Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Visão do Peão

Visão do Peão

Hateley

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
19
Mai22

 

Vendo o jogo de ontem, do Rangers, lembrei-me do grande avançado inglês Mark Hateley. Filho de outro avançado, Tony Hateley, que passou por Aston Villa, Chelsea, Liverpool ou Birmingham, Mark, nascido há 60 anos em Wallasey, Merseyside, iniciou a carreira em 1978, no Coventry. Em 1980, aos 18 anos, teria uma experiência, por empréstimo nos Detroit Express antes de regressar a Inglaterra para se afirmar. 34 golos em três épocas levaram-no até Portsmouth onde marcou 22 numa só.

Em 1984 saltou da segunda divisão inglesa para a primeira italiana, provavelmente, a melhor da Europa. Ganhou a camisola 9, batendo-se com Verdi ou Incocciati e tendo a companhia do compatriota Ray Wilkins. Um tal de Paolo Maldini dava os primeiros passos numa defesa que tinha já Tassotti, Galli e Baresi. À primeira, 6.º lugar na liga (vencida pelo Hellas Verona) e 2.º na Taça (final a duas mãos perdida para a Sampdória de Vialli, Mancini e Souness). A segunda época seria pior, mesmo com a ajuda de Paolo Rossi, já que o Milan ficaria em 7.º a 14 pontos da Juventus de Platini e a 3.º e na última o Milan, já com Massaro, voltaria ao 6.º, vendo o Nápoles de Maradona levar o caneco. 21 golos depois, Hateley iria para o Mónaco.

No Principado, onde nasceu o filho Tom, futebolista profissional na Polónia, Tom marcou 14 vezes (a melhor época em anos) e foi campeão sob a orientação de Arsene Wenger. Amoros, Puel, Dib e o também inglês Hoddle acompanharam-no na glória. Na segunda época ainda conheceu Weah ou Petit, mas marcou apenas 7 golos e ficou em terceiro. Na última temporada, só marcou 2 vezes e voltou a ficar em terceiro.

Seguiram-se os anos de glória maior numa estadia em Glasgow entre 1990 e 1995, marcando 112 golos e sendo decisivo na vitória de múltiplos títulos. Na estreia, fez 15 golos, foi campeão e venceu a taça ao lado de homens como McCoist, Souness ou Butcher. No ano seguinte, 23 golos e nova dobradinha. No terceiro ano, a terceira dobradinha e fantásticos 27 golos. Aos 32 anos, fez ainda melhor: 30 golos. E já tinha Duncan Fergunson no plantel. E títulos? Novo campeonato, vitória na nova Taça da Liga e final da taça, com…derrota. A taça iria para o Dundee United. Na quinta época, “apenas” 15 golos, mas a vitória do quinto campeonato seguinte. E foi “só”. Eram já os dias de Brian Laudrup e Boli, campeão europeu pelo Marselha, também se juntou. Hateley ainda começou a época seguinte e marcou mais 2 golos. Seria campeão, mas sairia após 4 jogos. Em Glasgow chegaram Salenko, Erik Bo Andersen ou Van Vossen.

Seguiu-se a estreia na Premier League. Marcou 5 golos pelo QPR e nenhum pelo Leeds. Regressaria aos Rangers para 4 jogos, 1 golo e, adivinhe-se, um campeonato e viu Paulo Gasgoine a brilhar. Ainda passaria pelo Hull City e acabaria na Escócia, no Ross County mas, o último de muitos golos tinha sido aquele último, pelo Rangers.

Pela principal seleção inglesa, fez 32 jogos e 9 golos, tendo sido chamado ao Mundial 1986 e ao Euro 1988. Pelas seleções jovens deu-se melhor. No Euro de sub-21, em 1984, marcou 4 vezes à França, num 6-1 e marcaria mais 2 golos na prova, um deles na primeira mão da final. A Inglaterra seria vencedora. Dois anos antes, tinha marcado outros 2 golos na edição de 1982 da prova.

Hateley, goleador, terminou a carreira com 645 jogos e 229 golos.