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Visão do Peão

Visão do Peão

A Arábia não é para todos

Henderson não será caso único

Francisco Chaveiro Reis
22
Jan24

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Não é grande surpresa. A Arábia Saudita não é para todos. Kroos disse e voltou a dizer que nunca lá jogará, por questões humanitárias e acabou assobiada quando a Supertaça de…Espanha por lá se realizou.  Muitos dos que foram, recusaram a ideia da mudança se dever apenas aos gigantescos ordenados, mas esse é o maior chamariz de um campeonato periférico. A opção é desportivamente discutível, quando o centro do futebol topo ainda é a Europa, mas legítima. Cada um faz o quer da sua vida e carreira. Imagino que os milhões nunca sejam de mais, sobretudo quando se teve uma infância com poucos meios.

Jogar na Arábia não é necessariamente fácil. Ninguém marca tantos golos como Ronaldo e os defesas adversários são iguais para Benzema, Firmino, Mané e todos os outros. Mas esta é uma liga ainda menor e não comparável com o que melhor há na Europa por muito que o mesmo CR7 afirme que a liga saudita é já melhor do que a francesa, por exemplo.

 

Viver na Arábia também não é fácil mesmo que estas estrelas sejam “mimadas” pelos seus novos patrões. E assim, já começou uma debandada que acredito que seja grande, mesmo que não seja a “sangria” que se deu na liga chinesa. Afinal, por lá o Governo cortou a torneira e na Arábia, os sinais são de que a torneira pode ser ainda mais aberta.

 

Jordan Henderson, anos a fio capitão do Liverpool, já deixou a liga, supostamente sem receber (pediu para receber mais tarde devido aos impostos em Inglaterra e pode mesmo ficar sem 9 milhões de euros). Após seis meses, foi apresentado com a camisola 6 do Ajax e essa mesma camisola bate recorde de vendas. O inglês não diz mal do país, mas não se adaptou à nova realidade e acredito que não tenha gostado de jogar para cerca de 8 mil adeptos, menos de um terço da capacidade do estádio.

 

Karim Benzema é outro que parece querer deixar o país. Após 14 anos de glória no Real Madrid, a experiência parece não agradar ao francês que já terá tido um choque com o ex-técnico Nuno e já terá estado “desaparecido”. É difícil disfarçar que o avançado não quer estar ali e já se fala numa ida para o Chelsea ou num regresso ao Lyon.

Aymeric Laporte, que trocou o City pelo Al Nassr, no pico da carreira, disse há dias que “há muitos jogadores descontentes na Arábia Saudita”, justificando: “é uma mudança muito grande, comparando com a Europa, mas no final de contas é tudo adaptação. Não facilitaram as coisas para nós. De facto, há muitos jogadores que estão descontentes. Mas estamos a trabalhar a cada dia, a negociar, digamos assim, para ver se melhora um pouco, porque é algo novo para eles também, ter jogadores europeus com grande carreira. Não estão habituados a isso e têm de habituar-se a um pouco mais de seriedade". Depois veio ressalvar que ele está feliz na nova aventura.

Volto ao inicio, mesmo com milhões em barda, a Arábia Saudita não é para todos.

Nuno despedido

Foi campeão na época passada

Francisco Chaveiro Reis
08
Nov23

Visão do Peão (6).pngNuno Espírito Santo já não é treinador dos sauditas do Al Ittihad. O clube ocupa apenas o 6.º posto da liga saudita apesar de ter feito chegar craques como Kanté, Fabinho ou Benzema. Nuno sai após ter sido campeão na época passada e para a saída terá contribuído uma discussão com Benzema, estrela maior da equipa. Depois de Rio Ave, Valência, FCP, Wolverhampton e Tottenham, o português de 49 anos procura novo desafio.

Neves na Arábia

Na flor da idade

Francisco Chaveiro Reis
19
Jun23

Ruben Neves tem tido uma carreira estranha. Mesmo tendo óbvia qualidade, o médio defensivo trocou o FCP pelo Wolverhampton, quando este estava na segunda divisão inglesa. Foi sempre associado a clubes de maior dimensão como Manchester United ou Liverpool, mas a mudança nunca se concretizou. Agora, com 247 jogos e 28 golos (a maior parte, “bombas” de fora da área) era apontado como reforço do Barcelona, como substituto de Sergio Busquets. Farto de esperar pela concretização do negócio, Neves não resistiu ao raide do Al Hilal e vai jogar no campeonato da Arábia Saudita, a troco de um ordenado principesco. Não se pode criticar uma escolha que permita um ganho milionário, mas é pena ver um médio de topo a ter uma carreira tão longe do tradicional para a sua carreira. Ainda assim, Ruben tem 26 anos e mesmo que passe 4 anos na Arábia, ainda vai a tempo de jogar num grande clube europeu. Veremos.

Futebol das Arábias

Milhões sem fim

Francisco Chaveiro Reis
13
Jun23

Tendo Mundial 2030 na mira, a Arábia Saudita tem estado no centro do futebol, graças a muitos milhões. Claro que esta estratégia pode muito bem ser vista como sportswashing.

Quando Ronaldo se mudou para a Arábia Saudita fiz um pequeno apanhado de estrelas internacionais a jogar naquela liga. Esses nomes, Talisca, Luiz Gustavo, Marega ou Banega são apenas nomes vagamente conhecidos comparados com os craques que se preparam para juntar ao campeonato saudita.

Benzema e Kanté, franceses com brilhantes carreiras na Europa, vão jogar pelo campeão, Al-Ittihad Jeddah, treinado pelo português Nuno. Não faltam nomes apontados à liga: Koulibaly (poderia até aceitar jogar ali e escolher o clube da sua preferência), William Carvalho, João Moutinho, Sergio Ramos e Icardi são apenas alguns dos nomes apontados à liga saudita.

Até Neymar já viu o seu nome apontado à Arábia.

Por outro lado, Messi, Lewandowski, Kroos, Gotze e Muller terão recusado a mudança tal como o lendário treinador português José Mourinho.

Para os bancos, é natural que também haja reforços. Steven Gerrard vai treinar o Al-Ettifaq, sétimo classificado do último campeonato. Jorge Jesus tem sido apontado à equipa nacional e Julen Lopetegui ao Al Hilal.

Os outros destaques

Liga da Arábia Saudita

Francisco Chaveiro Reis
03
Jan23

Visão do Peão (19).png

 

Cristiano Ronaldo será a maior estrela da liga saudita, claro, mas, há nomes bem conhecidos a atuar por lá. No Al Nassr que receberá CR7, além do treinador francês Rudi Garcia, estão o guarda-redes colombiano Ospina, que brilhou por Nice, Arsenal e Nápoles; o defesa espanhol Álvaro, com passado no Marselha; o vetereno médio brasileiro Luiz Gustavo, que passou por Marselha, Bayern de Munique ou Fenerbahce; o médio criativo argentino Pity Martinez, associado ao Sporting e que passou por River Plate ou pela MLS e dois nomes bem conhecidos do futebol português: Talisca e Aboubakar.

Descendo na tabela, encontramos o Al-Shabab, onde joga Banega, com passado de sucesso no Inter ou Sevilha; Krychowiak, médio criativo polaco que passou por Bordéus, PSG ou Sevilha e Santi Mina, imponente goleador espanhol, que passou por Valência e está emprestado pelo Celta ao clube saudita. No ataque joga ainda Carlos Júnior, que foi goleador do Santa Clara. No Al-Ittihad Jeddah, treinado por Nuno, tem como armas, Hélder Costa, extremo das escolas do Benfica com experiência no Leeds, Valência ou Wolves; o marroquino Hamdallah, que fez parte da grande campanha mundial de Marrocos e Romarinho, goleador brasileiro que passou pelo Corinthians. No Al Hilal, outros conhecidos da nossa liga: Maregam, Vietto e Carrillo. E ainda há Ighalo, goleador nigeriano que passou por Itália, Espanha, China e Manchester United.

No Al Tai, o banco é de Pepa, mas não há muitos nomes reconhecíveis, sem contar com Dener, médio brasileiro que passou por Portimão. No Abha Club, joga Caicedo, que passou por Manchester City, Sporting ou Lázio. O extremo português com passagens por Braga e Famalicão, Fábio Martins, atua no Al Khaleej, treinado por Pedro Emanuel. A lista de estrangeiros interessantes não se fica por aqui, sem contar com os valores locais que contribuíram para a vitória da seleção que seria depois campeã mundial.

Mundial 2018 - Grupo A

Francisco Chaveiro Reis
11
Mai18

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Com uma equipa fraca que há um ano nem passou da fase de grupos da Taça das Confederações, a Rússia só acalenta esperanças de chegar aos oitavos por ser a equipa da casa.  Longe de ter um grupo forte ou sequer individualidades dignas de nota, apenas a atitude e o apoio do frio público podem salvar a Rússia de uma vergonha. No banco mora Stanislav Cherchesov, antigo guarda-redes internacional que faz o que pode. Os gémeos campeões Miranchuk (Lokomotiv), os históricos Dzagoev e Akinfeev (CSKA), o veterano Zhirkov (Zenit) ou o avançado Smolov (Krasnodar) são alguns dos jogadores que se podem destacar.

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O Uruguai, segundo classificado da fase de qualificação da COMMEBOL atrás do Brasil, será no entanto o grande favorito a vencer o grupo. A equipa orientada por Óscar Tabarez conta com as superestrelas goleadoras Cavani (PSG) e Suarez (Barcelona) e com uma grande quantidade de jogadores interessantes como Rolán (Málaga), Lodeiro (Sounders), Vecino (Inter), Godín e Gimenez (Atlético) ou Muslera (Galatasary). Recorde-se que os sul-americanos foram os primeiros campeões do mundo, em 1930 e repetiram a dose, 20 anos depois.

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O Egipto, onde joga o melhor marcador do melhor campeonato do mundo, pode ser a pedra no sapato da Rússia. Sem grande tradição na competição, os africanos contam com o extremo do Liverpool e com uma seleção bem organizada e com jogadores de qualidade a atuar em Inglaterra como Hegazy (WBA) ou Elneny (Arsenal). Hassan (Braga) também é uma arma de ataque a ter em conta mesmo que deva muito a Mido ou Hossam Hassan. No banco mora Hector Cúper, com larga experiência. Shikabala que já passou por Alvalade pode ser chamado.

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Por fim, a Arábia Saudita, grande favorita a ficar no fim do grupo. Juan Antonio Pizzi, vencedor de uma Copa América pelo Chile, está ao leme de uma equipa que no seu grupo de qualificação ficou apenas a um ponto do Japão e ultrapassou a Austrália. O destaque vai todo para o avançado Mohammad Al-Sahlawi (Al Nassr) que marcou 15 golos em 13 jogos antes de chegar ao Mundial. O defesa Saeed Al Mowalad, que já passou pelo Farense, também deve ser chamado.