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Visão do Peão

Está tudo errado na escolha de Ruben

04.03.20, Francisco Chaveiro Reis

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Ruben Amorim foi um jogador de primeira divisão com passagens pela seleção. Acabou a carreira e quis ser treinador. Começou pelo Casa Pia, teve por lá problemas que vão para além da sua competência e terá recusado o Benfica B (assumiu-se publicamente benfiquista, algo que será lembrado assim que perder um jogo) para treinar o Braga B, onde rapidamente chegou à primeira equipa. Teve no Braga, um efeito Keizer. Mudou o esquema tático e a mentalidade e o Braga desatou a marcar, a jogar bem e a vencer jogos. Em poucas semanas venceu os três grandes e conquistou a Taça da Liga. Ruben parece ser treinador de futuro, corajoso e que sabe comunicar. Posto isto, parece-me estar tudo errado com esta escolha.

O timing é mau. O Sporting está a uma derrota da sua pior época de sempre. É provável que em onze jogos, Amorim perca pelo menos um e fique na história como o homem que estava à frente da equipa nesse recorde negativo. Além disso, mesmo podendo apostar em jovens e mudar o esquema, a verdade é que herdará, como Silas, um plantel miserável. Não há milagres. Com Doumbias, Jesés e Borjas, nem Klopp. Além disso, até agora, mais de 16 horas depois das palavras de Silas, não sabemos oficialmente de nenhuma saída ou entrada.

O custo é incomportável. Não sabemos ainda detalhes, mas Amorim será caro. Será o treinador mais caro de sempre do futebol português, superando Jorge Jesus. Na pior das hipóteses, custará 10 milhões de euros. O mesmo, sensivelmente, que Bruno Fernandes ou Bas Dost. 10 milhões são uma fortuna para o Sporting, sobretudo à luz de eventos recentes. Recebendo cerca de 35 por Bruno, o Sporting gastou apenas 6 em Sporar e antes até da venda do capitão. No restante mercado, mesmo com um plantel fraco, não gastou 1 milhão. Mas gasta agora, um terço do que recebeu, num treinador. No verão, vendeu-se o melhor goleador da equipa por cerca de 7. A bem da poupança. Com Bas Dost por cá, o que teria sido a época? Já sem falar de Nani, Montero ou Raphinha. A outra hipótese é a cedência de passes de jogadores. Palhinha, Dala e Ivanildo foram falados e felizmente, ao que parece, recusados. Em qualquer cenário, encheremos mais uma vez os cofres de Braga, depois de já termos contratado vários jogadores que não vingaram em Lisboa, ou termos emprestado ou oferecido outros, como Palhinha, Esgaio ou Wilson, que perante os últimos planteis, teriam sido muito úteis em Alvalade. 

A formação- Ruben ainda tem menos formação do que Silas e não poderá sequer levantar-se do banco. Isto num clube que promove a formação também fora do campo e prepara os seus talentos para a hipótese de uma vida que não a de profissional de futebol. No próximo ano, a ASAE toma conta desta fiscalização e há sempre a possibilidade desta aposta ir pelo cano abaixo. 

A estrutura – O último e mais importante ponto é a estrutura de futebol, que não serve para o Sporting. Esta foi a única época preparada pelos escolhidos de Varandas e vai ser a pior de sempre. São factos. Não é o treinador que vai resolver tudo, por muito bom ou caro que seja. Faltam pessoas experientes que saibam gerir o futebol, contratar bem, apostar na formação e fazer negócio, conforme fazem os rivais e o Braga. Até o Guimarães parece ter uma estratégia desportiva, com atenção ao lucro (Raphinha e Tapsoba). No Sporting, tem havido navegação à vista com a contratação de Keizer e Silas e a promoção fugaz de Tiago Fernandes e Leonel Pontes.

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