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Visão do Peão

Finidi George

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
05
Jun22

 

George Finidi, extremo nigeriano, nunca conseguiu alcançar o nível de alguns companheiros do Ajax de meio dos anos 90. Não chegou ao Barcelona como Kluivert, Litmanen, Overmars ou os irmãos De Boer, por exemplo. Mas, teve uma carreira interessante e é, sem dúvida, um herói de culto.

Nascido há 51 anos, Finidi jogou no seu país por Calabar Rovers, Heartland FC e Sharks FC, sem que se saiba muito sobre esses tempos. Sabe-se é que em 1993 chegou a Amsterdão para uma história de sucesso. Aos 23 anos, o nigeriano adaptou-se de tal modo à Holanda que fez 31 jogos e marcou 4 golos. Foi campeão à primeira. Menzo, Kreek, Silooy, Reuser, Van Vossen ou o compatriota Kanu, eram alguns dos seus colegas. Outros, ao longo da sua estadia, foram, como se sabe, Litmanen, Overmars, Kluivert, Blind, Davids, Seedorf, Rijkaard ou Van der Sar. O momento alto da passagem pelo Ajax, foi, claro, a vitória na Liga dos Campeões de 1995, em Atenas, ante do Milan, com golo do suplente Kluivert, então com 18 anos e a camisola 15. Em 1994-1995, apenas a taça escapou ao Ajax. Finidi fez 42 jogos e marcou 9 golos. No último ano, 44 jogos e 9 golos e mais troféus: mais um campeonato, uma supertaça (2-1 ao Feyennord de Henrik Larsson ou Ronald Koeman) uma supertaça europeia (total de 5-1 ao Saragoça de Morientes, Dani Garcia ou Gustavo Lopez) e a Taça Intercontinental (vitória sob o Grémio, de Jardel e Scolari, na final). O Ajax voltou à final da Liga dos Campeões, mas desta vez, perdeu. Ravanelli adiantou a Juventus e Litmanen, empatou. Nas grandes penalidades, a Juve foi mais forte, em Roma.

Com o Ajax em fim de ciclo, Finidi mudou-se para Sevilha (seria rendido em Amsterdão por Dani). No Bétis, passou quatro anos, como peça central na tentativa do clube se intrometer no domínio de Real Madrid e Barcelona, além de Atlético, Valência e Deportivo. No primeiro ano, boa época. O Bétis ficou em terceiro, ainda que a 13 pontos do Barça e a 15, do Real. Finidi fez 38 jogos e marcou 11 vezes. O Bétis, alcançou ainda, a final da taça, perdendo 3-2 para o Barcelona de Robson, com Finidi a marcar um golo, mas a serem os dois de Figo, os mais importantes. Na segunda época, 39 jogos e 10 golos, modesto oitavo lugar na liga e passagem aos quartos da Taça do Rei (eliminado pelo Saragoça) e quartos da Taça das Taças (eliminado pelo Chelsea, que venceria a prova, com Zola, Vialli, Flo ou Wise). À terceira época, pior classificação, já com Denilson na equipa, após o Mundial 1998 e com Finidi a marcar 13 vezes em 42 jogos.

No quarto e último ano, o Bétis, mesmo com Finidi, Denilson, Alfonso, Oli ou Prats desceu de divisão com Sevilha e Atlético. Finidi marcou 8 vezes e jogou 24, nos seus piores números em Sevilha. Ainda assim, balanço positivo. Nada ganhou, mas fez 135 partidas e 42 golos por um grande clube.

Aos 30 anos, chegou a Palma de Maiorca para ajudar o clube local a ficar em terceiro lugar em La Liga e municiar dois jovens atacantes: Luque (9) e Eto´o (13 golos). Do plantel faziam ainda parte Burgos, Roa, Nadal ou Ibagaza. Seguiu-se a aventura na Premier League. Juntou-se ao então modesto Ipswich Town (tinha vencido a Taça UEFA em 1981) e fez 29 jogos e 7 golos ao lado de Reuser (velho conhecido dos tempos do Ajax), Holland e Marcus Bent. Depois de um fabuloso quinto lugar, o Ipswich desceu de divisão, mas ainda fez seis jogos na Taça UEFA, tendo caído aos pés do Inter de Milão, de Vieiri, Ronaldo, Kallon e Conceição. Finidi George faria 16 jogos (1 golo) na segunda divisão inglesa antes de regressar a Maiorca para terminar a carreira, participando em 17 partidas. O Maiorca, treinado por Jaime Pacheco em parte da época, ficou em 11.º e perdeu a supertaça para o Real de Beckham, Figo e Zidane.

Pela Nigéria, Finidi fez 62 jogos e marcou 6 golos. Jogou as CAN de 1992, 1994, 2000 e 2002, tendo ajudado a vencer de 1994 (participou em 3 jogos). Rufai, Oliseh, Okocha, Amunike, Amokachi ou Yekini (melhor marcador da prova e então jogador do Vitória de Setúbal) eram os destaques. Poucas semanas depois, a Nigéria (e Finidi) estavam nos EUA para o Mundial. Além dos míticos equipamentos, a Nigéria destacou-se ao vencer o grupo D à frente de Bulgária, Argentina e Grécia. Finidi fez um golo à Grécia e esteve em 4 jogos. A Nigéria perderia 1-2 com a Itália, com um bis de Baggio. Faria mais 4 jogos no Mundial de 1998 (a Nigéria foi goleada nos oitavos, pela Dinamarca).

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