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Visão do Peão

Cadete

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
21
Mai22

 

Jorge Cadete poderia ter sido o avançado que faltou à seleção portuguesa nos anos 90, até à explosão de Pauleta, mas, acabou por ficar na história mais por uma fabulosa época em Glasgow do que por uma carreira consistente.

Cadete, hoje com 53 anos, nasceu em Moçambique, mas foi já em Portugal que começou a carreira. Passou pela Académica de Santarém, mas seria no Sporting que acabaria a formação. Em 1987-1988 estreou-se como sénior, participando em 8 jogos. Passaria a época seguinte em Setúbal, sob o comando de alguém que sabia bem o que era ter sucesso no ataque leonino: Manuel Fernandes. No Bonfim, marcou 10 golos e ajudou a equipa a chegar ao 5.º lugar, aprendendo também com o grande Rui Jordão, que aos 36 anos ainda marcou mais 1 golo do que Cadete. Obviamente, regressou a Alvalade para ficar cinco anos seguidos.

Fez 81 golos nessas cinco épocas e chegou a ser capitão de equipa. No regresso marcou por 7 vezes, mas o Sporting ficou em 3.º lugar. Apareciam Figo, Marinho e Paulo Torres e andavam por lá consagrados como Cascavel, Oceano ou Carlos Manuel. Na época seguinte, 10 golos e novo 3.º lugar, já com Balakov, Peixe ou Douglas. À terceira, o Sporting fez ainda pio, terminando em 4.º, mas Cadete explodiu, com 26 golos partilhando já o balneário com Iordanov, que marcou por 10 vezes na estreia. Já com a concorrência de Juskowiak (10 golos), Cadete fez 23 golos e o Sporting regressou ao 3.º posto. Em 1993-1994, novo terceiro lugar e derrota no Jamor na finalíssima da Taça. Cadete ficou-se pelos 15 golos.

No ano seguinte já não contava e mudou-se para o Brescia. Fez apenas 1 golo e regressou a Lisboa, mas em 7 jogos, divididos em duas meias épocas não mais marcaria pelo clube do coração. Mas faria parte do plantel que venceria a Taça (2-0 ao Marítimo, com bis de Iordanov) e a Supertaça do ano seguinte (3-0 ao Porto em Paris) mesmo não tendo estado nas decisões.

O próximo destino seria Glasgow. O Celtic recebeu-o de braços abertos e nos 6 primeiros jogos, Cadete fez 5 golos. Deixou água na boca para a época seguinte. Com razão. Em 1996-1997, Jorge Cadete, de 28 anos, usando a camisola 11 do Celtic marcou 33 vezes em 44 jogos. Curiosamente, não foi campeão. Os únicos trofeus que venceu na carreira foram os dois no Sporting, quando já não contava. Ainda assim, tornou-se num herói de culto jogando ao lado de Di Canio ou van Hooijdonk. Cadete escolheria deixar a Escócia, tentado por uma liga maior. Provavelmente, tendo ficado, teria ganho trofeus e marcado muitos mais golos.

Do Celtic para o Celta. Em Vigo, Cadete marcou pouco e esteve pouco tempo. 8 golos em época e meia devolveram-no a Lisboa. Cadete chegou ao Estádio da Luz em 99 para marcar 3 vezes. Estava já numa fase de fraca pontaria, o que não melhorou nas estadias no Bradford, Estrela da Amadora, Partick Thistle, Pinhalnovense ou São Marcos. Já reformado, chegou a passar mal financeiramente até se levantar e ter o seu negócio, de sucesso.

Pela seleção, marcou 6 vezes em 36 jogos, tendo sido chamado ao Euro 96. Com a seleção a falhar a presença na maioria das competições, não esteve em mais nenhum grande evento.

Terminou a carreira com 442 jogos e 151 golos. Nada mau.