal) eram os destaques. Poucas semanas depois, a Nigéria (e Finidi) estavam nos EUA para o Mundial. Além dos míticos equipamentos, a Nigéria destacou-se ao vencer o grupo D à frente de Bulgária, Argentina e Grécia. Finidi fez um golo à Grécia e esteve em 4 jogos. A Nigéria perderia 1-2 com a Itália, com um bis de Baggio. Faria mais 4 jogos no Mundial de 1998 (a Nigéria foi goleada nos oitavos, pela Dinamarca).

Zalayeta

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
03
Jun22

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Marcelo Zalayeta, nascido no Uruguai, há 43 anos, foi um avançado interessante que brilhou sobretudo no futebol italiano. Deu nas vistas em 1997, quando se estreou pelo Danubio, marcando 12 golos. Logo saltou para o Peñarol onde foi campeão. Aos 19 anos estava na Juventus, sendo campeão, mas jogando ainda pouco. Mandavam no ataque, Del Piero, Inzaghi, Amoroso, Padovano ou Fonseca. Mesmo com 2 golos em 3 jogos na época seguinte, seguiria para Empoli, no primeiro de vários empréstimos. Marcou 2 vezes.

O próximo destino, seria Sevilha. Numa época péssima, faria parte da equipa que desceu de divisão, bem como o português Bakero (já encontrara Dimas, em Turim). Voltaria à Juve, campeão da segunda divisão espanhola. Em 2001-2002 e 2002-2003 fixou-se no Delli Alpi, fazendo 58 jogos e 14 golos. Nesse período venceu duas ligas e uma supertaça. Jogaria ainda a final da Liga dos Campeões, perdida para o Milan. Na segunda metade da época seguinte, após 9 jogos e 3 golos, seguiria para Perúgia. Ao lado de Ravanelli, foram 5 jogos e…0 golos.

Seguiu-se o período maior na Juventus: três épocas, com 82 jogos (em decrescendo) e 14 golitos. Venceu uma liga italiana e depois do escândalo, venceria um título da segunda divisão. Depois de cerca de dez anos ligado à Juventus, Zalayeta mudou-se para o Nápoles. Fez 55 partidas e marcou 12 vezes, conseguindo alguma estabilidade antes de ser, mais uma vez, emprestado. O seu quinto e último clube em Itália, na sua décima primeira e última época em Itália, seria o Bolonha. 29 jogos e 4 golos. Marcou ainda 7 vezes no futebol turco, com as cores do Kayserispor.

Aos 33 anos regressou a casa para cinco épocas no Peñarol. Por lá, marcou 35 vezes nos dois primeiros anos. Encontrou Varela (jogaria no Manchester United); Luis Aguir (tinha jogado no Braga e Sporting), Mora (vindo do Benfica) e João Pedro Galvão, hoje internacional italiano. Venceria três campeonatos e marcaria mais 20 vezes até se reformar, aos 37 anos, num plantel que tinha Forlán, em fim de carreira e Valverde, antes de rumar ao Real Madrid.

Pela seleção, 47 jogos e 10 golos. Esteve na Taça das Confederações de 1997 e na Copa América de 1999, marcando nas duas. Em 1997 esteve também no Mundial de sub-20, marcando quatro vezes e tendo perdido apenas na final para a Argentina de Cufré, Samuel, Riquelme, Aimar, Scaloni ou Cambiasso. Pelo caminho ficou a França de Henry, Trezeguet, Anelka, Silvestre ou Gallas.