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Visão do Peão

Lembrar o Campomaiorense

16.04.19, Francisco Chaveiro Reis

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Quando penso no Campomaiorense, penso na passagem de grandes jogadores pelo pequeno clube alentejano como Jimmy, Stoilov ou Isaías; penso nos míticos equipamentos que a equipa envergou e penso na chegada histórica ao Jamor. Vamos lembrar um pouco da história do clube?

O Sporting Clube Campomaiorense nasceu em 1926, contando com 92 anos. Pouco depois dos seus anos de glórias na primeira divisão e chegada à final da Taça de Portugal (1999), o clube caiu na segunda divisão e o futebol sénior profissional foi extinto. O clube, no entanto, continua a existir e a ser uma referência na região, em diversas modalidades e sobretudo para as camadas jovens.

Em 1994-1995, o Campomaiorense, presidido pelo Comendador Rui Nabeiro (um dos seus filhos é o presidente atual) e treinado por Manuel Fernandes, trajando de verde e branco com listas à Sporting, subiu à primeira divisão, pela primeira vez na sua história.

Eram os tempos do FCP campeão com Domingos, Folha e Drulovic; do Sporting com Figo, Amunike ou Balakov; do Benfica de João Pinto e Caniggia e do Tirsense e Farense a fazerem grandes épocas. Eram esses tempos, mas também era o tempo do Campomaiorense. Com homens experientes como Jorge Neves, Lito Vidigal ou Gila e com o goleador croata Rudi (21 golos) no plantel, a equipa ficou em segundo lugar e subiu de divisão.  O Leça, do goleador Constantino (passaria depois por Campo Maior) e o Felgueiras de Lewis, treinado por Jorge Jesus também subiriam.

O ano de estreia não correu bem e o Campomaiorense regressou à segunda divisão. O clube venceu dez jogos e contou com jovens jogadores interessantes como Beto, Nuno Afonso, Paulo Torres e Stoilov. Mas estrela era um jovem holandês, nascido no Suriname, chamado Jimmy que haveria de brilhar na Premier League. De facto, Jimmy não desceu com a equipa e passou para o Boavista. Em 1996-1997, Diamantino Pereira fez da equipa, campeã da segunda divisão. Stoilov, com 13 golos, foi a figura maior de uma equipa que tinha ainda Abel Silva, figura das seleções nacionais jovens.

O melhor período da história do clube, em termos de futebol, seria entre 1997 e 2000. 1997-1998 seria ano de um confortável 11.º lugar, com João Alves no banco. O Campomaiorense preparou-se melhor e contou com reforços que fariam história na liga portuguesa: Demetrius, Telmo, Marinho ou Jorge Ferreira. Isaías, que brilhara no Benfica, regressaria a Portugal para marcar 14 golos pelos alentejanos e ser a estrela da companhia. 1998-1999 seria ainda melhor. O 13.º não foi motivo de grande preocupação e o Campomaiorense chegou ao Jamor, perdendo 1-0 com o Beira-Mar. Eram os tempos do treinador António Sousa e do seu filho, Ricardo Sousa, estrela, capitão e autor do golo da festa. Nessa tarde história, José Ferreira, substituto de Alves, colocou em campo: Poleksic, Quim Machado, René Rivas, Marco Almeida e Rogério Matias; Nuno Campos, Basílio Marques e Mauro Soares; Laélson, Demétrius e Isaías. Jogaram ainda Vitor Manuel e Welington. Curiosamente, Gila e Jorge Neves, centrais do Beira-Mar haviam passado pelo Campomaiorense.

No ano seguinte, novo 13.º lugar e época tranquila. Marco Silva, José Soares, Poejo, Cao, Hugo Cunha ou Constantino foram as novidades do plantel. No ano seguinte, acabou-se a tranquilidade e o Campomaiorense acabou em 16.º e desceu de divisão apesar de ter alguns bons jogadores ao seu serviço como Paulo Vida, Filipe Azevedo, Detinho, Mário Jorge ou Duka. O Campomaiorense e o Alentejo não voltaram a ver a primeira divisão e o clube acabou com o futebol. Ficam as memórias.

Como amante de camisolas de futebol, não poderia esquecer o rebranding do clube no seu período primodivisionário. Em 1998, o Campomaiorense deixou para trás o leão e o escudo quase igual ao do Sporting e o equipamento às listas. Nasceu um símbolo moderno, com um galgo como nova mascote. A Reebok tomou conta dos equipamentos e fez duas obras primas. Um verde, com apontamentos de amarelo e cor de vinho, com um design moderno e outro, cor de vinho, com pormenores de amarelo e branco. O patrocínio era sempre o mesmo: Delta. Há ainda, fugazes registos de outras obras primas da marca britânica para o Campo Maior como esta e esta.