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Visão do Peão

Leonardo

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
24
Mai22

 

Leonardo Nascimento de Araújo, hoje com 52 anos e acabado de deixar o PSG, onde era diretor desportivo, passou a vida ligado ao mundo da bola. Nos últimos anos, foi dirigente, no PSG e no Milan e, antes, teve uma curta carreira como treinador, com passagens por Milan, Inter e Antalyaspor.

Mas, o que aqui interessa é a carreira de jogador de Leonardo, virtuoso médio ofensivo. Nascido em Niterói, Rio de Janeiro, Leonardo despontou em 1987, no Flamengo, clube da sua formação. Na estreia, venceu o Brasileirão, participando em 18 jogos. No balneário, olhava para o lado e via Bebeto, Renato Gaúcho, Zico, Zinho, Sócrates ou Aldair. Não lhe faltava inspiração e na época seguinte, fez 43 partidas, sem títulos. Em 1989, aos 19 anos, fez 45 jogos e viu aparecer Djalminha e Marcelinho Carioca. Seguiram-se 44 jogos no São Paulo. Voltou a vencer o Brasileirão e mudou-se para a Europa.

Foi o Valência que lhe deu as boas vindas à Europa. Em Espanha, fez 86 jogos e marcou 10 golos, tendo sido orientado por Gus Hiddink e colega de Lubo Penev, Quique Flores ou Mendieta. Apesar dos bons números, regressou ao São Paulo. Esse era um grande São Paulo que fora a Espanha vencer os torneios de verão, Ramon Carranza (4-0 ao Real Madrid, na final) e Teresa Herrera (4-1 ao Barcelona) e, principalmente, competições como a Taça Intercontinental (2-1 ao Barcelona); a Libertadores (agregado de 5-3 à Universidade Católica); a Recopa Sudamericana (vitória nos penalties contra o Cruzeiro de Ronaldo) e a Supercopa Libertadores (vitória nos penalties contra o Flamengo de Casagrande e Marquinhos. Leonardo ajudou a conquistar estas duas últimas ao lado de uma constelação: Zetti, Cafu, Dinho, Cerezo, Doriva, Juninho Paulista ou Muller. No ano seguinte, mais trofeus: Taça Intercontinental (3-2 ao Milan de Maldini, Baresi, Papin ou Massaro) e Recopa Sudamericana (3-1 ao Botafogo).

Seguiu-se uma aventura no Japão. Pelos Kashima Antlers, Leonardo fez 63 jogos e marcou 36 golos. Ganhou uma J-League e encontrou ou reencontrou vários brasileiros: Zico, Mazinho, Mozer ou Jorginho. Seguiu-se um dos grandes amores da sua vida, o PSG, onde curiosamente, só estaria um ano completo, como jogador. Em 1996-1997, aterrou no Parc des Princes para 43 jogos, 10 golos e 0 títulos. Eram os dias de Dely Valdes, Mboma, Loko, Cauet, Raí, Domi, N´Gotty ou Lama. Anelka dava os primeiros e seguros passos e Kenedy fez quase 40 jogos em França. Leonardo, tal como Raí ou Valdo, conquistou os parisienses com o seu futebol perfumado, mas não resistiria a mudar-se para Itália e para o seu outro grande amor europeu. Depois de 3 jogos pelo PSG na nova época (já com Simone, Edmilson ou Maurice) chegou a San Siro.

Em Itália, voltou a encantar, fazendo 119 jogos e marcando 28 vezes. Venceu uma liga e uma taça. Weah, Ganz, Boban, Donadoni, Savicevic, Albertini, Desailly, Maldini ou Costacurta foram apenas algumas das estrelas com as quais jogou. O fim da carreira seria de regressos: 18 jogos no São Paulo de Kaká, Luís Fabiano e Belleti; 7 jogos (1 golo) no Flamengo de Leandro Machado, Liedson e Pektpvic e 5 jogos (2 golos) no Milan de Shevchenko, Inzaghi e Pirlo.

Pela seleção A, 60 jogos e 8 golos. Participou nos Mundiais de 1994 (campeão do mundo) e 1998 (finalista) e nas Copas América de 1995 (perdeu na final) e 1997 (venceu). Esteve ainda na Taça das Confederações de 1997, assistindo aquele golo de Roberto Carlos a Barthez. Pelas equipas jovens, esteve no Mundial sub-20 de 1989, sendo eliminado pelo campeão, Portugal, nas meias. Camisa 4, Leonardo tinha ao lado, Sonny Anderson ou Assis.