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Visão do Peão

Visão do Peão

Sporting rescinde com as claques

Francisco Chaveiro Reis
21
Out19

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Numa decisão que parece apenas pecar por tardia, o Sporting "rasgou" o protocolo que assinara com as suas duas principais claques. Desde a invasão de Alcochete que se esperava uma decisão deste género. Obviamente que muitos elementos das claques são impolutos, querem o melhor do Sporting e apoiam-no incondicionalmente, um pouco por todo o mundo mas depois de Alcochete e dos acontecimentos do último sábado, esta é uma decisão natural. As claques não têm apoiado as equipas, antes atacado dirigentes e jogadores e os compromissos financeiros não têm sido honrados. Adivinham-se tempos difíceis mas Frederico Varandas mostra ser um homem corajoso, tomando uma decisão sem precedentes.

Primeira liga cai na Taça

Francisco Chaveiro Reis
21
Out19

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Para além do Sporting, Guimarães (eliminado pelo Sintra Football), Marítimo (Beira-Mar), Aves (Farense), Portimonense (Académica), Boavista (Chaves) e Tondela (Feirense) caíram na 3.º eliminatória da Taça de Portugal. O Famalicão ainda se assustou mas eliminou o Lusitânia, nas grandes penalidades. Neste momento, estão em prova mais equipas do Campeonato de Portugal do que da primeira divisão. Mais do que pensar que as equipas de primeira abordaram o jogo com desdém pelas equipas de divisões inferiores, analisando os jogos, percebe-se que a qualidade na abordagem aos jogos é cada vez maior e não tem fronteiras nas divisões. Houve Taça! 

Rui Jordão (1952-2019)

Francisco Chaveiro Reis
20
Out19

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Rui Jordão, antigo avançado de Sporting, Benfica e seleção portuguesa, morreu aos 67 anos, vítima de problemas cardíacos. Pintor e escultor, Jordão foi muito mais do que um futebolista, mas ficou conhecido pelos seus muitos golos. Nascido em Angola, Jordão começou por lá a jogar futebol e a destacar-se. Também no atletismo se destacou, ficando conhecido como “Gazela de Benguela”. Veio para a Metrópole, para jogar pelas camadas jovens do Benfica. Entre 1971 e 1976, jogou ao mais alto nível, na equipa A do Benfica. Jogou com mitos como Eusébio, Nené, Artur Jorge, Jaime Graça ou Humberto Coelho e ajudou a conquistar quatros campeonatos e uma taça, marcando 79 golos. No verão de 1976, o Saragoça pagou 9 mil contos por Jordão e o avançado experimentou a liga espanhola onde marcou 14 golos. Uma época depois, regressou a Lisboa para se juntar a Manuel Fernandes e António Oliveira no ataque do Sporting. Ficou até 1987 marcando 184 golos em 262 jogos, envergando a camisola 11 e vencendo dois campeonatos, uma taça e uma supertaça. Pelo meio, esteve nos EUA, nos Jacksonville Tea Men, numa curta aventura. Jordão acabaria a carreira após duas épocas no Vitória de Setúbal, marcando 12 golos, sendo que 11 deles foram na época de despedida. Por Portugal, jogou 43 vezes, tendo estado no Euro 84, onde ajudou Portugal a ficar em terceiro lugar na prova. Em França, marcou 2 golos em 4 jogos. 

Em Alverca, para defender a Taça

Francisco Chaveiro Reis
17
Out19

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A 17 de outubro de 1999, o Alverca recebeu e venceu o Sporting (que seria campeão), por 2-1. Rui Borges e Anderson Luiz deram a vitória aos ribatejanos que sofreriam um golo do lateral Rui Jorge. Hoje, exatamente 20 anos depois, com o Alverca nas divisões inferiores, o Sporting volta ao Ribatejo, desta vez para começar a defender o título de vencedor da Taça de Portugal. Silas teve algum tempo para passar as suas ideias e mesmo que não tenha contado com diversos internacionais (Fernandes, Coates ou Acuña) deve apresentar hoje, uma equipa já com algum cunho pessoal. Jesé, que terá dado boa conta de si, deve ser titular, assim como Max, Ilori, Neto ou Borja, habituais suplentes. Na cabeça de todos os sportinguistas está apenas a vitória, de preferência, sem golos sofridos e sem confusão fora do relvado.

Craques da bola, 17

Francisco Chaveiro Reis
15
Out19

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Aos 48 anos, Enrico Chiesa é conhecido por ser pai do extremo Federico, que brilha na Fiorentina e tem sido associado à Juventus. Mas a vida de Enrico fica marcada, sobretudo, por ter sido um avançado mortífero.

Iniciou-se no fim dos anos 80, na Sampdória. Jovem, foi emprestado a Teramo e Chieti (7 golos em cada um dos clubes) e regressou ao plantal dos genoveses em 1992-1993. Com Mancini, Lombardo, Jugovic ou Pagliuca ainda fez 26 jogos, mas só marcou 1 golo. Voltaria a rodar, por Modena e Cremonese (14 golos em cada um dos clubes, dobrando o número de golos dos empréstimos anteriores). Em 1995-1996, regressou à Samp para marcar 22 golos em 27 jogos. Não cumpriria a época seguinte por ali, mudando-se para o Parma. Na Sampdória, fez parte do plantel que conquistou a Taça das Taças de 1990 (2-0 ao Anderlecht).

No Parma, na época áurea da Parmalat, conviveu com um plantel de luxo: Bucci, Buffon, Benarrivo, Cannavaro, Thuram, Sensini, Stanic, Zola ou Crespo. Em três épocas, 55 golos em 125 partidas e a conquista de uma Taça UEFA e de uma Taça de Itália, ambas em 1998-1999, já com Fiore, Balbo, Boghossian, Verón ou Fuser.

Seguiu-se Florença (onde nasceria Enrico) onde jogou três épocas e venceu uma Taça de Itália e marcou 45 golos em 85 tentativas. Por lá, conheceu Rui Costa, Batistuta, Di Livio, Nuno Gomes ou Toldo. Aos 32 anos, decidiu ir para Roma, lutar com Claudio Lopez, Simone Inzaghi e Bernardo Corradi por um lugar no onze da Lázio. Marcou 7 golos e mudou-se para Siena onde passaria cinco bons anos (33 golos em 134 johos). Ainda passou pelo modesto Figline, onde, em duas épocas, marcou 10 golos. Acabou a carreira em 2010, com 39 anos.

Pela sua seleção, numa altura em que jogavam Zola, Baggio, Vieiri, Totti ou Inzaghi, fez 22 partidas e 7 golos, tendo estado presente no Euro 1996 e no Mundial 1998.

Craques da bola, 16

Francisco Chaveiro Reis
12
Out19

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Mário Jardel Almeida Ribeiro, hoje com 46 anos, é uma lenda do futebol português, onde viveu os seus melhores momentos. Dava a sensação de ter peso a mais, de nem saber correr adequadamente, mas a verdade é que estava sempre no sítio certo. Estranhamente, a sua magia funcionou em Portugal e no Brasil, a espaços e Jardel nunca chegou a ter sucesso numa das grandes ligas.

Estreou-se como sénior no Vasco da Gama (depois do bicampeonato nos juniores) e “fez miséria”. 75 jogos e 36 golos. Por lá andavam Valdir (passaria pela Luz), Paulo Silas (tinha brilhado no Sporting) ou Carlos Germano, histórico guarda-redes vascaíno. Com três títulos cariocas no bolso, mudou-se para o Grémio. Em Porto Alegre, brilhou na Copa Libertadores da América de 1995, conquistada pelo Grémio. Em 91 partidas, 81 golos. Eram números impressionantes para um avançado de 22 anos.

Chegou às Antas no verão de 1996, para quatro anos de sonho: 168 golos em 175 jogos e a conquista de três campeonatos, duas taças e três supertaças. Servido por Zahovic, Drulovic ou Artur, Jardel tornou-se numa máquina goleadora. Pouco tempo depois de chegar à Europa, o FCP foi a San Siro vencer o todo-poderoso Milan por 2-3. Simone adiantou os da casa, Artur empatou e Weah (no jogo em que pisou Costa) deu nova e natural vantagem aos rossoneri. Saído do banco, Jardel faria os dois golos que dariam a vitória ao Porto. Outro jogo histórico foi em dezembro de 1997, ante do Juventude de Évora. Jardel entrou ao intervalo e marcou sete golos (incluindo um de “letra”) no 9-1 final.


Quando seria de esperar uma mudança para Espanha ou Itália, Jardel acabou na Turquia. Na estreia, vitória ante do Real Madrid e conquista da Supertaça europeia, com dois golos seus. Nada mau. Fez 33 golos, mas acabou por regressar a Portugal.


No verão de 2001, Jardel chega a Alvalade. No negócio, o Sporting enviou Spehar, Horvath e Mpenza para a Turquia e recebe um homem essencial no título desse ano. A formar dupla de sonho com João Pinto e ainda com o apoio de Viana, Bento ou Barbosa, o Sporting é campeão e Jardel marca 55 golos. Ficaria mais um ano e marca mais 12 golos mas entra em declínio. Suspeita-se do consumo de álcool e de drogas e do vício do jogo.
Começa então um loop de passagens relâmpago por Bolton, Ancona, N.O. Boys, Goiás, Beira-Mar, Anorthosis, Newcastle Jets, Ferroviário, América CE, Flamengo PI e Cherno More. Sem grande sucesso, durante anos, consegue, ainda assim, despedir-se com classe e com 18 golos em 17 jogos pelos sauditas do Al Taawon.
Pelos seniores, nunca convenceu os selecionadores brasileiros, ainda que a concorrência fosse forte e só jogou 10 vezes pelo Escrete, marcando 1 golo. Com duas Botas de Ouro no currículo, talvez merecesse mais e talvez fosse justa a chamada ao Mundial 2002 depois de 55 golos no Sporting. Edilson e Luizão ganharam a corrida.

Jardel venceu diversos prémios individuais: FFHS - Maior goleador do Mundo: 1999 e 2002; Bota de Ouro da UEFA - Maior goleador da Europa: 1999, 2002; Bota de Prata da UEFA: 1997; Bota de Bronze da UEFA: 2000; Bola de Ouro de Portugal: 1996–97, 1997–98 e melhor jogador do Campeonato Português: 1996–97, 1998–99, 2001–02.

Craques da bola, 15

Francisco Chaveiro Reis
11
Out19

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Adriano Ribeiro, hoje com 37 anos, teve momentos muito bons numa carreira com destaque maior em Itália. A depressão e as adições fizeram com que o percurso não fosse tão brilhante como seria de desejar, mas ainda assim notabilizou-se como um dos grandes avançados brasileiros dos anos 2000.

Estreou-se pelo Flamengo, fazendo 12 golos em 46 jogos entre 2000 e 2001. Aos 18 anos, acabou por vencer a concorrência de Leandro Machado (passara pelo Sporting e Valência) ou Edilson (Benfica). Venceu cinco títulos pelo Mengão antes de rumar à Europa.

Pelo Inter de Milão, na primeira passagem, não convenceu. Ainda a adaptar-se e com a concorrência de Ronaldo, Kallon, Recoba ou Vieiri, marcou apenas um golo em 13 tentativas. Seguiu para Florença onde fez 6 vezes a festa do golo, não que a concorrência fosse menos feroz, com Ganz, Nuno Gomes ou Chiesa no plantel.

A época seguinte foi de afirmação no…Parma. Emprestado, Adriano fez 18 golos em 31 jogos. Mutu, Di Vaio, Gilardino, Nakata, Lamouchi e Cannavaro eram alguns dos seus companheiros para além dos seus conterrâneos, Taffarel, Júnior e Matuzalém. Nem assim, o Inter se convenceu e a época seguinte – 2003-2004 – começaria com o avançado no Parma. Marcou mais 9 golos em meia época e finalmente teve a sua oportunidade em Milão.

Entre 2004 e 2008 viveu os melhores anos da carreira, marcando 71 golos e ajudando o clube a vencer quatro campeonatos, duas taças e duas supertaças e ganhado o título d´Imperador. Eram os tempos de Roberto Mancini no banco e de uma grande equipa que, para além do brasileiro, contava com Ibrahimovic, Cruz, Stankovic, Figo ou Vieira. No entanto, com a morte do pai, em 2006, a sua carreira começou a cair e depois de problemas psicológicos e de consumo de álcool, acabou por regressar ao Brasil onde se recuperou e jogou seis meses pelo São Paulo (17 golos).

Regressou a Milão para mais 7 golos em 22 partidas, mas em abril de 2009, sem dar cavaco, deixou Itália e regressou ao Brasil. Sucederam-se os rumores sobre o seu paradeiro e até se falou na sua morte. Afinal, Adriano estava na favela onde nasceu, com a família e anunciou ter perdido a alegria de jogar e que iria fazer uma paragem no futebol. Depois de três semanas de indefinição, o Inter anunciou a rescisão amigável e em maio, Adriano estava de volta ao futebol e ao Flamengo. Pelo Mengão, voltaria a ser feliz. Jogou ao lado de Pektovic e de Love (a dupla ficou conhecida como Império do Amor), marcou 34 golos em 48 jogos e venceu um campeonato brasileiro.

O comportamento de Adriano fora do campo foi sempre polémico e a saída do Flamengo tornou-se inevitável. Regressaria a Itália para nem um golo marcar pela Roma e rescindiria. Seguiram-se passagens pálidas por Corinthians (2 golos), Flamengo (terceira passagem sem jogos nem golos) Atlético Paranaense (1 golo). Esteve com um pé no Le Havre mas só voltaria a jogar pelo Miami FC, em 2016, 2 anos depois do último jogo. Marcou um golo na quarta divisão norte-americana e despediu-se dos relvados, aos 34 anos. Culpa sua e má fortuna, fizeram com que não fosse ainda mais longe.

Pela seleção, Adriano foi vencedor, melhor jogador e melhor marcador da Copa América de 2004 e da Taça das Confederações de 2005, mas falhou no Mundial 2006. Fez 48 jogos e marcou 27 golos pelo Escrete. Campeão do Mundo, só nos sub-17, em 1999 . Venceu ainda o Sul Americano de 2001, em sub-20.

Paz podre

Francisco Chaveiro Reis
11
Out19

O Relatório e Constas do Sporting, referente a 2018-2019, foi aprovado com cerca de 53% dos votos a favor e a direção de Frederico Varandas saiu legitimada da AG de ontem. No entanto, o clima que se vive está longe de ser pacífico. Tal como tem vindo a acontecer nas últimas semanas, o presidente do Sporting foi vaiado e insultado, criando-se um previsível clima de guerrilha que terá feito com que apenas 1.352 sócios se tenham deslocado ao Pavilhão João Rocha. À saída da AG, Rogério Alves, declarou que “a divisão está patente”, mas deixou uma garantia: “na minha opinião [Frederico Varandas] tem todas as condições para presidir ao Sporting. Mesmo que o relatório tivesse sido rejeitado, isso não implicaria a queda da Direção. Do meu ponto de vista, após a aprovação do Relatório e Contas, não está em causa um referendo à Direção”.

Já Sousa Cintra, impedido de falar pelos mesmos que insultaram Varandas, atacou o atual presidente: “não tem jeito para o cargo”. Não na AG mas nas últimas horas, José Pedro Rodrigues diz que reestruturação financeira do Sporting não existiu e enviou uma carta à CMVM. Os erros de Varandas, que os existem, estão na origem de toda a desunião?

Craques da bola, 14

Francisco Chaveiro Reis
10
Out19

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Aos 49 anos, Bixente Lizarazu olha para trás e vê uma carreira repleta de títulos e de sucesso. Nascido no País Basco Francês, Lizarazu, começou a dar nas vistas no Bordeus, no qual se formou como jogador.

No Girondins, o lateral-esquerdo de 1,60 m, fez 246 partidas e marcou 22 golos, entre 1988 e 1996. Ganhou o título da segunda liga francesa em 1992, mas principalmente, fez parte de uma fantástica equipa girondesa que chegou à final da Taça UEFA, em 1996. Ao seu lado atuavam homens como Zidane ou Dugarry que o haveriam de acompanhar no sucesso pela seleção. Aos 27 anos, não fez a escolha mais lógica e trocou Bordeus pelo Athletic Bilbau. Mesmo sendo francês, era basco e foi aceite e acarinhado. Lizarazu conviveu com jogadores como Urzaiz, Joseba Etxeberria, Guerrero ou Karanka.

Só aos 28 anos se mudou para um clube que se pode considerar um gigante europeu: o Bayern de Munique, onde passou sete épocas de seguida e onde regressaria para mais época e meia e acabar a carreira (fez 15 jogos pelo Marselha em 2004-2005).

No Bayern, fez 182 partidas e marcou 7 golos. Venceu uma Liga dos Campeões, seis ligas alemãs, cinco taças e quatro supertaças. Partilhou o balneário com lendas como Kahn, Basler, Effenberg, Scholl, Matthäus ou Élber.

Pela seleção, viveu as maiores alegrias. Venceu duas Taças das Confederações e melhor, em 1998, foi Campeão do Mundo em casa, marcou um golo na competição e venceu o Brasil, então campeão em título. Dois anos depois, a França tornou-se campeã da Europa. Liza jogou 97 vezes por França, estando nos Euros 1996, 2000 e 2004 e nos Mundiais de 1998 e 2002. Jogou ainda duas Taças das Confederações, em 2001 e 2003.