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Visão do Peão

Hummels, o regressado

19.06.19, Francisco Chaveiro Reis

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Mats Hummels está de regresso ao Dortmund depois de ter saído do Dortmund para regressar ao Bayern. Confuso? O defesa alemão formou-se na Baviera e depois de fazer dois jogos pela equipa principal e de não ter muito espaço (Lúcio, Van Buyten e Demichelis estavam à sua frente), mudou-se para a Vestfália. Chegou em 2008-2009, com 19 anos e assumiu-se como titular. 26 jogos depois, o BVB contratou em definitivo e Hummels, mais tarde capitão, fez 25 golos em 309 partidas e foi bicampeão, para além de ter vencido uma taça e duas supertaças alemãs. Apanhou lendas como Ricken, Weindemfeller, Kehl, Worms, Dedé ou Kuba. Viu “nascer” outros como Reus, Gotze ou Sahin. Privou com Lewandowski. Com Klopp no banco, ajudou o Dortmund a chegar à final da Liga dos Campeões de 2014 mas quem sorriu por ultimo, foi o Bayern. Em 2015, rendeu 35 milhões ao Dortmund e juntou-se a Gotze e Lewandowski que tinha conhecido de amarelo. Fez mais de 100 jogos e quase 10 golos. Foi titular e ganhou 11 títulos nacionais, incluindo 4 campeonatos. A renovação do Bayern (James, Robben, Rafinha e Ribery não continuam e Muller está de malas feitas) levou a que o internacional voltasse ao Signal Iduna Park.

Portugueses no Atlético

17.06.19, Francisco Chaveiro Reis

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Até pode ser falso que João Félix esteja a caminho do Atlético de Madrid, mesmo que as notícias das últimas horas tenham sido nesse sentido, mas esta é uma boa altura para lembrar os portugueses que se aventuraram em Madrid, no lado vermelho e branco.

O bem-sucedido, foi El Portugues, Paulo Futre. O extremo formado no Sporting, passou pelas Antas antes de aterrar em Madrid, em 1987, como campeão europeu. Passou cinco épocas e meia no Vicente Calderón, vencendo apenas duas taças. O seu futebol merecia muito mais. Em 1998, antes de acabar a carreira no Japão, ainda regressou para 10 jogos no seu Atlético. Totalizou 173 jogos e 15 golos. Foi ainda dirigente, ajudando o clube a regressar à primeira liga, depois de tempos sombrios. João Vieira Pinto, então jovem avançado do Boavista, esteve para lhe seguir as pisadas, mas não passou da filial, Atlético Madrileño. Depois de não se ter adaptado, regressou ao Bessa. Mas antes de Futre, Madrid conheceu Jorge Mendonça. Depois de jogar por Sporting e Braga, Mendonça, avançado de descendência angolana, passou pelo Deportivo e, entre 1958 e 1966, jogou pelo Atlético (seguiu-se o Barcelona). Marcou 59 golos em 167 partidas. Ganhou uma liga, três taças e uma Taça das Taças.

O Atlético só voltaria a ter portugueses, na segunda divisão. Hugo Leal e Dani, promessas por cumprir no futebol português, aterraram em Madrid para causar boa impressão. Leal chegou em 1999 e ficaria duas épocas, antes de se mudar para Paris. Fez 71 jogos e marcou 6 golos. Dani passaria três épocas em Madrid, as últimas da carreira. Ora deslumbrou, ora desiludiu, chegando a haver uma história em que Futre apontou uma pistola ao joelho, daquele que só não foi o seu herdeiro, porque não o quis. Fez 64 golos e marcou 10 golos com a camisola colchonera.

2006/2007 voltou a levar portugueses a Madrid. Zé Castro, Costinha e Maniche vestiram a camisola do Atlético, numa época sem grande glória. Castro, chegado da Académica, não chegaria aos 40 jogos no clube, em duas épocas e acabaria por fazer carreiro no Deportivo e Rayo Vallecano. Costinha, em fim de carreira, faria 31 jogos e Maniche, também com os melhores anos atrás de si, ainda faria duas épocas e meia. Disputou mais de 80 partidas e marcou por 8 vezes.

Em 2008-2009, chegou Sabrosa. Simão Sabrosa falhara no Barcelona e regressara a Lisboa, para estrelar o Benfica. Em 2008 arriscou o regresso a Espanha e deu-se bem. 171 jogos e 31 golos (mais do dobro de Futre, em menos dois jogos). Venceu uma Liga Europa e uma Supertaça Europeia. Em 2009-2010, chegou Tiago Mendes. Após ter conhecido o sucesso na Luz, Chelsea, Lyon e Juventus, o médio chegou a Madrid para sete anos e meio. É o português com mais jogos no clube (212). Marcou 18 golos, apanhou já a fase Simeone e festejou uma Liga Europa, uma taça, um campeonato e uma supertaça.

Em 2011/2012, chegaram Sílvio e Pizzi, que não vingaram. Sílvio fez apenas 21 jogos. Pizzi, ficou-se pelos 15 jogos, mas acabou por dar a volta e ter sucesso em Portugal. Em 2014, chegou o guardião André Moreira, sucessivamente emprestado, que ainda não se estreou pelo Atlético. Em 2015-2016, Diogo Jota foi contratado, mas como João Vieira Pinto, nunca se estreou. Passou pelo FCP antes de chegar aos Wolves. No verão, chegou Gelson ao Wanda Metropolitano. Não encaixou nas ideias de Simeone e foi emprestado ao Mónaco, que já adquiriu o seu passo, em definitivo.

Fonseca faz cair Totti

17.06.19, Francisco Chaveiro Reis

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Acredito que Paulo Fonseca não tenha nada contra Francesco Totti e que a lenda da Roma também não tenha nada pessoal contra o treinador português, mas a verdade é que Fonseca é o motivo pelo qual Totti deixa a Roma depois de trinta anos. Totti não gostou de não ser ouvido na escolha do novo treinador – queria Gattuso – e despediu-se hoje do clube. Provavelmente, o melhor jogador da história da AS Roma (homem com mais jogos e com mais golos na história do clube, é), Totti jogou 25 anos no Olímpico, conquistando apenas cinco títulos (um campeonato, duas taças e duas supertaças) mas marcando 307 golos em 786 jogos. Uma coisa é certa, Fonseca, mesmo antes de dar um treino sequer, já é o homem que fez cair Totti. E não precisava nada dessa pressão.

Boban regressa a casa

17.06.19, Francisco Chaveiro Reis

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Aos 50 anos, um dos maiores da história recente do Milan, regressa a casa. Zvonimir Boban que nem estava nada mal na vida, como vice-presidente da FIFA, ao lado do interista Gianni Infantino, é o novo diretor para o futebol do Milan e irá trabalhar lado a lado com outra lenda, Paolo Maldini, que já estava ao serviço do seu clube de sempre.

Boban, croata, dono da camisa dez (sucedeu-lhe Rui Costa), esteve dez anos em San Siro, ajudando o Milan a dominar Itália e a Europa. Venceu quatro campeonatos, três taças, uma Liga dos Campeões e uma supertaça europeia. Ao lado tinha homens como Savicevic, Desailly, Albertini, Donadoni ou Baresi mas grande parte do sucesso rossonero naqueles anos, saiu dos seus pés.

Boban já está a trabalhar e deve anunciar em breve a chegada do novo técnico: Marco Giampaolo, ex-Sampdória. O italiano de 51 anos não tem qualquer trofeu conquistado e conta com uma carreira modesta, com passagens por clubes como Empoli, Cremonese, Brescia ou Ascoli. À partida, parece não ser entusiasmante, mas como se viu com Sarri (60 anos), o sucesso não escolhe idades. O desafio de Boban é reconstruir um Milan que tem vindo a desiludir época após época, mesmo tendo uma pesadíssima folha salarial.

Messi não é Maradona

17.06.19, Francisco Chaveiro Reis

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A Argentina de Messi será sempre uma desilusão até que o pequeno génio, Jesus para o Deus Maradona, vença um Mundial. Messi será sempre uma desilusão para os argentinos porque nunca será Maradona. Melhor ou pior, será sempre algo diferente. Messi é mais europeu, catalanizou-se e vê em La Masia a sua escola e a sua casa. É fatalmente diferente de Maradona que viu sempre a seleção como o seu habitat natural mesmo que também em Nápoles ou Boca, seja endeusado (justamente).

A Argentina não está condenada a não ser campeã do mundo. Bons jogadores é coisa que nunca falta nas Pampas, mas não se espere que Messi passe por uma equipa inteira e marque um golo ou muito menos que use a mão para colocar a bola na baliza. A Messi custa soltar-se na seleção e pesa-lhe a responsabilidade de ser Maradona. Talvez o caminho está em dar-lhe menos importância e deixar os outros brilhar. Mas havendo Messi, como não lhe passar a bola?

A esta altura é preciso lembrar que nem tudo tem sido mau. A Argentina chegou à final do Mundial 2014. Chegou às finais das duas últimas Copas América. Perdeu e Messi ameaçou deixar a seleção. Mas chegou lá. Ser segundo não mata a fome argentina, mas não é nada mau.


Na estreia na Copa América, derrota por 0-2 com a bem montada Colômbia de Carlos Queiroz. O golo fabuloso não foi de Messi mas sim de um tal de Roger Martinez. O passe teleguiado não foi de Messi mas sim de James. Nem o golo fácil, de só encostar à boca da baliza, foi de Messi mas sim de Duvan. Messi por ali andou. Viu Lo Celso, Di Maria, Guido Rodriguez ou Aguero à sua volta, mas ali ficou, ensimesmado e marcando fracamente dois ou três livres.

Talvez um dia, a Argentina se dê conta que Messi não é e não será Maradona e nessa hora, Messi possa soltar-se e ajudar todos os outros a serem campeões. Das Américas e do Mundo. Quem sabe.

A isto junta-se o outro factor determinante. A Argentina precisa de mais qualidade no comando técnico e provavelmente de um homem experiente e provavelmente não argentino.

Casa Pia e Vilafranquense na segunda

17.06.19, Francisco Chaveiro Reis

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Casa Pia e Vilafranquense vão jogar na segunda divisão em 2019-2020. O Casa Pia tinha vencido os açorianos do Praiense por 1-0, em Pina Manique, e a derrota fora por 2-1 foi suficiente para a subida, devido ao golo marcado fora. Miguel Bandarra foi o grande herói dos “gansos”, ao marcar o golo que deu, na altura, o empate a uma bola. Luís Loureiro, antigo médio, que chegou a passar pelo Sporting, é o treinador de uma equipa de qualidade que conta com Miguel Bandarra, Evandro Roncatto (11 golos, cada) ou José Embaló (9).

 

Já o Vilafranquense venceu a histórica União de Lelria nas grandes penalidades e vai-se estrear na segunda divisão. Depois de um 1-1 em Leiria, novo 1-1 em Vila Franca de Xira, seguindo-se um 4-2 nos penalties. Os comandados de Filipe Moreira contaram ao longo da época com a qualidade de Gustavo Tocantins, Wilson Santos ou João Vieira. Com a subida decidida, as duas equipas jogam no domingo, no Jamor, para determinar o campeão do Campeonato de Portugal.

Buffon dragão?

11.06.19, Francisco Chaveiro Reis

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O histórico Buffon é apontado à baliza do Dragão. O italiano de 41 anos não se deu bem no PSG, após uma vida em Itália, e procura novo desafio. Destinos não lhe faltam. Nos últimos dias falou-se no Fluminense e no regresso a Parma. Buffon é um excelente produto de marketing, um homem que transmite garra e vitória ao balneário e é, acima de tudo, ainda, um grande guarda-redes. Desportivamente, talvez Keylor Navas, anterioramente apontado, talvez fosse melhor opção mas sendo Buffon, uma possibilidade, não há como não a aproveitar. Casillas, até aqui titular no Porto, estará a intermediar a mudança. Boa notícia para o futebol português. 

Liga de Portugal

10.06.19, Francisco Chaveiro Reis

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Gonçalo Guedes, mascarado de Eder, marcou à Holanda e deu a Portugal, a segunda prova da UEFA, em três anos, antecipando as comemorações do Dia de Portugal. A caminhada da fase final só teve dois jogos, mas a festa no Porto foi grande. É bem verdade que a Liga das Nações é uma espécie de Taça da Liga, que só interessa a quem a vence, mas vencê-la é infinitamente melhor que não a vencer. Ainda para mais, não se sabe bem como irá evoluir e Portugal fica na história como o primeiro vencedor. Ronaldo, capitão, foi a figura da prova, com os seus três golos à Suíça. Por outro lado, Fernandes e Félix, fora de posição, não conseguiram brilhar como se queria. Guedes foi chamado a brilhar e cumpriu. Na final, Ruben Dias destacou-se.