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Visão do Peão

Continua o sonho do Ajax

17.04.19, Francisco Chaveiro Reis

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A Juventus, a caminho do oitavo campeonato italiano consecutivo, apostava forte nesta época para vencer a Liga dos Campeões, algo que não acontece há 21 anos. Para liderar esse projeto gastou 100 milhões de euros em Ronaldo, que aos 34 anos, tem cinco taças no bolso. O sonho acabou ontem aos pés do improvável (para quem anda distraído), Ajax. Depois de eliminar o Real no Bernabéu, o Ajax eliminou a Juventus, em Turim.

 

De 1971 a 1973, o Ajax venceu três Ligas dos Campeões, mas, para uma equipa que tinha Cruiff, isso não era surpresa. Em 1994-1995, um Ajax como o deste ano, aparentemente discreto e demasiado jovem, chegou à final de Atenas e pé ante pé, bateu o Milan. Kluivert, camisola 15, saído do banco deu a glória ao Ajax, 22 depois. Aos 18 anos, o avançado era a estrela do jogo tal como o foi ontem De Ligt, disputado central, que aos mesmos 19 anos é capitão do gigante holandês.

 

Vamos por fases. Fundado em 1900, o Ajax é um gigante europeu e obviamente, um gigante holandês. Nos Países Baixos, venceu 33 campeonatos, 18 taças e 8 supertaças. Para além das 4 Champions já referidas, venceu duas Taças Intercontinentais; 1 Taça UEFA, 1 Taça das Taças e 3 Supertaças Europeias. Tudo dito em termos de palmarés.

 

Os anos 70 foram lendários para os lados de Amsterdão. Rinus Michels, um dos melhores de sempre nos bancos da bola, orientava uma equipa de génios: Cruyff (melhor holandês de sempre que jogou pelo Ajax de 1964 até 1973), Stuy, Suurbier, Krol ou Neskeens.

 

Em 1994-1995 (haveria de ser bicampeão holandês), o Ajax era orientado por Louis Van Gaal. Contava com Blind e Rijkaard como líderes da equipa mas era sobretudo composto por jovens até aos 25 anos: Van der Sar, Reizeger, Frank e Ronald de Boer, Davids, Seedorf, Overmars, Kanu, Kluivert e Litmanen. Poucos esperavam grande sucesso europeu. No Grupo D, o Ajax superou o…Milan e ficou em primeiro. Casino Salzburg e AEK ficaram por terra. Curiosamente, o Ajax venceu os dois jogos por 2-0. Nos quartos, 3-0 ao Hajduk Split em duas mãos (0-0 na primeira) e 5-2 ao Bayern (0-0 na primeira mão). Com 6 golos, o finlandês Litmanen era a grande figura do Ajax. A 24 de maio de 1995, o Milan era favorito, com uma equipa mais experiente e cheia de estrelas: Baresi, Maldini, Albertini, Boban, Donadoni, Massaro ou Simone. De 1 a 11, o Ajax apostou em Van der Sar, Reizeger, Blind, Rijkaard, Frank de Boer, Seeford, Finidi, Davids, Ronald de Boer, Litmanen e Overmars. O 14, Kanu e o 15, Kluivert seriam chamados a jogo. Aos 85 minutos, Kluivert fez história.

 

O resto dos anos 90 e os anos 2000 pouco trouxeram ao Ajax europeu. Em 2017, Peter Bosz conduziu a equipa que perdeu a final da Liga Europa, contra o United de Mourinho. Pareciam estar lançadas as primeiras pedras para o que aí vinha. Dessa equipa já faziam parte Onana, De Ligt, Veltman, Schone, Ziyech ou Van der Beek, ontem titulares. Com o equilíbrio perfeito entre jovens da casa como Sinkgrave ou Frenkie de Jong; jovens potenciados em Amsterdão como Onana, Mazraoui, Neres ou Dolberg; jogadores experientes como Veltman ou Schone e contratações caras como Tadic e Blind (regresso), o Ajax tem jogado um futebol ambicioso e tão bonito como o dos anos 70 e chegar às meias já é uma vitória de um certo futebol romântico sobre o futebol enriquecido de hoje em dia.

Craques da bola, 2

16.04.19, Francisco Chaveiro Reis

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Aos 52 anos, Ivan Zamorano ainda será o melhor jogador chileno de sempre. Fez carreira em vários clubes de topo e fez dupla de sonho com Marcelo Salas na seleção. Bam Bam nasceu em Santiago do Chile em janeiro de 1967 e começou a dar nas vistas em 1985, no modesto Tresandino. Marcaria 27 golos, com apenas 18 anos, e regressaria ao Cobresal onde ficaria até 1988, vencendo uma Taça do Chile, antes de sair.

 

As portas da Europa foram-lhe abertas pelo St. Gallen e pela liga suíça. Faz 34 golos em 56 jogos, nada vence, mas ganha uma transferência para o Sevilha e para uma das principais ligas europeias. Encontraria nomes como Dasaev, Toni Polster, Suker ou Monchi. O passo seguinte seria o maior da sua carreira: o poderoso Real Madrid.

 

Zamorano não teve grandes dificuldades em dar-se bem no Bernabéu. Venceu apenas um campeonato, uma taça e uma supertaça, mas deixou 101 golos em 173 jogos pelo Real. Conviceu de perto com históricos blancos como Buyo, Hierro, Sanchis, Alkorta, Lara, Milla, Martin Vazquez, Michel ou Butragueno. Conheceu ainda os jovens Urdaiz, Esnaider, Luis Enrique, Alfonso, Dani Garcia ou Raul. Depois de um horrível sexto lugar em 1995-1996, mudou-se para Itália onde o esperava o Inter.

 

O Inter, sedento de títulos, estava sempre no mercado e a hipótese de contratar um goleador ao Real Madrid foi bastante sedutora. Ainda sem Ronaldo, Zamorano vestiu a camisola 9, aguentou a concorrência de Kanu, Branca, Carbone ou Ganz e marcou 10 golos. Nessa época, perdeu a final da Taça UEFA para o Shalke 04 de Lehman, mesmo tendo Djorkaeff, Ince, Sforza ou Zanetti do seu lado. A época seguinte, foi pior para si. Marcou apenas 4 golos em 20 jogos mas ajudou a vencer a Taça UEFA. Aos 21 anos, Ronaldo era a nova estrela do Inter (ainda com a camisa 10) tendo marcado mais 30 golos do que o chileno e sido decisivo na final europeia contra a Lázio.

 

1998/1999 seria a sua melhor época em Itália. Nada venceu mas marcou 14 golos. Passou a ser o 18 (o 9 foi finalmente para Ronaldo) mas por rebeldia usou sempre um + entre o 1 e o 8. Nunca deixou de ser o 9. Nesses tempos já via despontar Recoba e Ventola e via Simeone, Zé Elias ou Paulo Sousa no meio-campo. Entre 1999 e 2001 ainda marcou mais 10 golos mas aos 34 anos despediu-se da Europa. Poderia ser uma boa idade para se retirar mas jogou até 2003.

 

Primeiro, foi campeão mexicano pelo América (33 golos em 63 jogos). Acabou no popular Colo-Colo, onde ainda marcou 8 golos. Pelo seu Chile, jogou 69 vezes e marcou 34 golos. O destaque vai para a presença no Mundial 1998, JO 2000 e em cinco Copas América: 1987, 1991, 1993 e 1999. Passou por dois gigantes europeus na época errada, podendo ter ganho mais títulos mas deixou uma marca.

Lembrar o Campomaiorense

16.04.19, Francisco Chaveiro Reis

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Quando penso no Campomaiorense, penso na passagem de grandes jogadores pelo pequeno clube alentejano como Jimmy, Stoilov ou Isaías; penso nos míticos equipamentos que a equipa envergou e penso na chegada histórica ao Jamor. Vamos lembrar um pouco da história do clube?

O Sporting Clube Campomaiorense nasceu em 1926, contando com 92 anos. Pouco depois dos seus anos de glórias na primeira divisão e chegada à final da Taça de Portugal (1999), o clube caiu na segunda divisão e o futebol sénior profissional foi extinto. O clube, no entanto, continua a existir e a ser uma referência na região, em diversas modalidades e sobretudo para as camadas jovens.

Em 1994-1995, o Campomaiorense, presidido pelo Comendador Rui Nabeiro (um dos seus filhos é o presidente atual) e treinado por Manuel Fernandes, trajando de verde e branco com listas à Sporting, subiu à primeira divisão, pela primeira vez na sua história.

Eram os tempos do FCP campeão com Domingos, Folha e Drulovic; do Sporting com Figo, Amunike ou Balakov; do Benfica de João Pinto e Caniggia e do Tirsense e Farense a fazerem grandes épocas. Eram esses tempos, mas também era o tempo do Campomaiorense. Com homens experientes como Jorge Neves, Lito Vidigal ou Gila e com o goleador croata Rudi (21 golos) no plantel, a equipa ficou em segundo lugar e subiu de divisão.  O Leça, do goleador Constantino (passaria depois por Campo Maior) e o Felgueiras de Lewis, treinado por Jorge Jesus também subiriam.

O ano de estreia não correu bem e o Campomaiorense regressou à segunda divisão. O clube venceu dez jogos e contou com jovens jogadores interessantes como Beto, Nuno Afonso, Paulo Torres e Stoilov. Mas estrela era um jovem holandês, nascido no Suriname, chamado Jimmy que haveria de brilhar na Premier League. De facto, Jimmy não desceu com a equipa e passou para o Boavista. Em 1996-1997, Diamantino Pereira fez da equipa, campeã da segunda divisão. Stoilov, com 13 golos, foi a figura maior de uma equipa que tinha ainda Abel Silva, figura das seleções nacionais jovens.

O melhor período da história do clube, em termos de futebol, seria entre 1997 e 2000. 1997-1998 seria ano de um confortável 11.º lugar, com João Alves no banco. O Campomaiorense preparou-se melhor e contou com reforços que fariam história na liga portuguesa: Demetrius, Telmo, Marinho ou Jorge Ferreira. Isaías, que brilhara no Benfica, regressaria a Portugal para marcar 14 golos pelos alentejanos e ser a estrela da companhia. 1998-1999 seria ainda melhor. O 13.º não foi motivo de grande preocupação e o Campomaiorense chegou ao Jamor, perdendo 1-0 com o Beira-Mar. Eram os tempos do treinador António Sousa e do seu filho, Ricardo Sousa, estrela, capitão e autor do golo da festa. Nessa tarde história, José Ferreira, substituto de Alves, colocou em campo: Poleksic, Quim Machado, René Rivas, Marco Almeida e Rogério Matias; Nuno Campos, Basílio Marques e Mauro Soares; Laélson, Demétrius e Isaías. Jogaram ainda Vitor Manuel e Welington. Curiosamente, Gila e Jorge Neves, centrais do Beira-Mar haviam passado pelo Campomaiorense.

No ano seguinte, novo 13.º lugar e época tranquila. Marco Silva, José Soares, Poejo, Cao, Hugo Cunha ou Constantino foram as novidades do plantel. No ano seguinte, acabou-se a tranquilidade e o Campomaiorense acabou em 16.º e desceu de divisão apesar de ter alguns bons jogadores ao seu serviço como Paulo Vida, Filipe Azevedo, Detinho, Mário Jorge ou Duka. O Campomaiorense e o Alentejo não voltaram a ver a primeira divisão e o clube acabou com o futebol. Ficam as memórias.

Como amante de camisolas de futebol, não poderia esquecer o rebranding do clube no seu período primodivisionário. Em 1998, o Campomaiorense deixou para trás o leão e o escudo quase igual ao do Sporting e o equipamento às listas. Nasceu um símbolo moderno, com um galgo como nova mascote. A Reebok tomou conta dos equipamentos e fez duas obras primas. Um verde, com apontamentos de amarelo e cor de vinho, com um design moderno e outro, cor de vinho, com pormenores de amarelo e branco. O patrocínio era sempre o mesmo: Delta. Há ainda, fugazes registos de outras obras primas da marca britânica para o Campo Maior como esta e esta.

Quinzinho morre aos 45 anos

15.04.19, Francisco Chaveiro Reis

É a notícia triste do dia futebolístico. Quinzinho, angolano de 45 anos que jogou pelo FCP nos anos 90, morreu aos 45 anos. O antigo avançado não resistiu a um ataque cardíaco. Joaquim Alberto Silva chegou a Portugal em 1995 para jogar pelo FCP. Marcou 2 golos em 11 jogos e foi emprestado à União de Leiria (18/3) e Rio Ave (25/8). Regressaria às Antas para mais uma época, fazendo mais 6 golos. Ainda com contracto com os dragões, foi emprestado a Rayo Vallecano, Farense e Aves antes de se vincular ao Alverca. Passaria pelo Estoril antes de explorar a liga chinesa. Acabaria a carreira em Angola, jogando pelo Recreativo de Caala e pelo ASA, acabando onde começou. Pela seleção, jogou os CAN de 1996 e 1998. Quinzinho era pai de Xande Silva, promissor avançado português, agora ao serviço do West Ham depois de ter dado nas vistas pelo Guimarães.

Não querem ser campeões

15.04.19, Francisco Chaveiro Reis

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Juventus e PSG parecem não querer ser campeões. A Juve perdeu 2-1 com a SPAL e o PSG, foi goleado por 5-1 em Lille. Ambas as equipas adiam por uma semana, pelo menos, as celebrações. Os casos são diversos. A Juventus joga amanhã para a Liga dos Campeões, poupou a equipa e acabou por não vencer. Kean, figura da Juve quando Ronaldo não joga, até marcou primeiro mas Bonifazi e Floccari deram a volta. Não é de por de parte a possibilidade de uma festa poder desconcentrar os jogadores antes da receção ao Ajax. Sábado, na receção à Fiorentina, poderá ser tempo de festejar. Será o oitavo título consecutivo, sem que tenha tido grande réplica o que leva a pensar se este é de facto um dos campeonatos mais competitivos da Europa. Bem diferente é a situação do PSG que parece ter entrado numa fase de desconcentração. A expulsão de Bernat não explica como é que uma equipa recheada de estrelas, que só precisava de um ponto, se tenha deixado golear. Será o sétimo título desde 2012 e após a hegemonia do Lyon, mostra que o futebol francês também não é assim tão competitivo. A festa deverá ser feita no sábado, altura em que os comandados de Tuchel recebem o Mónaco, que venderá cara a sua derrota. 

Bruno continua a maravilhar

15.04.19, Francisco Chaveiro Reis

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Nunca é de mais, louvar Bruno Fernandes. Na Vila das Aves, o médio marcou o seu 28.º golo da época e fez a sua 11.ª assistência para golos. São números astronómicos numa altura em que ainda faltam disputar 5 jogos. Bruno Fernandes, com 16 golos no campeonato, está a dois golos de Simão e Nuno Gomes, que são os portugueses com mais golos no campeonato neste século. Fernandes olha agora para os 29 golos do brasileiro Alex pelo Fenerbahce, em 2004-2005 e pensa em bater o antigo criativo como o médio com mais golos no futebol europeu. Parece-me que conseguirá.

Mais de mil milhões

11.04.19, Francisco Chaveiro Reis

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O período de Nasser Al-Khelaifi à frente do PSG tem sido de sucesso. Desde 2011, altura em que o empresário oriundo do Catar, comprou o clube, o PSG venceu cinco campeonatos de França (até então tinha vencido apenas dois); quatro Taças de França; cinco Taças da Liga e seis Supertaças de França. De facto, dos 38 títulos conquistados pelo PSG na sua história, iniciada em 1970, 20 foram conquistados neste período de ouro e vem a caminho mais um campeonato francês. Se olháramos para a lista de melhores marcadores da história do clube, 3 dos 10 melhores, incluindo os dois melhores, foram contratados por Al-Khelaifi. Cavani e Ibrahimovic destronaram Pauleta. Di María é nono da lista.

 

Claro que todo este sucesso tem um preço. E um preço bem elevado. Mais de mil milhões de euros. Estes anos têm sido de gastos extremos como está bom de ver com os resgastes de Neymar ao Barcelona por 222 milhões e de Mbappé ao Mónaco por cerca de 180 milhões. Mas há um lado negativo de tudo isto. O primeiro pouco importa ao PSG. A liga francesa tornou-se bastante mais aborrecida. Só há competitividade do segundo lugar para baixo. Mas para ser justo, o Lyon teve oito anos seguidos de domínio total, sem que tivesse um dono bilionário. O segundo é o que mais afeta o clube. O domínio interno tornou-se normal mas a conquista da Liga dos Campeões não chegou ainda, nem esteve sequer, perto. Chegou duas vezes aos oitavos (como este ano) e quatro aos quartos. O terceiro é o custo literal que os planteis têm tido. Se o valor de Cavani, Mbappé, Marquinhos ou Thiago Silva é evidente. Outros, têm sido flops e nada baratos. O próprio Neymar, sendo a estrela da companhia quando joga, tem dado sempre a ideia de querer regressar a Espanha o quanto antes e parece pouco comprometido a fazer muitos jogos seguidos pelo clube ou sequer em jogar fora de Paris.

 

Mas do que aqui quero falar são dos jogadores que foram contratados por valores elevados e pouco renderam pelo PSG. Se virmos a lista dos 29 jogadores contratados por Al-Khelaifi, podemos dizer, com mais ou menos certeza que, Neymar (222 milhões), Mbappé (180), Cavani (64), Di Maria (63), Thiago Silva (42), Marquinhos (31), Lavezzi (26), Ibrahimovic (20), Verrati (12) ou Matuidi (7,5) foram boas adições. Mas a lista está repleta de flops. Uns, menos acentuados como Lucas (45), Pastore (42) ou Kurzawa (24), outros, que poucas utilidades tiveram para o clube como David Luiz (50), Draxler (36), Guedes (30), Digne (15), Gameiro (11), Menez (9), Trapp (9), Sissoko (8) ou Stambouli (6).

 

Van der Wiel, Jese Rodriguez, Krychowiak, Lo Celso e Aurier foram outros nomes que pouco acrescentaram ao PSG. Ainda assim, alguma coisa está a resultar. Poderia era resultar na mesma, com menos investimento.

Craques da Bola, 1

09.04.19, Francisco Chaveiro Reis

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Hoje com 51 anos, Youri Djorkaeff, médio ofensivo francês de origem arménia, marcou uma época do futebol francês, tendo estado ao lado de Zidane, Deschamps ou Pires na equipa que venceu o Mundial de 1998 e o Euro de 2000. Nascido em Lyon, filho do também futebolista Jean Djorkaeff (Lyon, Marselha e PSG), Youri começou a jogar como sénior no Grenoble, em 1984. Por lá ficaria até janeiro de 1990, altura em que fez o upgrade para a equipa do Estrasburgo.

Só subiria à primeira divisão um ano depois, em janeiro de 1991, mudando-se para o Mónaco. Para trás, 41 jogos e 27 golos pelo Estrasburgo que subiria de divisão. Djorkaeff não foi nada tímido e ajudou o Mónaco de Arsene Wenger a ficar em segundo lugar na Ligue 1 e a vencer a Taça de França. Para tal terá ajudado a companhia: Weah, Hoddle, Puel, Rui Barros e os jovens Henry, Thuram e Petit, que viriam a ser campões do mundo sete anos depois, faziam parte do plantel. Djorkaeff ficaria mais quatro épocas no Principado chegando a uma final da Taça das Taças, conhecendo outros treinadores (Jean Luc Ettori e Gerard Banide) e convivendo com craques como Klinsman, Dib, Dumas, Ikpeba, Sonny Anderson ou Scifo.  

Pelo Mónaco atuou 177 vezes e marcou 65 golos sendo o melhor marcador do campeonato francês de 1993-1994, com 20 golos, em igualdade com Boli (Lens) e Ouedec (Nantes). 1995-1995 seria passado no PSG onde venceria a Supertaça de França e a Supertaça Europeia. Marcaria 20 golos mas não fez do PSG, campeão. Treinado por Luis Fernandez, contou com Nouma, Anelka, Loko, Dely Valdes, Raí, Le Guen ou Guerín como companheiros.

Depois de tão grande evolução no seu país, rumou ao poderoso Inter de Milão, sempre sedento de novos craques que lhe devolvessem o título italiano (fugiu entre 1989 e 2006). Em Milão, venceu a Taça UEFA de 1997-1998, apoiando o génio de Ronaldo. Roy Hodgson, Luciano Castellini, Luigi Simone e Mircea Lucescu foram seus treinadores e ao seu lado, uma parada de estrelas: Zamorano, Ganz, Kanu, Sforza, Ince, Recoba, Simeone, Zanetti e Pagliuca. Poucas semanas depois da vitória na Taça UEFA, Djorkaeff integraria a histórica equipa francesa que venceria o Campeonato do Mundo, em casa. O passo seguinte da carreira seria a Bundesliga e o Kaiserslautern, campeão pouco antes.

Em dois anos e meio na Alemanha não conquistou títulos, mas deixou a marca de 18 golos marcados. Por lá, conheceu Klose, Tare, Basler ou Dominguez e reencontrou Sforza. Em janeiro de 2002, mudou-se para o melhor campeonato do mundo, ao serviço do Bolton Wanderers. Sem surpresa, não venceu títulos, mas espalhou a sua classe, numa equipa que tinha Okocha, Bobic, Nolan ou N´Gotty. Djorkaeff acabaria a carreira de sucesso nos EUA, ao serviço dos NY Metrostars, da MLS. Em Nova Iorque marcou 13 golos e conviveu com Tony Meola, Agoos e com o jovem adolescente Bradley que faria boas épocas na Roma.

Fica a sensação de que Djorkaeff teria sempre cabido num gigante europeu como Manchester United, Bayern de Munique, Real Madrid ou Barcelona mas ainda assim fez uma carreira de alta categoria e será para sempre lembrando como um jogador francês muito acima da média que brilhou, sobretudo nos anos 90.

O voo do Galo

08.04.19, Francisco Chaveiro Reis

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Apesar de levar mais de 50 golos marcados e de ter vencido 18 dos 29 jogos que disputou, o Gil Vicente continua em último lugar na Série A do Campeonato de Portugal, com…zero pontos. Até há uma semana, o histórico clube de Barcelos, estava em suspenso, com a possibilidade de dar um salto quântico da terceira para a primeira divisão. A 1 de abril, a Liga de Clubes decidiu que já chegava de suspense e que em 2019-2010, o Gil regressará enfim ao lugar a que pertence.

 

Para trás, ficam 13 anos onde o clube até chegou a uma final da Taça da Liga (1-2 com o Benfica em 2012) mas nunca mais jogou na primeira divisão e até desceu à terceira apesar dos melhores esforços de homens da casa como Paulo Alves ou Nandinho, craques feitos treinadores e, claro, do presidente Fiúza, figura central do clube. Fundado em 1924, o Gil Vicente só conheceu as maravilhas da primeira divisão em 1989/1990, cumprindo sete épocas antes de regressar à segunda divisão. Nesses anos acabou por mostrar ao futebol português homens como José Nuno Azevedo, José Nuno Azevedo, Tuck, Capucho, o saudoso João Filipe, Paulinho Cascavel, Folha, Brassard, Miguel, Laureta, Cacioli, Marcelo, Drulovic, Pedro Roma, Dito, João Oliveira Pinto, Carlitos, Pedrosa, Wilson ou Matias. Uns, lançados na primeira divisão para serem depois pescados pelos grandes, outros emprestados ao Gil para crescerem.

 

Não voltou logo na época seguinte devido ao “Caso Alverca” (como satélite do Benfica não poderia subir mas acabou por seguir para a I Divisão depois de se desvincular), tendo regressado em 1999. Em 2004, inaugura o moderno Estádio Cidade de Barcelos. No entanto, tudo muda em 2006, com o chamado “Caso Mateus”, o caso com o nome do avançado angolano, atualmente no Boavista. Boavista, justamente, que viveu algo parecido, sendo convidado a uma subida gigantesca. E em Barcelos, como no Bessa então, o problema será o mesmo. Como construir um plantel depois de anos sem receitas de primeira divisão? Os empréstimos de clube de maior dimensão, a aposta na prata da casa e a prospeção por jogadores baratos de qualidade nos mercados menos óbvios serão parte da resposta, mas com a promoção terá que vir algum tipo de compensação. A verdade é que um histórico regressará à primeira divisão e isso é de saudar.  

Uma noite calma em Alvalade

08.04.19, Francisco Chaveiro Reis

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A noite em Alvalade foi de poucas emoções e ainda bem. O Sporting venceu o nada modesto Rio Ave por 3-0 e Keizer conseguiu dar alguns minutos de descanso a Acuña e Mathieu. A noite em Alvalade foi de poucas emoções e ainda bem. O Sporting venceu sem discussão e não foi necessário sofrer. A seis jornadas do fim, o terceiro lugar está bem encaminhado o que não é brilhante mas atendendo aos últimos tempos e sobretudo ao início da época, acaba por ser bastante aceitável. Luiz Phellype, confiante, aproveitou mais uma ausência de Dost para fazer o seu terceiro golo no campeonato. Não é nenhum craque mas mostra que também não é nenhum tosco e que pode ser uma boa ajuda. Fernandes, de penalty, fez o segundo e foi, claro, o melhor em campo e Wendel, com o golo da noite descansou os adeptos. Jovane e Gaspar falharam o quarto mas a noite de domingo deixou boas recordações.