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Visão do Peão

Lembrar o Forte(s) Farense

23.04.19, Francisco Chaveiro Reis

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Falou-se ontem na possibilidade de Vítor Oliveira, Rei das Subidas, ser o treinador do Farense na próxima época. O próprio desmentiu a notícia, mas o momento mediático fez-me lembrar dos bons velhos tempos do Farense primodivisionário.

 

O Sporting Clube Farense, fundado em 1910, conta como glórias maiores, com a presença na final da Taça de Portugal de 1990 e o quinto lugar no campeonato de 1994/1995, que levou a que os algarvios jogassem a Taça UEFA na época seguinte (dois jogos).

 

Em 1922, Manuel Santo, emigrante regressado dos EUA, adquiriu um terreno de mais de 12 mil metros quadrados e mandou construir o Santo Stadium, hoje São Luís, onde o Farense ainda joga.

 

Em 1970/1971, o Farense jogou pela primeira vez na primeira divisão. Nesse ano, ficou em 11.º e venceu, no São Luís, Benfica, Porto e Belenenses. Da equipa faziam parte, Raul Caneira (pai de Marco Caneira) ou Vitorino Bastos (que faria carreira no Sporting que o emprestou aos farenses).  Depois de seis anos consecutivos na primeira divisão, desceu à segunda, para regressar em 1984. O sobe e desce continuou. No fim dos anos 80, um dos grandes momentos do Farense.

 

Curiosamente, no ano em que até estava na segunda divisão (foi campeão), o Farense chegou ao Jamor. O jovem Paco Fortes, que pendurara as botas no ano anterior, tomou conta da equipa, subiu-a de divisão e chegou à final da Taça, onde perdeu com o Estrela da Amadora. Forte apostou em: Lemajic, Eugénio, Carlos Pereira, Marco Sousa e Formosinho; Sérgio Duarte, Nelo, Joaquim Pereirinha (pai de Bruno Pereirinha) e Ademar Marques; Pitico e Fernando Cruz. Jogaram ainda, Ricardo e Mané. Depois de 1-1, o Estrela, treinado por João Alves e com homens como Rebelo, Paulo Bento ou Bobó na equipa, venceu, por 2-0, num segundo jogo. 

 

De 1990 a 1996, o Farense viveu os seus melhores anos de sempre. Ficou sempre no top 10 e em 1994-1995 teve uma equipa mítica. Ficou no 5.º lugar, atrás de Porto, Sporting, Benfica e Guimarães e à frente de equipas como Leiria, Marítimo, Tirsense (de Paredão e Marcelo), Braga ou Belenenses. Orientada por Paco Fortes, a equipa tinha estrelas internacionais: o guarda-redes internacional nigeriano, Peter Rufai; o médio brasileiro Helcinho, o avançado sérvio Djukic ou o criativo marroquino, Hajry. Mas estrela maior era Hassan Nader, avançado marroquino que se consagrou nessa época como melhor marcador (à frente de Domingos do campeão Porto) e iria para o Benfica. Mas esse Farense era também feito de portugueses como Jorge Soares, Jorge Soares, Hugo Santos, Calita ou Paulo Pilar e algarvios como Carlos Paixão, Miguel Serôdio.

 

No ano seguinte, a aventura europeia foi muito curta, tendo durado apenas dois jogos contra o Lyon. Em duas mãos, duas derrotas por 1-0. Em Faro, na segunda mão, marcou Giuly, esse que jogou depois no Mónaco e Barcelona. Esse plantel contava já com Idalécio, com o regressado Eugénio, Carlos Costa (ficaria 9 anos) ou Christian (chegaria ao PSG e Escrete). Até 2002, o Farense ficou na primeira divisão, mas não mais voltou. Caiu consecutivamente em 2006, devido a questões financeiras, o clube morreu apenas para renascer, nas distritais. Em 2008, subiu à terceira divisão e andou num sobe e desce. Este, ano, parece estar seguro na segunda divisão. Segue-se o ataque à subida.