O que pode ser o Sporting de Pontes

Não há mal nenhum em copiar os sucessos do Benfica. É o que parece acontecer com a aposta em Leonel Pontes. Regressado este ano a Alvalade, leva 5 vitórias em 5 jogos pelos sub-23, com muitos golos marcados e jovens a ser potenciados (Mendes, Joelson, Mitrovski e muitos outros) e vai ter umas semanas de audição na equipa A. Pontes fará de Lage e mostrará se é necessário ou não, ir ao mercado. Diria que não será fácil encontrar melhor, com um orçamento de quase zero. Pontes conhece a casa, a estrutura, tem experiência nacional e internacional (ainda que como adjunto) e conhece muito bem os jovens que podem ser lançados. Nesta altura, os sportinguistas terão mais fé nos miúdos dos sub-23 do que nos reforços Fernando (com idade de sub-23) e das incógnitas Jesé e Bolasie.
Pontes tem agora cerca de duas semanas para moldar a equipa à sua imagem, ainda que parte do plantel se ausente para jogos de seleções. A primeira questão é: que esquema utilizará? Acredito que será o 4-3-3 que elegeu nos sub-23. Renan deve manter-se na baliza (Viviano não rescindiu e a meu ver deve treinar e lutar pela sua oportunidade, enquanto recebe o seu principesco ordenado); na defesa, Rosier, a cumprir os seus pergaminhos, será dono do lugar e Acuña, mandará na esquerda. Ao centro, na estreia de Pontes no Bessa, Coates não jogará, mas deve ser dele o lugar, ao lado de Mahieu.
No meio-campo, o melhor 6 nesta altura é Doumbia. Um Battaglia bem regressado pode ser melhor opção, mas a verdade é que não há no plantel um 6 de origem. A 8, joga Wendel e a 10, Fernandes. Está feito o meio campo. Aqui, creio que Miguel Luís poderá ter mais tempo de jogo, a 8 ou mesmo a 10.
Na frente, é mais difícil. É de prever que o talento de Camacho, ainda por se estrear, fure e que o jovem seja titular pela direita. Jesé, Fernando, Jovane ou Plata também ali podem jogar. Na esquerda, tendo os já referidos extremos e ainda Bolasie (em forma, é ele o melhor extremo esquerdo), não acredito que Vietto jogue ali adaptado. No centro, Luiz Phellype é o único 9, mas acredito que Vietto possa ali surgir, dando jogo a Fernandes e aos extremos, formando um diamante ofensivo, móvel e com vários jogadores a marcar. Jesé e Fernando também podem ser usados no meio, mas se ficassem em Alvalade apenas até janeiro, também não me surpreendia.
Pontes não deitará tudo fora e terá sempre a limitação de trabalhar com jogadores que não escolheu. Ainda assim, poderá trazer um novo esquema, nova atitude e maior trabalho no processo defensivo. Trará, espera-se, jovens para a equipa A.
Mas quem está preparado para subir de nível (e aqui tenho atenção ao potencial e não tanto aos inscritos, creio que as verdadeiras promoções só acontecem no próximo mercado).
Na lateral esquerda, Nuno Mendes terá tendência para ganhar espaço. Titular dos sub-23, já era seguido por Keizer e não me parece que demore muito a ganhar o lugar a Borja, sendo pelo menos a segunda opção. No centro, Ilori não convence os adeptos e não é de estranhar que Quaresma, João Silva ou Ricciuli se vão apoderando do seu lugar.
No meio-campo, Bruno Paz, a recuperar de lesão é nome a ter em conta. Mitrovski, Matheus Nunes ou Tomás Silva (5 golos) são nomes a ter em conta.
Mas claro, o espetáculo vem sempre do ataque. O bombardeiro Pedro Mendes, não inscrito, parece ser uma joia goleadora a merecer pelo menos treinar com a equipa A. Joelson, adolescente, poderia ir já ganhado minutos. E Diogo Brás, aos 19 anos, é outra grande esperança.
Recebidos por jogadores experientes e de qualidade como Fernandes, Acuña ou Mathieu, os jovens das escolas do Sporting são um caminho obrigatório a seguir.