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Visão do Peão

O Barça que aí vem

19.08.20, Francisco Chaveiro Reis

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A humilhação sofrida nas meias finais da Liga dos Campeões vai provocar mudanças profundas em Barcelona. Quique Setíen e Eric Abidal já foram afastados e Ronald Koeman já estará na Cidade Condal para começar a trabalhar como novo treinador. O holandês, defesa esquerdo goleador, brilhou em Espanha entre 1989 e 1995, marcando 87 golos em 264 jogos, ajudando a vencer vários títulos, incluindo, uma Liga dos Campeões, em Wembley, com um golo decisivo seu.

Deixa a seleção holandesa, tendo antes passado pelos bancos de Everton, Southampton, Feyennord, PSV, Ajax, Vitesse ou Benfica. Apesar de ter passado por grandes clubes, a aposta é mais no ex-jogador e pupilo de Cruijff do que no treinador que, a chegar aos 60 anos, não tem passagem por nenhum clube que lutasse pela Champions ou pelo topo de uma das grandes ligas. Ao seu lado, terá Henrik Larsson, avançado sueco que numa fase avançada da carreira passou pelo Barça e que na juventude, jogou pelo Feyennord.

Mais do que o banco ou a estrutura, aquilo que mais chama à atenção é o plantel. O medo maior é a possibilidade de Messi, um dos maiores de sempre, bater com a porta, tendo já City e Inter de braços abertos. Não acredito que não passe toda a carreira em Camp Nou e acredito, sim, que se verá, daqui a nada, rodeado de ainda mais craques.

A estratégia será, a meu ver, mesclar os jovens de La Masia com grandes contratações, deixando sair alguns jogadores medianos, não adaptados, em fim de ciclo ou em vias de serem veteranos, como Neto, Umtiti, Firpo, Rakitic, Dembelé ou Vidal. Na baliza, ter Stegen é intocável. Neto, que não foi barato, será vendido à melhor oferta e os jovens Tenas e Peña deverão subir na hierarquia.

 

Na defesa, Sergi Roberto, Nélson Semedo, Jordi Alba e Juan Miranda devem ser os laterais, mesmo que na direita, o português seja sempre associado a uma saída e Sergi possa também ser médio. No centro, Umtiti estará de saída e Piqué e Lenglet devem ficar. Sobram dois. Um será um jovem – Todibo, Ronald, Cuenca – e o outro, uma primeira grande contratação. Para um clube como o Barcelona não há muitas opções. De Ligt (Juventus), Upamecano (Leipzig), Koulibaly (Nápoles) ou Skriniar (Inter) seriam nomes a ter em conta.

Rakitic, Vidal, Arthur (Juventus) e Rafinha têm guia de marcha e Koeman decidirá sobre a contunidade dos jovens Matheus, Alena, Puig ou Collado. Certos estarão Busquets, De Jong e Pjanic (contrato à Juve). Faltará um ou dois jogadores, um mais defensivo e outro, mais ofensivo. Kanté, que parece não ser prioridade para Lampard, seria bem-vindo, a meu ver, mesmo que renovar seja a palavra de ordem. À medida de Koeman, será Van der Beek, estrela do Ajax que já fez grande dupla com De Jong. Há ainda Coutinho, em quem Koeman pode ver capacidade para ficar e Bernardo Silva foi já nome falado, naquela que seria uma megaoperação.

No ataque, fica Messi, creio. Para as alas, há Fati e chega Trincão. Dembelé, erro caro, tem pretendentes em Inglaterra e não ficará. Griezmann e Suarez podem ser as grandes saídas. O francês tarda em justificar e pode ser ativo importante na contratação de uma estrela ainda maior. Por exemplo, pode ser usado para baixar o preço de Neymar, sobretudo se o PSG for campeão europeu e o papel do brasileiro em Paris seja cumprido. Se não for Neymar, uma das pontas do Liverpool, Salah ou Mané, também seriam grandíssimas adições. Outro que está na mira é Lautaro Martinez, o 9 de presente e futuro, que renderia Suarez, trintão. O uruguaio, nesse quadro poderia até fazer o caminho inverso e mudar-se para uma liga onde a idade não conta. As fracas segundas linhas – Manaj ou Braithwaite – serão transferidas e não admira que um jovem holandês, como Malen ou Boadu, aterre.