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Visão do Peão

Jonas

12.07.19, Francisco Chaveiro Reis

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Jonas despediu-se esta semana dos relvados. Um avançado que aprecio desde os tempos do Grémio e que não teve sorte em Espanha, acabou por ser uma das figuras centrais do clube rival do meu. Ainda assim, nada me custa escrever que enriqueceu o nosso campeonato e logo, deixa-o mais fraco.

 

Jonas Gonçalves Oliveira, nascido a 1 de abril de 1984, estreou-se em 2005 pelo Guarani marcando 13 golos em 29 partidas. Números interessantes para um jovem de 21 anos que partilhava o balneário com Evandro Roncatto, Nilson Sergipano, Felipe Lopes, Xandão ou Marcos Paulo, com passagens por Portugal. Seguiu-se o histórico Santos onde encontrou os “portugueses”, Tiuí, Pitbull ou Ronaldo e os craques, Luizão, Ricardinho e Zé Roberto. Marcou 9 golos e foi emprestado ao Grémio. 26 jogos e 6 golos depois, rumou à Portuguesa. Conviveu com o internacional Zé Maria (Inter e Parma), em fim de carreira e marcou 10 vezes. Regressou ao Grémio, para explodir.

 

Em Porto Alegre, estaria mais dois anos. 72 golos falaram por si. O avançado mereceu a atenção da Europa e deixou para trás uma equipa que contava com Mário Fernandes, Fábio Santos, Réver, Douglas Costa ou Maxi Lopez. Em janeiro de 2010, aterrou no Mestalla, criando pouco impacto em meia época. Os portugueses Miguel, Ricardo Costa e Manuel Fernandes receberam-no. Isco, com 19 anos e Paco Alcacer, com 17, também lá estavam. Mata, Vicente, Abelda ou Joaquin, eram as estrelas.

 

É comum apontar-se a aventura espanhola de Jonas como um insucesso. Se pensarmos que marcou mais de 50 golos em três anos e meio, essa perspetiva pode alterar-se. Se pensarmos que concorreu com Soldado, Alcácer ou Aduriz, percebe-se a dimensão da sua missão. Em 2014, Jonas chegou à Luz e aconteceu-lhe algo inédito. Ganhou títulos.

 

Jonas despede-se com quatro campeonato, uma Taça de Portugal, duas supertaças e duas Taças da Liga. Foi duas vezes o melhor marcador da liga portuguesa. Marcou 136 vezes pelo Benfica e é o 13.º melhor marcador da história do clube e o segundo melhor, estrangeiro, atrás do mal-amado, Cardozo.

 

Pelo Escrete, fez 12 jogos e marcou por 3 vezes. Nunca foi chamado para um Mundial ou Copa América, mas quando lembramos a concorrência – Ronaldo, Ronaldinho, Adriano, Rivaldo ou Robinho – não podemos ficar espantados.

 

O futebol português fica mais pobre.