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Visão do Peão

Amauri

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
08
Jun22

Amauri nasceu no Brasil, mas foi Itália que lhe deu uma boa carreira e foi pela seleção europeia que jogou, antes de Jorginho, Emerson, Tóloi, Luiz Filipe ou João Pedro Galvão, mesmo que apenas uma vez. Amauri Carvalho de Oliveira nasceu há 42 anos e depois de um ano no Santa Catarina chegou à Europa, com apenas 20 anos.

Começou na Suíça pelo modesto Bellinzona antes de chegar ao Nápoles, em 2000-2001. Só deixaria o Calcio em 2015. No San Paolo marcou apenas uma vez numa equipa que tinha Edmundo, Amoroso, Jankulovski, Moriero ou Quiroga. Seguiram-se zero golos no Piacenza e 4 no Messina. Chegou a Verona em 2003. Fez apenas 6 golos nos primeiros dois anos, mas, ao terceiro, marcou 14 e ajudou o Chievo a chegar ao quarto posto. Ainda marcaria 2 golos em 2 jogos no início da época seguinte, mas mudou-se depois para Palermo.

Na Sicília, ajudou o Palermo a chegar ao 5.º lugar, com 8 golos, ao lado de Cavani, Simplício, Barzagli ou Zaccardo. Na segunda época de cor-de-rosa, já com a ajuda de Miccoli, marcou por 15 vezes, naquela que foi a sua melhor época. Chamou a atenção da Juventus e mudou-se para o então maior clube italiano. Em Turim não conseguiu aquilo que mais desejava: títulos.

Num plantel que tinha Del Piero, Giovinco, Iquinta, Trezeguet e o jovem Immobile, marcou por 14 vezes em 44 jogos. No ano seguinte, 40 partidas e 7 golos e na seguinte apenas 3 golos em meia época. Era hora de rumar a Parma. Em seis meses, 11 jogos e 7 golos, numa equipa que tinha Crespo em fim de época. Seguiu-se a Fiorentina e apenas 1 golo. Regressou ao Parma para 19 golos em duas épocas.

Passaria ainda por Torino, Fort Lauderdale Strikers e New York Cosmos, sem grande sucesso. Terminou a carreira em 2016, com 37 anos e um total de 442 jogos e 111 golos.

Pela equipa italiana, jogou uma vez, em agosto de 2010, num particular em Londres, no qual a Itália perdeu 0-1 com a Costa do Marfim. Amauri foi titular ao lado de Pepe, Palombo, De Rossi ou Balotelli mas aos 59 minutos deu lugar a Quagliarella.

Finidi George

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
05
Jun22

 

George Finidi, extremo nigeriano, nunca conseguiu alcançar o nível de alguns companheiros do Ajax de meio dos anos 90. Não chegou ao Barcelona como Kluivert, Litmanen, Overmars ou os irmãos De Boer, por exemplo. Mas, teve uma carreira interessante e é, sem dúvida, um herói de culto.

Nascido há 51 anos, Finidi jogou no seu país por Calabar Rovers, Heartland FC e Sharks FC, sem que se saiba muito sobre esses tempos. Sabe-se é que em 1993 chegou a Amsterdão para uma história de sucesso. Aos 23 anos, o nigeriano adaptou-se de tal modo à Holanda que fez 31 jogos e marcou 4 golos. Foi campeão à primeira. Menzo, Kreek, Silooy, Reuser, Van Vossen ou o compatriota Kanu, eram alguns dos seus colegas. Outros, ao longo da sua estadia, foram, como se sabe, Litmanen, Overmars, Kluivert, Blind, Davids, Seedorf, Rijkaard ou Van der Sar. O momento alto da passagem pelo Ajax, foi, claro, a vitória na Liga dos Campeões de 1995, em Atenas, ante do Milan, com golo do suplente Kluivert, então com 18 anos e a camisola 15. Em 1994-1995, apenas a taça escapou ao Ajax. Finidi fez 42 jogos e marcou 9 golos. No último ano, 44 jogos e 9 golos e mais troféus: mais um campeonato, uma supertaça (2-1 ao Feyennord de Henrik Larsson ou Ronald Koeman) uma supertaça europeia (total de 5-1 ao Saragoça de Morientes, Dani Garcia ou Gustavo Lopez) e a Taça Intercontinental (vitória sob o Grémio, de Jardel e Scolari, na final). O Ajax voltou à final da Liga dos Campeões, mas desta vez, perdeu. Ravanelli adiantou a Juventus e Litmanen, empatou. Nas grandes penalidades, a Juve foi mais forte, em Roma.

Com o Ajax em fim de ciclo, Finidi mudou-se para Sevilha (seria rendido em Amsterdão por Dani). No Bétis, passou quatro anos, como peça central na tentativa do clube se intrometer no domínio de Real Madrid e Barcelona, além de Atlético, Valência e Deportivo. No primeiro ano, boa época. O Bétis ficou em terceiro, ainda que a 13 pontos do Barça e a 15, do Real. Finidi fez 38 jogos e marcou 11 vezes. O Bétis, alcançou ainda, a final da taça, perdendo 3-2 para o Barcelona de Robson, com Finidi a marcar um golo, mas a serem os dois de Figo, os mais importantes. Na segunda época, 39 jogos e 10 golos, modesto oitavo lugar na liga e passagem aos quartos da Taça do Rei (eliminado pelo Saragoça) e quartos da Taça das Taças (eliminado pelo Chelsea, que venceria a prova, com Zola, Vialli, Flo ou Wise). À terceira época, pior classificação, já com Denilson na equipa, após o Mundial 1998 e com Finidi a marcar 13 vezes em 42 jogos.

No quarto e último ano, o Bétis, mesmo com Finidi, Denilson, Alfonso, Oli ou Prats desceu de divisão com Sevilha e Atlético. Finidi marcou 8 vezes e jogou 24, nos seus piores números em Sevilha. Ainda assim, balanço positivo. Nada ganhou, mas fez 135 partidas e 42 golos por um grande clube.

Aos 30 anos, chegou a Palma de Maiorca para ajudar o clube local a ficar em terceiro lugar em La Liga e municiar dois jovens atacantes: Luque (9) e Eto´o (13 golos). Do plantel faziam ainda parte Burgos, Roa, Nadal ou Ibagaza. Seguiu-se a aventura na Premier League. Juntou-se ao então modesto Ipswich Town (tinha vencido a Taça UEFA em 1981) e fez 29 jogos e 7 golos ao lado de Reuser (velho conhecido dos tempos do Ajax), Holland e Marcus Bent. Depois de um fabuloso quinto lugar, o Ipswich desceu de divisão, mas ainda fez seis jogos na Taça UEFA, tendo caído aos pés do Inter de Milão, de Vieiri, Ronaldo, Kallon e Conceição. Finidi George faria 16 jogos (1 golo) na segunda divisão inglesa antes de regressar a Maiorca para terminar a carreira, participando em 17 partidas. O Maiorca, treinado por Jaime Pacheco em parte da época, ficou em 11.º e perdeu a supertaça para o Real de Beckham, Figo e Zidane.

Pela Nigéria, Finidi fez 62 jogos e marcou 6 golos. Jogou as CAN de 1992, 1994, 2000 e 2002, tendo ajudado a vencer de 1994 (participou em 3 jogos). Rufai, Oliseh, Okocha, Amunike, Amokachi ou Yekini (melhor marcador da prova e então jogador do Vitória de Setúbal) eram os destaques. Poucas semanas depois, a Nigéria (e Finidi) estavam nos EUA para o Mundial. Além dos míticos equipamentos, a Nigéria destacou-se ao vencer o grupo D à frente de Bulgária, Argentina e Grécia. Finidi fez um golo à Grécia e esteve em 4 jogos. A Nigéria perderia 1-2 com a Itália, com um bis de Baggio. Faria mais 4 jogos no Mundial de 1998 (a Nigéria foi goleada nos oitavos, pela Dinamarca).

Zalayeta

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
03
Jun22

Visão de Peão (4).png

Marcelo Zalayeta, nascido no Uruguai, há 43 anos, foi um avançado interessante que brilhou sobretudo no futebol italiano. Deu nas vistas em 1997, quando se estreou pelo Danubio, marcando 12 golos. Logo saltou para o Peñarol onde foi campeão. Aos 19 anos estava na Juventus, sendo campeão, mas jogando ainda pouco. Mandavam no ataque, Del Piero, Inzaghi, Amoroso, Padovano ou Fonseca. Mesmo com 2 golos em 3 jogos na época seguinte, seguiria para Empoli, no primeiro de vários empréstimos. Marcou 2 vezes.

O próximo destino, seria Sevilha. Numa época péssima, faria parte da equipa que desceu de divisão, bem como o português Bakero (já encontrara Dimas, em Turim). Voltaria à Juve, campeão da segunda divisão espanhola. Em 2001-2002 e 2002-2003 fixou-se no Delli Alpi, fazendo 58 jogos e 14 golos. Nesse período venceu duas ligas e uma supertaça. Jogaria ainda a final da Liga dos Campeões, perdida para o Milan. Na segunda metade da época seguinte, após 9 jogos e 3 golos, seguiria para Perúgia. Ao lado de Ravanelli, foram 5 jogos e…0 golos.

Seguiu-se o período maior na Juventus: três épocas, com 82 jogos (em decrescendo) e 14 golitos. Venceu uma liga italiana e depois do escândalo, venceria um título da segunda divisão. Depois de cerca de dez anos ligado à Juventus, Zalayeta mudou-se para o Nápoles. Fez 55 partidas e marcou 12 vezes, conseguindo alguma estabilidade antes de ser, mais uma vez, emprestado. O seu quinto e último clube em Itália, na sua décima primeira e última época em Itália, seria o Bolonha. 29 jogos e 4 golos. Marcou ainda 7 vezes no futebol turco, com as cores do Kayserispor.

Aos 33 anos regressou a casa para cinco épocas no Peñarol. Por lá, marcou 35 vezes nos dois primeiros anos. Encontrou Varela (jogaria no Manchester United); Luis Aguir (tinha jogado no Braga e Sporting), Mora (vindo do Benfica) e João Pedro Galvão, hoje internacional italiano. Venceria três campeonatos e marcaria mais 20 vezes até se reformar, aos 37 anos, num plantel que tinha Forlán, em fim de carreira e Valverde, antes de rumar ao Real Madrid.

Pela seleção, 47 jogos e 10 golos. Esteve na Taça das Confederações de 1997 e na Copa América de 1999, marcando nas duas. Em 1997 esteve também no Mundial de sub-20, marcando quatro vezes e tendo perdido apenas na final para a Argentina de Cufré, Samuel, Riquelme, Aimar, Scaloni ou Cambiasso. Pelo caminho ficou a França de Henry, Trezeguet, Anelka, Silvestre ou Gallas.

Charisteas

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
30
Mai22

 

Para desgosto do povo português e euforia do grego, Charisteas marcou o único golo da final do Euro 2004. Mas, é herói de culto também pelo percurso feito em clubes como Aris, Ajax, Bremen ou Leverkussen. Angelos Charisteas, hoje com 42 anos, começou a carreira no Aris, de Salónica, estreando-se aos 18 anos. Fez 2 golos em 10 jogos e foi campeão…da segunda divisão.

Faria 14 jogos antes de ser emprestado ao Athinaikos. Regressaria e em três épocas, marcaria 17 vezes. Seguiu-se a Bundesliga. Aterrou em Bremen em 2002 e marcou 15 golos na época de estreia ao lado de Ailton, Klasnic, Valdez, Micoud ou Manuel Friedrich. Na época seguinte, marcaria apenas 7 vezes, mas seria campeão alemão (mais 6 pontos do que o Bayern) e venceria a taça alemã (3-2 ao Alemannia Aachen na final de Berlim). Ficaria mais meio ano, fazendo mais 6 golos. Seguiu-se a Holanda. Pelo Ajax, fez 15 golos em ano e maio. Venceu uma taça e uma supertaça e conheceu Huntelaar, Babel, Pienaar, Sneijder ou Maduro. Passou depois um ano e 11 golos no rival Feyennord mas regressaria à Bundesliga.

No Nuremberga, conseguiu estrear-se com 11 golos numa equipa que tinha Koller, Galasek ou Pinola. Ainda marcou 1 golo em 16 jogos na segunda divisão, mas seria recrutado pelo Leverkusen onde dobrou o número de golos. Regressaria a Nuremberga, de novo na Bundesliga, mas para apenas 1 golo numa época inteira. Passou em branco pelos franceses do Arles e regressou, pela última vez, à liga alemã. Só marcou um golo, mas fez parte do plantel do Shalke que venceu a taça alemã, tal como Raul, Jurado, Draxler, Farfán ou o compatriota Papadopoulos.

Passou, ainda, uma época no Panetolikos (4 golos) e outra nos sauditas do Al Nassr (1 golo).

Mas seria pela Grécia, no Estádio da Luz que teria o seu momento glorioso ao marcar o golo da vitória da Grécia no Euro. Pela sua seleção marcou 25 vezes em 88 partidas, incluindo 3 golos nesse verão em Portugal e ainda 1 no Euro 2008. Ainda esteve no Mundial 2010 e na Taça das Confederações de 2005.

Emerson

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
27
Mai22

 

Emerson Ferreira da Rosa, hoje com 46 anos, foi um internacional brasileiro, que passou pelos grandes campeonatos europeus. Começou por ser avançado, tendo depois passado a médio, com sucesso. A sua história começa em Porto Alegre, onde fez a formação no Grémio.

Estreou-se pela equipa principal, em 1993, fazendo 1 jogos e aos 18 anos, fez 46 jogos e marcou 4 golos. Nas épocas seguintes, faria mais 81 jogos, marcando mais 12 golos. Sob o comando de Scolari, venceria a Copa do Brasil, em 1994, ao lado de Carlos Miguel que passaria pelo Sporting e Jamir, que passaria por Benfica e Alverca. Em Porto Alegre, não lhe faltaram títulos. Em 1995, a Copa Libertadores da América, contra o Milionários de Bogotá, de Higuita e Angel, com Paulo Nunes e Mário Jardel em grande e ainda o campeonato gaúcho; em 1996, novo campeonato gaúcho, a Recopa Sul-Americana e Campeonato Brasileiro.

No verão de 1997 aterrou em Leverkusen para dar início à sua aventura europeia, que duraria até 2009. No Bayer passou três grandes anos. No primeiro, 3.º lugar na Bundesliga e quartos de final da Liga dos Campeões. No segundo, vice-campeão da Bundesliga e no terceiro, novo vice-campeonato. Foi numa era antes da chegada à final da Liga dos Campeões, mas onde o Leverkusen já se afirmava como grande equipa e já contava com Rink, Neuville, Ramelow, Zé Roberto, Ballack ou Nowotny.

Próxima paragem: Roma. Emerson mudar-se-ia para a Série A para, à primeira, ser campeão. Fez apenas 14 jogos, mas jogou ao lado de Totti, Montella, Delvecchio, Balbo ou Batistuta, isto só para falar de avançados. Nos três anos seguintes, jogaria muito mais – 131 jogos – e tornar-se-ia peça central da equipa. Conquistaria mais um título – supertaça italiana – antes de se juntar à Juve. Seria bicampeão, mas a Juve perderia os títulos na secretaria e Emerson seguiria para Madrid.  

Ficaria apenas um ano no Real Madrid, mas seria campeão com Capello, que já o conhecia de Roma e Turim. Entre os colegas estavam Casillas, Salgado, Ramos, Beckham, Raul ou Guti. Retornaria a Itália, para reforçar o Milan. Venceria uma Supertaça Europeia e um Mundial de Clubes, em 2007, sob o comando de Ancelotti, com Pato, Inzaghi, Seedord, Kaká, Cafu ou Dida. Regressaria ao Brasil para 6 jogos pelo Santos de Ganso e Neymar. Terminaria a carreira aos 33 anos.

Pelo Brasil, faria 75 jogos e marcaria 6 vezes. Como pontos altos, teria a conquista da Copa América de 1999, com 0-3 ao Uruguai na final. Emerson foi titular ao lado de Amoroso, Ronaldo, Rivaldo, Flávio Conceição e Roberto Carlos. Em 2005, venceria a Taça das Confederações, com um 4-1 à Argentina, na final, com Emerson no 11 ao lado de Robinho, Adriano, Ronaldinho ou Gilberto. Seria chamado para os Mundiais de 1998 e 2006; para as Copas América de 1999 e 2001 e para as Taças das Confederações de 1999, 2003 e 2005.

 

 

Ba

Heróis de culto

Francisco Chaveiro Reis
25
Mai22

 

Ibrahim Ba foi um extremo francês, conhecido pelo seu cabelo pintado de loiro e pelas suas passagens pelo Milan. Venceu três títulos e não terá jogado tanto como seria de imaginar, mas entrou para a categoria de herói de culto. Ba, nasceu no Senegal há 49 anos e foi no Le Havre que deu nas vistas. Estreou-se com 19 anos e 1 jogo apenas em 1991-1992, mas, de 1992 a 1996 jogou bastante mais: 157 partidas e 10 golos. Por lá jogou com Yaya Aubameyang, pai do atual avançado do Barcelona.

Em 1996-1997 jogou pelo Bordeus, uma das mais conceituadas equipas francesas, que no ano anterior havia sido derrotada na final da Taça UEFA. Ba já não encontrou Zidane nem Dugarry mas esteve sempre bem rodeado, com Papin, Pavon, Micoud ou Ziani. Esteve na final da Taça da Liga perdida para o Estrasburgo e fez 36 jogos e 6 golos com a camisola 13 dos Girondins. Seguiu-se o Milan.

E não começou mal. Ba deu nas vistas pelo seu look, mas também cumpriu em campo, estando em 40 jogos. Em termos coletivos, a época foi fraca, com um 10.º posto atrás de Juventus, Inter, Udinese (de Bierhoff), Roma, Fiorentina, Parma, Lázio, Bolonha (de Baggio) e Sampdória. Deu-se com Kluivert, Weah, Boban, Davids e André Cruz e chegou à final da Taça, perdida para a Lázio. Na primeira mão, vitória por 1-0 (Weah, claro), entrou aos 60´ e saiu…aos 76’. Na segunda, derrota por 3-1 com Ba a titular e a jogar 67 minutos. Na época seguinte, só esteve em 17 partidas. Foi o custo de ver o Milan bem melhor. Tão melhor que foi campeão. Lehmann, Helveg, Ayala e Bierhoff chegaram e ajudaram os rossoneri a ocupar o seu lugar.

Com muita concorrência passou a época seguinte em Perúgia, ao lado de Rapaic, Nakata e Alenichev. Conviveu, ainda, com o defesa português, Hilário e ajudou a equipa a ficar em décimo. Regressaria a Milão para 11 jogos e conhecer Shevchenko. Pouco jogaria até fim da carreira: 9 jogos no Marselha, 8 no Milan, 16 no Bolton, 2 no Caykur Rizespor e 15 no Djurgarden, onde foi campeão.

Pela seleção francesa, jogou 8 vezes, marcando 2 golos. Estreou-se a jogar e marcar num 0-2 a Portugal, em Braga, ao lado de Barthez, Thuram, Blanc, Deschamps, Zidane e Pires.

É scout do Milan desde o fim da carreira.

Leonardo

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
24
Mai22

 

Leonardo Nascimento de Araújo, hoje com 52 anos e acabado de deixar o PSG, onde era diretor desportivo, passou a vida ligado ao mundo da bola. Nos últimos anos, foi dirigente, no PSG e no Milan e, antes, teve uma curta carreira como treinador, com passagens por Milan, Inter e Antalyaspor.

Mas, o que aqui interessa é a carreira de jogador de Leonardo, virtuoso médio ofensivo. Nascido em Niterói, Rio de Janeiro, Leonardo despontou em 1987, no Flamengo, clube da sua formação. Na estreia, venceu o Brasileirão, participando em 18 jogos. No balneário, olhava para o lado e via Bebeto, Renato Gaúcho, Zico, Zinho, Sócrates ou Aldair. Não lhe faltava inspiração e na época seguinte, fez 43 partidas, sem títulos. Em 1989, aos 19 anos, fez 45 jogos e viu aparecer Djalminha e Marcelinho Carioca. Seguiram-se 44 jogos no São Paulo. Voltou a vencer o Brasileirão e mudou-se para a Europa.

Foi o Valência que lhe deu as boas vindas à Europa. Em Espanha, fez 86 jogos e marcou 10 golos, tendo sido orientado por Gus Hiddink e colega de Lubo Penev, Quique Flores ou Mendieta. Apesar dos bons números, regressou ao São Paulo. Esse era um grande São Paulo que fora a Espanha vencer os torneios de verão, Ramon Carranza (4-0 ao Real Madrid, na final) e Teresa Herrera (4-1 ao Barcelona) e, principalmente, competições como a Taça Intercontinental (2-1 ao Barcelona); a Libertadores (agregado de 5-3 à Universidade Católica); a Recopa Sudamericana (vitória nos penalties contra o Cruzeiro de Ronaldo) e a Supercopa Libertadores (vitória nos penalties contra o Flamengo de Casagrande e Marquinhos. Leonardo ajudou a conquistar estas duas últimas ao lado de uma constelação: Zetti, Cafu, Dinho, Cerezo, Doriva, Juninho Paulista ou Muller. No ano seguinte, mais trofeus: Taça Intercontinental (3-2 ao Milan de Maldini, Baresi, Papin ou Massaro) e Recopa Sudamericana (3-1 ao Botafogo).

Seguiu-se uma aventura no Japão. Pelos Kashima Antlers, Leonardo fez 63 jogos e marcou 36 golos. Ganhou uma J-League e encontrou ou reencontrou vários brasileiros: Zico, Mazinho, Mozer ou Jorginho. Seguiu-se um dos grandes amores da sua vida, o PSG, onde curiosamente, só estaria um ano completo, como jogador. Em 1996-1997, aterrou no Parc des Princes para 43 jogos, 10 golos e 0 títulos. Eram os dias de Dely Valdes, Mboma, Loko, Cauet, Raí, Domi, N´Gotty ou Lama. Anelka dava os primeiros e seguros passos e Kenedy fez quase 40 jogos em França. Leonardo, tal como Raí ou Valdo, conquistou os parisienses com o seu futebol perfumado, mas não resistiria a mudar-se para Itália e para o seu outro grande amor europeu. Depois de 3 jogos pelo PSG na nova época (já com Simone, Edmilson ou Maurice) chegou a San Siro.

Em Itália, voltou a encantar, fazendo 119 jogos e marcando 28 vezes. Venceu uma liga e uma taça. Weah, Ganz, Boban, Donadoni, Savicevic, Albertini, Desailly, Maldini ou Costacurta foram apenas algumas das estrelas com as quais jogou. O fim da carreira seria de regressos: 18 jogos no São Paulo de Kaká, Luís Fabiano e Belleti; 7 jogos (1 golo) no Flamengo de Leandro Machado, Liedson e Pektpvic e 5 jogos (2 golos) no Milan de Shevchenko, Inzaghi e Pirlo.

Pela seleção A, 60 jogos e 8 golos. Participou nos Mundiais de 1994 (campeão do mundo) e 1998 (finalista) e nas Copas América de 1995 (perdeu na final) e 1997 (venceu). Esteve ainda na Taça das Confederações de 1997, assistindo aquele golo de Roberto Carlos a Barthez. Pelas equipas jovens, esteve no Mundial sub-20 de 1989, sendo eliminado pelo campeão, Portugal, nas meias. Camisa 4, Leonardo tinha ao lado, Sonny Anderson ou Assis.

Cadete

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
21
Mai22

 

Jorge Cadete poderia ter sido o avançado que faltou à seleção portuguesa nos anos 90, até à explosão de Pauleta, mas, acabou por ficar na história mais por uma fabulosa época em Glasgow do que por uma carreira consistente.

Cadete, hoje com 53 anos, nasceu em Moçambique, mas foi já em Portugal que começou a carreira. Passou pela Académica de Santarém, mas seria no Sporting que acabaria a formação. Em 1987-1988 estreou-se como sénior, participando em 8 jogos. Passaria a época seguinte em Setúbal, sob o comando de alguém que sabia bem o que era ter sucesso no ataque leonino: Manuel Fernandes. No Bonfim, marcou 10 golos e ajudou a equipa a chegar ao 5.º lugar, aprendendo também com o grande Rui Jordão, que aos 36 anos ainda marcou mais 1 golo do que Cadete. Obviamente, regressou a Alvalade para ficar cinco anos seguidos.

Fez 81 golos nessas cinco épocas e chegou a ser capitão de equipa. No regresso marcou por 7 vezes, mas o Sporting ficou em 3.º lugar. Apareciam Figo, Marinho e Paulo Torres e andavam por lá consagrados como Cascavel, Oceano ou Carlos Manuel. Na época seguinte, 10 golos e novo 3.º lugar, já com Balakov, Peixe ou Douglas. À terceira, o Sporting fez ainda pio, terminando em 4.º, mas Cadete explodiu, com 26 golos partilhando já o balneário com Iordanov, que marcou por 10 vezes na estreia. Já com a concorrência de Juskowiak (10 golos), Cadete fez 23 golos e o Sporting regressou ao 3.º posto. Em 1993-1994, novo terceiro lugar e derrota no Jamor na finalíssima da Taça. Cadete ficou-se pelos 15 golos.

No ano seguinte já não contava e mudou-se para o Brescia. Fez apenas 1 golo e regressou a Lisboa, mas em 7 jogos, divididos em duas meias épocas não mais marcaria pelo clube do coração. Mas faria parte do plantel que venceria a Taça (2-0 ao Marítimo, com bis de Iordanov) e a Supertaça do ano seguinte (3-0 ao Porto em Paris) mesmo não tendo estado nas decisões.

O próximo destino seria Glasgow. O Celtic recebeu-o de braços abertos e nos 6 primeiros jogos, Cadete fez 5 golos. Deixou água na boca para a época seguinte. Com razão. Em 1996-1997, Jorge Cadete, de 28 anos, usando a camisola 11 do Celtic marcou 33 vezes em 44 jogos. Curiosamente, não foi campeão. Os únicos trofeus que venceu na carreira foram os dois no Sporting, quando já não contava. Ainda assim, tornou-se num herói de culto jogando ao lado de Di Canio ou van Hooijdonk. Cadete escolheria deixar a Escócia, tentado por uma liga maior. Provavelmente, tendo ficado, teria ganho trofeus e marcado muitos mais golos.

Do Celtic para o Celta. Em Vigo, Cadete marcou pouco e esteve pouco tempo. 8 golos em época e meia devolveram-no a Lisboa. Cadete chegou ao Estádio da Luz em 99 para marcar 3 vezes. Estava já numa fase de fraca pontaria, o que não melhorou nas estadias no Bradford, Estrela da Amadora, Partick Thistle, Pinhalnovense ou São Marcos. Já reformado, chegou a passar mal financeiramente até se levantar e ter o seu negócio, de sucesso.

Pela seleção, marcou 6 vezes em 36 jogos, tendo sido chamado ao Euro 96. Com a seleção a falhar a presença na maioria das competições, não esteve em mais nenhum grande evento.

Terminou a carreira com 442 jogos e 151 golos. Nada mau.

Hateley

Heróis de Culto

Francisco Chaveiro Reis
19
Mai22

 

Vendo o jogo de ontem, do Rangers, lembrei-me do grande avançado inglês Mark Hateley. Filho de outro avançado, Tony Hateley, que passou por Aston Villa, Chelsea, Liverpool ou Birmingham, Mark, nascido há 60 anos em Wallasey, Merseyside, iniciou a carreira em 1978, no Coventry. Em 1980, aos 18 anos, teria uma experiência, por empréstimo nos Detroit Express antes de regressar a Inglaterra para se afirmar. 34 golos em três épocas levaram-no até Portsmouth onde marcou 22 numa só.

Em 1984 saltou da segunda divisão inglesa para a primeira italiana, provavelmente, a melhor da Europa. Ganhou a camisola 9, batendo-se com Verdi ou Incocciati e tendo a companhia do compatriota Ray Wilkins. Um tal de Paolo Maldini dava os primeiros passos numa defesa que tinha já Tassotti, Galli e Baresi. À primeira, 6.º lugar na liga (vencida pelo Hellas Verona) e 2.º na Taça (final a duas mãos perdida para a Sampdória de Vialli, Mancini e Souness). A segunda época seria pior, mesmo com a ajuda de Paolo Rossi, já que o Milan ficaria em 7.º a 14 pontos da Juventus de Platini e a 3.º e na última o Milan, já com Massaro, voltaria ao 6.º, vendo o Nápoles de Maradona levar o caneco. 21 golos depois, Hateley iria para o Mónaco.

No Principado, onde nasceu o filho Tom, futebolista profissional na Polónia, Tom marcou 14 vezes (a melhor época em anos) e foi campeão sob a orientação de Arsene Wenger. Amoros, Puel, Dib e o também inglês Hoddle acompanharam-no na glória. Na segunda época ainda conheceu Weah ou Petit, mas marcou apenas 7 golos e ficou em terceiro. Na última temporada, só marcou 2 vezes e voltou a ficar em terceiro.

Seguiram-se os anos de glória maior numa estadia em Glasgow entre 1990 e 1995, marcando 112 golos e sendo decisivo na vitória de múltiplos títulos. Na estreia, fez 15 golos, foi campeão e venceu a taça ao lado de homens como McCoist, Souness ou Butcher. No ano seguinte, 23 golos e nova dobradinha. No terceiro ano, a terceira dobradinha e fantásticos 27 golos. Aos 32 anos, fez ainda melhor: 30 golos. E já tinha Duncan Fergunson no plantel. E títulos? Novo campeonato, vitória na nova Taça da Liga e final da taça, com…derrota. A taça iria para o Dundee United. Na quinta época, “apenas” 15 golos, mas a vitória do quinto campeonato seguinte. E foi “só”. Eram já os dias de Brian Laudrup e Boli, campeão europeu pelo Marselha, também se juntou. Hateley ainda começou a época seguinte e marcou mais 2 golos. Seria campeão, mas sairia após 4 jogos. Em Glasgow chegaram Salenko, Erik Bo Andersen ou Van Vossen.

Seguiu-se a estreia na Premier League. Marcou 5 golos pelo QPR e nenhum pelo Leeds. Regressaria aos Rangers para 4 jogos, 1 golo e, adivinhe-se, um campeonato e viu Paulo Gasgoine a brilhar. Ainda passaria pelo Hull City e acabaria na Escócia, no Ross County mas, o último de muitos golos tinha sido aquele último, pelo Rangers.

Pela principal seleção inglesa, fez 32 jogos e 9 golos, tendo sido chamado ao Mundial 1986 e ao Euro 1988. Pelas seleções jovens deu-se melhor. No Euro de sub-21, em 1984, marcou 4 vezes à França, num 6-1 e marcaria mais 2 golos na prova, um deles na primeira mão da final. A Inglaterra seria vencedora. Dois anos antes, tinha marcado outros 2 golos na edição de 1982 da prova.

Hateley, goleador, terminou a carreira com 645 jogos e 229 golos.