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Visão do Peão

Visão do Peão

Breve história do Milan

A um ponto do campeonato

Francisco Chaveiro Reis
17
Mai22

 

 

Depois de anos nas ruas da amargura, com épocas onde nem a qualificação para a Europa foi conseguida, o Milan prepara-se para ser campeão, dez anos após o último scudetto. Desta vez, tem como grande estrela o português Rafael Leão, mas antes, também Paulo Futre e Rui Costa foram campeões em Milão. Futre, camisola 28, só participou numa partida, mas foi campeão em 1995-1996, antes de seguir para o West Ham. Mais sólida foi a carreira de Rui Costa, número 10, em San Siro. Passou lá cinco anos ajudando a vencer um campeonato, uma taça, uma supertaça, uma Liga dos Campeões e Supertaça da Europa.

Fundado em dezembro de 1899, o Milan é um dos maiores clubes do mundo e chegou a ser o “club più titolato al mondo”. Do palmarés do clube fazem parte 7 Ligas dos Campeões, 2 Taças das Taças, 18 campeonatos da primeira divisão e até dois da segunda, entre muitos outros.

A história do Milan é feita, como de todos os clubes, de altos e baixos. Dois anos após nascer, o Milan venceu o seu primeiro campeonato, voltando a vencer em 1906 e 1097 até que se deu uma cisão, da qual nasceu o Inter, grande rival até hoje. Depois da turbulência da Primeira Guerra Mundial, nasceu o Estádio San Siro, foi criado um campeonato mais sólido e o Milan oficializou definitivamente seu nome como Associazione Calcio Milan.

Seguiu-se mais um baixo, com uma seca de títulos até 1950. Os anos 50 viram florescer um excecional trio sueco: Gre-No-Li (Gunnar Gren, Gunnar Nordahl e Nils Liedholm). Nils Liedholm seria depois treinador de sucesso no clube.  A recuperação, lenta, culminou com a conquista da primeira Liga dos Campeões, em 1963. Eram os tempos dos grandes Rivera, Mazzola e Schiaffino. Em 1968, o Milan conquistou o Scudetto e seu astro Gianni Rivera conquistou o prêmio de melhor jogador da Europa. Seguiu-se a segunda Liga dos Campeões, em 1969. Figura incontornável dos anos 50 e 60 é Cesare Maldini, defesa de topo que se tornou símbolo do clube, além de ser pai de Paolo Maldini, ainda mais titulado do que o pai e avô de Daniele que pode ser campeão este fim-de-semana. Cesare foi treinador do Milan, com algum sucesso. Ou seja, com a conquista de uma Taça das Taças e uma Taça de Itália.

No fim dos anos 70 e início dos 80, com Rivera reformado, o Milan teve mais baixos, acabando na segunda divisão, primeiro por castigo devido a um escândalo de manipulação de resultados e, depois, por mau desempenho em campo. Isto apesar ter o goleador Antonelli.

Em 1986, Sílvio Berlusconi tomou conta do Milan e isso foi um game-changer. Sem papas na língua e sem medo de escândalos, Berlusconi fez o Milan subir de patamar e ser, anos a fio, a melhor equipa do mundo. Com sentido de marketing e muito dinheiro, fez as apostas certas em treinadores mesmo consensuais, como Sacchi e contratou estrelas atrás de estrelas. Em 31 anos à frente do Milan venceu 29 troféus, incluindo 5 Ligas dos Campeões, 1 Mundial de Clubes, 3 Taças Intercontinentais e 8 ligas italianas.

Berlusconi foi bastante polémico desde início. Livrou-se da lenda Liedholm e foi buscar Arrigo Sacchi ao Parma. E começou a magia. Sacchi acreditava num futebol mais parecido ao da Holanda de Cruijff ao invés do futebol defensivo que então se praticava. Sofreu críticas mesmo antes de começar, mas quando começou revolucionou o futebol italiano. Venceu uma liga italiana em quatro anos, mas depois disso, foi bicampeão europeu, venceu duas Supertaças Europeias e duas Taças Intercontinentais. Eram os dias de Maldini, Baresi, Donadoni e de um novo trio, desta vez, holandês:  Marco van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard.

Em 1991, o Milan ficou ainda melhor. Fabio Capello, que tinha sido jogador do clube, tornou-se no treinador e durante cinco anos conquistou uma Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia e conseguiu maior sucesso interno com a conquista de quatro ligas e três supertaças. Contou com Rossi, Panucci, Costacurta, Maldini, Albertini, Eranio, Evani, Lentini, Massaro, Savicevic, Boban, Simone ou Weah.

Quando Capello se mudou para o Real Madrid, o Milan viu passar pelo banco Oscar Tabarez, Arrigo Sacchi, Alberto Zaccheroni e até o próprio Capello, num regresso. Mas seria Carlo Ancelotti a devolver a glória maior ao Milan. Carlo, antigo médio do Milan, pegou na equipa. Passou oito épocas no San Siro, criando equipas fabulosas, a jogar num 4-1-2-1-2 com um meio em campo em diamante com Pirlo, Gattuso, Seedord e Rui Costa. Orientou ainda outros craques como Dida, Cafu, Maldini, Costacurta, Serginho, Kaká, Inzaghi ou Shevchenko. Venceu duas Ligas dos Campeões; uma liga; uma taça, uma supertaça; duas supertaças da Europa e um mundial de clubes. Tendo ganho tudo em Itália, o passo natural seguinte foi a Premier League. Pelo Chelsea, venceu um campeonato, uma taça e uma supertaça. Não conseguiu o êxito europeu, mas deixou boa imagem em duas épocas.

Em 2010, chegaria Allegri, recrutado ao Cagliari. Em quatro épocas, venceu um campeonato, o último conquistado pelo Milan. Depois, Seedorf, Inzaghi, Mihajlovic, Brocchi, Montella ou Gattuso, apesar das grandes carreiras como jogadores, alguns no Milan, falharam redondamente. Parece ser Pioli, outro de quem muito se desconfiou, que vai devolver a glória ao Milan.