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Visão do Peão

Jorge, Rei das Américas

24.11.19, Francisco Chaveiro Reis

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Jorge Jesus, vive aos 65 anos, os melhores dias da carreira. A sua chegada ao Flamengo, após ter treinado "apenas" em Portugal e na Arábia Saudita, causou desconfiança, mas seis meses depois, Jesus é "o cara". Quando chegou ao Mengão, o clube, sem conhecer o sabor da vitória há dez anos, estava a oito pontos do líder Palmeiras. Nada que assustasse Jesus. Com bons reforços, sobretudo para a defesa (José Mari, Rafinha e Filipe Luís), o português mudou a maneira de trabalhar, pensar e de jogar do elenco do Flamengo e rapidamente arrancou uma caminhada de glória, cuja extase chegou este fim-de-semana.

Sábado, final da Copa Libertadores da América, exatamente 38 anos depois da última. Borré marcou primeiro e o River quase venceu por dois anos consecutivos. Provavelmente, até foi melhor, mas Gabigol, aproveitando dois erros argentinos, fez em três cruéis minutos, os golos da reviravolta e o Rio de Janeiro ficou louco. Estava o Flamengo em festa quando chegaram ecos de mais motivos. O Palmeiras perdeu, em casa, com o Grémio (adversário do Mengão nas meias da Liberta e treinado por um dos maiores críticos de Jesus) e mesmo sem jogar, o Flamengo é campeão de novo. Apesar dos milhões de fanáticos adeptos, este é apenas o sétimo campeonato da história do clube, o que faz do feito de Jesus, algo ainda mais significativo. Em dezembro há o derradeiro sonho flamenguista: o Mundial de Clubes, onde o Liverpool será o grande entrave à maior felicidade. Depois disso, Jesus pouco mais terá a fazer no Rio e confessa, mais uma vez, sonhar com um gigante europeu. Ainda vai a tempo?

Jesus é o primeiro estrangeiro a vencer o Brasileirão; o segundo treinador a vencer a Libertadores pelo Flamengo; consegue a conquista da Liberta e do campeonato no mesmo ano, após apenas o Santos de Pelé o ter conseguido em 1963 e prepara-se para recordes no Brasileirão: equipa com mais pontos numa só época (já tem tantos como o Corinthians de 2015 e ainda vai jogar quatro partidas); equipa com menos derrotas (só tem três e os melhores da história acabaram com quatro); leva 22 jogos sem perder e mais jogos, iguala a marca do Palmeiras; já igualou a marca de oito jogos a vencer e pode ultrapassa-la no próximo jogo e pode ser o melhor ataque de sempre, levando já 73 golos e estando a 4 da marca dos 77.