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Visão do Peão

Craques da bola, 26

13.11.19, Francisco Chaveiro Reis

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Numa altura em que se fala nos problemas que os jogadores do Nápoles estão a ter por causa de uma época menos conseguida, lembro Careca, ponta de lança brasileiro que se distinguiu no Nápoles campeão, ao lado de Maradona.

Quase nos 60 anos, Antônio de Oliveira Filho, começou a dar nas vistas no Guarani onde esteve entre 1978 e 1982 (conviveu com Marlon Brandão, que se destacaria em Portugal) marcou 109 golos em mais de 250 partidas. Venceu ainda dois campeonatos, um na primeira e outro, na segunda divisão. Mereceu a “promoção” e mudou-se para o São Paulo para mais 115 golos em 191 tentativas. Voltou a ser campeão e ainda venceu duas taças do Brasil. Eram os tempos de Raí, Muller, Paulo Silas ou Falcão.

Só no verão de 1987 chegou à Europa e a Nápoles. Naqueles dias, Itália era o centro do futebol mundial, mesmo que o Nápoles só fosse grande, no apoio fanático das bancadas. Aos 27 anos, bem servido por Maradona, marcou logo por 18 vezes e a equipa do sul, ficou em segundo lugar no campeonato a míseros 3 pontos do Milan de Van Basten, Gullit e Virdis (terceiro melhor marcador do Calcio atrás de Careca e Maradona).

Na segunda época, 27 golos e um título: a Taça UEFA (5-4 ao Estugarda nas duas mãos com um golo de Careca em cada jogo). No campeonato (menso 11 pontos do que o Inter de Serena) e na Taça, segundo lugar (1-4 para a Sampdória de Vialli, Mancini e Toninho Cerezo). Ao terceiro ano em Nápoles, menos golos, apenas 11, mas a glória suprema: o campeonato nacional de Itália, com mais dois pontos do que o Milan. Para além de Careca e Maradona, estrelavam o Nápoles desses tempos, Ferrara, Zola ou Carnevale. Ficaria mais duas épocas e meia, com mais 37 golos marcados, vendo o clube perder alguma força.

O poiso seguinte seria a liga japonesa, que recebeu na altura muitos jogadores canarinhos. Careca aterrou no Kashiwa Reysol para 31 golos em 60 jogos. Nada mau. Não ganharia mais títulos depois de Itália, mas passaria ainda por Santos e São José. Jogaria ainda, em dois períodos, no Campinas, que ajudou a fundar, em 1998.

Pelo Brasil jogou 63 vezes, até 1993, não indo já ao Mundial dos EUA. Marcou 29 vezes e esteve nos Mundiais de 1986 (5 golos em 5 jogos) e de 1990. Jogou ainda a Copa América em 1983 e 1987.

PS: Careca, ele próprio com um nome artístico interessante foi partilhando o balneário com outros nomes curiosos: Neneca, Manguinha, Tião, Ziquita, Biriqui, Cabeção, Toninho Camarão, Ernani Banana, Tatu, Carlinhos Maracanã, Zózimo ou Tangerina.