O Calcio recomenda-se

A morte do futebol italiano parece ter sido uma notícia precoce. Depois de várias épocas áureas, a injeção de cada vez mais capital (e outros fatores) fez com que a Premier League se tornasse na melhor liga do mundo, com a espanhola, sobretudo nos tempos de Messi e Ronaldo, a seguir atrás. O Calcio, com escândalos de corrupção, estádios velhos e sobretudo sem o mesmo capital que outras ligas, foi caindo. Mas não bateu no fundo, mesmo que Juventus, Milan ou Inter já não sejam habitats naturais dos melhores do mundo.
Desde logo, é preciso olhar para a seleção. Depois de um dos maiores escândalos, foi campeã do mundo em 2006. Em 2021, venceu o Euro. Nada mau para uma nação supostamente em crise.
Nas competições europeias, a Atalanta acaba de vencer a Liga Europa e para a semana a Fiorentina joga a final da Liga Conferência, tal como há um ano. Em três edições, três finalistas italianos. Há um ano, Inter e Milan foram às meias da Liga dos Campeões e o Inter foi mesmo à final, num jogo bastante equilibrado com o Real Madrid, treinado por…um italiano. Também há um ano, Roma e Juventus chegaram às meias da Liga Europa, cabendo à Roma ser finalista vencida. Um ano antes vencera a Liga Conferencia.
Internamente, esta época não houve grande luta para o Inter mas vão nascendo ou vão se consolidando novos e bons projetos. O Bolonha é o case study do ano. Guiado por Thiago Motta, que estará a caminho da Juventus, o Bolonha, com um bom plantel, mas sem estrelas, jogou bom futebol e alcançou a sua primeira qualificação de sempre para a Liga dos Campeões. A Atalanta, que Gasperini mudou para muito melhor, termina em quinto lugar, concentrando-se (com sucesso) na Europa, após também já ter estado na Liga dos Campeões. No ano passado, muitos anos depois, o Nápoles encantou Itália e venceu o título. E as suas estrelas mantiveram-se na liga.
Se um dos projetos que parecia mais sólidos, o Sassuolo de Berardi, Pinamonti ou Erlic, vai descer, outras equipas prometem dar interesse ao Calcio. Desde logo o Monza, projeto com dinheiro, fama e proveito, guiado por antigos dirigentes do Milan, ali ao lado. Perto fica Como, clube treinado por Cesc Fabregas e que jogará a Série A, a partir de agosto. Parma também regressa e clubes como Veneza ou Palermo ainda podem subir, e ainda nem falei noutras equipas históricas como Lázio, Génova, Torino, Cagliari ou Udinese.
Algo anda a ser bem feito por terras italianas.