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Visão do Peão

Visão do Peão

O Shalke 04

A proposito de Gelsenkirchen

Francisco Chaveiro Reis
25
Jun24

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Portugal joga amanhã em Gelsenkirchen. Depois de ter sido ali que o FCP venceu a Liga dos Campeões há 20 anos, o futebol português espera ali escrever mais uma bonita página da sua história com um pleno de vitórias numa fase de grupos, ante da estreante Geórgia. Serve o jogo como desculpa para lembrar a história do clube local, o grande Shalke 04, durante anos a fio a alegria de uma cidade marcada pela Revolução Industrial e pela mineração.

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O Shalke 04 nasceu a 4 de maio de 1904, ou seja, há 120 anos, apesar de só alguns anos mais tarde ter adotado o nome atual. O clube nasceu no seio de uma região a enriquecer com o minério e continua a ser conhecido como o clube dos mineiros. Aos 30 anos de vida, surgiu o primeiro de sete títulos alemães (todos antes da criação da Bundesliga). Em 1935, 1937 (sem derrotas no campeonato e conquista também da taça alemã) 1939, 1949, 1942 e 1958, novos títulos.

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Nova festa só em 1972, com a conquista da segunda Taça da sua história. Nos anos 80 e 90 conheceu a segunda divisão, acabando campeão da segunda liga em 1982 e 1991, que venceria de novo em 2022.

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Uma das páginas mais notáveis da sua história foi a conquista da Taça UEFA, de 1997. A caminhada começou no velhinho Parkstadion, com um 3-0 ao Roda. O extremo belga Wilmots e o avançado holandês Mulder, duas das grandes figuras da época, marcaram os primeiros golos. Anderbrügge fechou. Na segunda mão, 2-2 na Holanda com Wilmots a voltar a marcar. O outro golo foi de Wagner, norte-americano. Na segunda ronda, 1-0 em casa ao Trabzonspor, com golo do número 11, o alemão Max. Na Turquia, 3-3 com golos de Max novamente e bis do defesa holandês de Kock, em apenas três minutos.

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Na terceira ronda, derrota por 2-1 na casa do Club Brugges. Stanic e Spehar, croatas com passagens pela liga portuguesa marcaram contra Buskens. De volta a Gelsenkirchen, 2-0, com golos de Max e Mulder. Nos quartos, caiu o Valência. 2-0 em casa, com golos de Linke, defesa que se mudaria para o Bayern, e Wilmots. No Mestalla, 1-1, com golo de Mulder. Nas semi-finais, nova visita a Espanha. Em Tenerife, vitória dos da casa, treinados por Jupp Heynckes e com Neuville, internacional alemão que brilharia depois muitos anos na Bundesliga. Mas o único golo do 1-0, foi do avançado espanhol Felipe Miñambres, de grande penalidade. Em casa, o Shalke deu a volta. 2-0, com Linke e Wilmots a voltarem a ser figuras.

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Na final, o Inter de Milão, com grandes craques, como Djorkaeff, Ganz, Kanu, Zamorano, Ince, Winter, Sforza ou Zanetti. Em casa, 1-0. Marcou Wilmots. Em Milão, 0-1, com golo de Zamorano, ao cair do pano. Nas grandes penalidades, brilhou Lehmann que seria depois craque da Alemanha, Dortmund e Arsenal.

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O Shalke do resto dos anos 90 e 2000, era uma equipa respeitada e que contou com várias grandes figuras. Em 2001 e 2002, duas Taças alemãs consecutivas ainda com Huub Stevens no banco, ele que guiara a camanha da Taça UEFA. Em 2001, 0-2 ao União Berlim com dois golos do médio alemão Jörg Böhme, num 11 que contava ainda com nomes como Moller, Sand ou Asamoah. Um ano depois, 2-4 ao Leverkusen. Böhme voltou a marcar. Agali, Moller e Sand fizeram os outros golos.

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Em 2003 e 2004, venceu a Taça Intertoto e em 2005, conquistou a única Taça da Liga da sua história. Kevin Kurányi, outro grande nome da história do clube, fez o único golo, numa altura em que o técnico era já Ralf Rangnick. Em 2011, de novo com Stevens, uma equipa fantástica, liderada por Raul, lenda do Real Madrid e que tinha ainda Huntelaar, Draxler, Jurado, Farfán, Matip ou Neuer. Venceu o Duisburgo por 0-5 na final da Taça, mas nessa época foi vice-campeão e chegou às meias-finais da Liga dos Campeões. Na época seguinte, venceu a Supertaça, ao Borussia Dortmund, nas grandes penalidades. Depois de alguns anos em lugares europeus, o Shalke voltou a ser segundo, em 2018. Depois de três más épocas, a descida deu-se em 2021, com um regresso rápido, como campeão da segunda divisão. Sol de pouca dura e nova descida. Até hoje. A descida para a terceira divisão foi, esta época, um cenário bem real, mas não aconteceu. Veremos como corre a vida ao clube, que continua a encher todas as semanas a sua Arena, um dos estádios mais bonitos e mais modernos da Europa.

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Muito perto de Dortmund, Colónia ou Duisburgo, tem nesses clubes e no gigante Bayern, os seus rivais. Face ao poderio bávaro, acabou por ir perdendo as suas maiores estrelas para Munique, como Neuer ou Goretzka. Draxler, Leroy Sané, Tilo Kehrer, Ozil, Kolasinac, Joel Matip, Max Meyer ou Nubel foram outros que se formaram no clube.

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Em termos de recordes, Klaus Fichtel, defesa que jogou no clube de 1965 a 1980 e depois de 1984 a 1988, é o recordista de jogos, com 556. Norbert Nigbur (455), Olaf Thon (384), Gerald Asamoah (381) e Rolf Rüssmann (375). Em termos de golos, Klaus Fischer (o nome é semelhante, mas não igual ao recordista de jogos) é o goleador mor da história do clube, com 226 golos em 11 épocas. Seguem-se Huntelaar (126), Sand (104), Anderbrügge (88) e Kevin Kurányi (87).